Mais do que
por uma disputa acirrada, o 2º turno de 2014 entrará para a história por ter
sido uma das eleições cujo povo agiu com a maior ignorância (verbal) de todos
os tempos (talvez a maior, até agora)!
A Internet concedeu
um poder a todos, sem distinção, mas que muitos não têm condições de fazer uso.
As redes sociais bombardearam propaganda política e eu juro que nunca tinha
lido tanta bobagem junta. Um pouco pela necessidade escancarada de alguns em
denegrir a imagem do outro; um pouco em quase exigirem que todos pensem igual;
e outro pouco em passar adiante mentiras tão grosseiras de ambos os candidatos,
que quando eu lia, não sabia se era ingenuidade, ignorância ou maldade mesmo.
A
democracia ficou apenas nas urnas, pois no âmbito social ela passou longe.
Opinar ninguém podia, ou virava uma mesa redonda de discussões virtuais. As
pessoas, não contentes em poderem mostrar o que pensavam, se sentiam impelidas
a desrespeitar opiniões diferentes das suas. O espaço de cada um, na própria Internet,
era ignorado. Alguns não se sentiam satisfeitos em usarem as suas próprias
páginas, então precisavam comentar ironias em páginas alheias.
Creio que
nunca se discutiu tanto sobre pontos de vista distintos, como se não estivesse
de bom tamanho a oportunidade de mostrar o que se pensa e sente, na urna.
Mais do que
ser livre para escolher, observei a necessidade de inibir a liberdade do outro –
como se cada um se sentisse o dono da verdade! Creio que nunca se mostrou tanto
egocentrismo junto.
Sabemos
que o Brasil precisa melhorar muito. Sabemos que é absolutamente impossível
agradar a todos. Sabemos que muitos sairiam descontentes dessa disputa (como
acontece em todas as competições), independente de quem fosse o vitorioso. Mas
não contentes com a frustração, alguns partidários do candidato derrotado,
desde ontem bombardeia as redes novamente. Mas agora, com manifestações do tipo: “Esse povo tem mais é que se dar mal”, “Agora não terei mais pena quando vir o
povo sofrendo”, “Povo burro”... Lamento muito ler esse tipo de coisa. Pra mim,
burro é quem não sabe perder e ainda por cima desrespeita o outro.
Lisandra Pioner
