Até que ponto a aparência influencia
a opinião das pessoas?
Tenho me dedicado a um estudo sobre
até que ponto a aparência das pessoas – cabelo, roupas, maquiagem, tatuagens – pode
influenciar no conceito que os outros possuem.
Ouvi opiniões, li inúmeros artigos,
criei minhas próprias teses acerca do tema e repasso a seguir, o que ficou de
todo o trabalho.
As pessoas ainda se importam muito
com a ilusão da figura, com a imagem. Gostam de ver e até comentar a respeito
daquilo que lhes agrada os olhos. Isso não significa, necessariamente, que
falem mal ou pensem mal sobre o que lhes desagrada.
Se interessam muito, principalmente
as mulheres, sobre a forma com que alguém que lhes presta um serviço, se
ornamenta. Mas não estou falando de unhas bem feitas e cabelos presos ao
trabalharem diretamente com alimentos, por exemplo. Me refiro a saltos, roupas
bonitas, cabelo bem cuidado, acessórios de bom gosto. Mas também não me refiro
a fazerem questão de observarem outras mulheres assim. Pelo contrário! É muito
importante que as mulheres que prestam algum tipo de serviço a outras mulheres
saibam que jamais devem parecer entenderem de algo tão “fútil” quanto
tendências da estação – principalmente se não trabalham em lojas ou não são
estilistas. Se lidarem com Educação, Medicina (exceto a estética, que exige o
contrário), Filosofia, Gastronomia ou qualquer assunto que não tenha absolutamente
nenhuma ligação com aparência, é bom que se cubram dos pés à cabeça e que apenas
mantenham-se limpas e livres de odores. A não ser que não queiram manter seus
empregos. Mas daí é uma outra questão.
Empresas admitem optar por um
candidato de melhor aparência, quando ambos possuem a mesma competência. E aí incorrem dois grandes erros. O primeiro, em valorizarem tanto o exterior, o que
causa exclusão de muitos. O segundo, em não perceberem que por trás dessa
afirmação existe um preconceito imenso, até porque competência é algo muito
pessoal... ninguém terá exatamente a mesma competência que outra pessoa.
Sabemos, desde sempre, que uns possuem maiores habilidades para umas coisas, e
outros, para outras coisas. Competência e habilidade são espécies de impressão
digital!
E por fim, até onde a aparência é
motivo de credibilidade?
Por mais incrível que pareça, em
pleno século 21, estamos na tão sonhada época
do “tudo pode” – mas que fique bem claro que é somente no que tange à teoria.
Nem pensar em sair exercendo seus direitos por aí. Porque temos direitos, sim.
Mas a liberdade de exercê-los, vai tão somente até a liberdade do outro de
julgarem-nos. E essa liberdade pode ser devastadora!
Roupa bonita pode, desde que não
seja mais bonita que a de seu cliente. Muita frivolidade pensar em moda, né?
Esse profissional não poderia ser levado a sério...
Tatuagem pode, desde que seja
delicada e muito discreta. Ai daquele que ousar mostrar sua personalidade
através de rabiscos sobre pele. Isso é coisa de “desclassificado”. Imagina se
alguém inteligente será tatuado?
Essas observações não foram feitas
nos anos 20. São comentários de contemporâneos como eu e você. Comentários que
escancaram preconceito e discriminação. E que esfregam na cara da sociedade, a
intolerância.
Após
semanas de estudo, só desejo que o conservadorismo seja uma possibilidade pouco
utilizada, e que as diferenças sejam mais aceitas e respeitadas, pois são elas
que produzem grandes feitos!Como as pessoas se vestem, que cabelo usam, se possuem ou não o corpo tatuado, se entendem ou não de moda... isso são apenas detalhes da personalidade das pessoas. A bondade, o amor, a inteligência, a competência e a dedicação não se medem nesses pormenores. Já o preconceito estampado em algumas manifestações, diz muito sobre quem você é.
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

