Sim, pode estar “batido”, cansativo e repetitivo,
mas apesar de o assunto ser esportes, meu foco é um pouquinho diferente do que
a maioria das pessoas têm falado. Minha intenção é refletir sobre a importância
do esporte na vida das nossas crianças. E quando falo em esporte, não me refiro
à Educação Física que é (mal e pouco) realizada nos colégios. Na maioria das
vezes um ou dois períodos semanais com menos de uma hora cada. Só milagre faria
parecer algo importante se nem mesmo as escolas dão importância.
O esporte é um grande agregador de valor, se
utilizado com a devida seriedade e consideração. O mérito do esporte na vida de
pessoas que fizeram dele algo útil e estimado é inquestionável. O esporte desenvolve
competências técnicas e sociais com uma eficiência muito maior do que qualquer
outra atividade, principalmente por ensinar a fazer, fazendo. Ou seja, é na
prática que ele molda e interfere na vida das pessoas que o praticam. Além
disso, estimula diversas habilidades como colaboração, comprometimento,
adaptação, iniciativa, engajamento, foco, relacionamento interpessoal e
resiliência. Ensina a lidar com as frustrações inevitáveis, com suas
necessidades, expectativas e desejos (e com as dos outros também), a criar
estratégias para vencer seus próprios limites, a admirar outras pessoas, cria
obrigações e responsabilidades, inclui, exige esforço, convívio, resolução de
conflitos, trabalha valores éticos e morais... Ufa! Proporciona o
desenvolvimento integral do indivíduo. Alguma dúvida disso?
E a escola é, sem dúvida alguma, um excelente
espaço para que tudo isso comece a acontecer. Afinal, se a escola não é o lugar
onde se deve mostrar o mundo, desenvolver competências e instrumentalizar as
crianças e jovens para lidarem com o que está por vir, então não sei mais para
que serve...
Sim, o ENEM é importante, a quantidade de alunos
que saem do Ensino Médio e conseguem uma vaga em universidades públicas é
importante, a colocação em cursos e concursos de todas as áreas é importante.
Mas me desculpem a sinceridade plangente, o grande mal das novas gerações não é
a falta de preparo para conquistarem uma posição; é a falta de preparo para
lidar com toda e qualquer circunstância que saia um pouquinho fora do esperado.
É a inabilidade para lidar com oposição ou imprevisto, a falta de empenho e a
desconsideração pelo outro.
Somente os esportes podem ajudar as nossas
crianças? Claro que não! Mas que os esportes certamente as ajudam, tenho
certeza absoluta. Podem comprovar!
(Texto do Jornal Zero Hora, de agosto de 2016)
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora



