Tuesday, May 12, 2015

Semana de provas! E agora, o que fazer???


Final de trimestre é sempre a mesma coisa… as crianças chegam em casa munidas de uma folhinha aparentemente inofensiva que, na verdade, é quase uma bomba na família: as datas e conteúdos das provas! E então surge aquele desespero.
Muitas vezes, é nesse momento que os pais se deparam com cadernos incompletos, caligrafias ilegíveis, bilhetes de tarefas não feitas na agenda. Então se enchem de culpa e também de pavor. Que nota irão tirar? O que fizeram o trimestre inteiro que o caderno está quase vazio? Por que parece que não sabem nada do conteúdo? Por que fui ver isto só agora???
De nada adianta essa aflição neste momento. A situação pede, mais do que nunca, organização e foco. É um caso típico que deve ser remediado e só depois, pensar nas medidas profiláticas para o próximo trimestre.
Abaixo, algumas dicas importantes para os dias anteriores à semana de provas.
ü  Identificar todo o material que deve ser estudado é o primeiro passo. Caso falte algo, deve ser providenciado imediatamente com o professor ou algum colega que costuma ter o caderno mais completo. Hoje em dia, com o advento da Internet, é muito fácil fotografar um material e enviá-lo na mesma hora.
ü  Reunido todo o material, é hora de preparar o local para o estudo e ordenar o tempo necessário. Para começar, não adianta exigir que a criança ou o jovem fique 2 horas sentado diante dos livros, pois não há atenção que resista ao mesmo estímulo por tanto tempo. Lembrando que aqui o caso é de “socorro”, pode-se separar 2 a 3 horas em um turno, mas com breves intervalos a cada 45 minutos, para que o estudante possa se esticar, fazer um lanche ou até mesmo parar um pouco para pensar em nada.
ü  A organização do ambiente é de extrema importância para que haja praticidade na hora de pegar algo que seja necessário para a tarefa e até mesmo para que a atenção seja exclusiva. Portanto, celular, televisão e computador devem estar bem longe do alcance e da visão. Hora de estudo é para realmente estudar.
ü  Estudar exige leitura focada, concentração, marcação de partes importantes dos textos e criação de esquemas ou resumos, onde o estudante (re)elabore o que absorveu do conteúdo. Às vezes, ler em voz alta e até mesmo gravar a sua leitura, pode auxiliar na hora dos estudos. Essas técnicas estimulam e abrangem as múltiplas inteligências.
ü  Para diversas disciplinas, treinar fazendo exercícios, por mais antiquado e tradicional que pareça, é sim a melhor forma de aprender e até mesmo verificar o que ainda não aprendeu, podendo assim, pedir auxílio ao professor antes do tão temido dia da prova!
ü  Estudar até tarde no dia anterior ao da prova não adianta nada e só deixa a criança (ou adolescente) cansada. A eficácia de uma boa noite de sono já é cientificamente comprovada – ainda mais no dia anterior ao da avaliação.
Para uma “força-tarefa” de emergência, essas são dicas valiosas! E não esqueça de que se seu filho não estudou como deveria durante o trimestre, a semana de provas não é o momento mais adequado para passear ou receber amigos em casa.
O ato de estudar deve ser visto com seriedade, pois essa valorização pela família muitas vezes é o incentivo que falta ao estudante. Além disso, é a partir dele que muitos outros hábitos positivos podem emergir.
E não permita que esse sufoco volte a acontecer no próximo trimestre. O olhar da família é essencial!
Lisandra Pioner

Professora, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

Sunday, May 10, 2015

Transformações e reedições que só a maternidade (e a “voternidade”) proporcionam...


Não é segredo pra ninguém que minha mãe e eu nunca tivemos uma relação muito próxima (quem não sabe disso, não sabe por falta de oportunidade). De toda a minha infância, tenho algumas raras lembranças... ela penteando meus cabelos enquanto víamos Chacrinha em um sábado à tarde; eu segurando sua mão, aos prantos, enquanto rezávamos na entrada do colégio (estudava em colégio católico), implorando para que não me deixasse naquele Jardim de Infância que eu detestava; ela saindo de pantufas para trabalhar, só se dando conta disso na esquina de casa; ela me perguntando se eu havia passado perfume e diante da negativa, me entupindo de almíscar (um miniperfume fedorento, que se não me falha a memória, é da marca Phebo) no meio da rua, fato que me fez passar uma manhã de aula inteirinha ouvindo dois colegas (o Ricardo Luciano e o Jader!) debocharem da minha “catinga”; eu me despedindo dela na frente do colégio, quando descia do ônibus e ela permanecia; e eu ligando para meu pai, avisando que minha irmã estava quase nascendo, numa gelada noite de domingo, enquanto assistíamos o Globo de Ouro. São lembranças da infância de uma menina insegura, desajeitada e extremamente tímida. Lembranças de uma infância que já se foi há muito tempo, e talvez por isso, se encontre meio distorcida. Mas foram essas lembranças que, provavelmente, me fizeram ser o que e como sou hoje.
Sempre fui uma menina quieta, introvertida, pensativa, observadora. Nunca me destaquei em quase nada além da escrita. Não era bonita, nem falante, nem engraçada, nem divertida, nem simpática, nem boa em esportes... passava muito mais tempo acompanhada da minha principal característica, a introspecção, do que batendo papo com a família e com os amigos.
Passei toda a minha adolescência numa mistura de tentativa de ajuste, com rebeldia. Isso fazia minha mãe enlouquecer. Brigávamos muito. Percebia o quanto o meu jeito a desagradava... Deve ser difícil ver um pedaço de ti importunar...
Anos mais tarde engravidei. Tinha 26 anos e ainda era uma adolescente. Enquanto minha barriga crescia, amadurecia.
Durante minha gravidez pensava muito na importância de ser uma boa mãe... o quanto eu precisava me aceitar para aceitar a pessoinha que estava chegando. Tive nove longos meses para pensar e repensar minha vida (desde a minha infância). Nove longos meses para me aproximar da minha mãe por um motivo simples e íntegro: estávamos no mesmo patamar.
Foram meses de grande aprendizado. Meses em que me distanciei para me (re)aproximar. Meses em que me coloquei em segundo plano e planejei o que podia. Meses de leveza e tensão quase que concomitantes.
Esses meses transformaram muitas coisas. Transformaram uma promessa em um ser humano (encantador). Transformaram uma relação delicada em uma relação coesa. Transformaram uma adolescente em uma mulher. Transformaram uma mãe em uma avó.
E foi através dessas transformações que tive a mais surpreendente e encantadora descoberta: tudo é passageiro. É a gente que eterniza os acontecimentos e as situações através das emoções que elas nos provocam.
Hoje, minha mãe é a melhor reinvenção dela mesma. Ser avó me parece uma oportunidade de reeditar o que não ficou bem escrito.

Desejo nesse dia das mães, que ela sinta-se feliz por essa oportunidade e que eu, um dia, possa ter a mesma chance.

Lisandra Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora