
Não é surpresa para ninguém, o quanto a relação entre filhos - independentemente do sexo - e mães ocupam a mente, a ciência e o inconsciente de todos. É uma relação tão decisiva, que por vezes define o futuro de um ser.
Relacionamentos amorosos são definidos por esse vínculo, profissões são escolhidas em função desse laço - ou nó -, situações de perpetuam eternamente como resultados desse passado, tão presente.
Existem linhas que colocam a mãe como importante, porém, totalmente substituível por um cuidador que faça seu papel. Outras, porém, escravizam as mães a um lugar tão definitivo que, independentemente do que fizerem, sempre serão as responsáveis por todo e qualquer acontecimento na vida do rebento.
Pessoalmente, não sou tão fatalista assim. Até porque, acredito que até certa altura da nossa vida, podemos responsabilizar quem nos cuidou - ou deixou de cuidar -, mas chega um determinado momento em que é imprescindível tomarmos as rédeas e sermos protagonistas da nossa própria história. E essa decisão é difícil. E faz voltarmos lá pra trás, onde a forma que fomos criados, influencia bastante. Ou seja, está tudo interligado!
Por qual motivo a novela A Vida da Gente tem feito tanto sucesso, mesmo sendo exibida em um horário pouco vantajoso? Porque fala sobre as sutilezas determinantes da nossa vida. Toca o dedo nas feridas que todos temos - sejamos ricos ou pobres, velhos ou novos, felizes ou não. Mostra a vulnerabilidade das relações e da própria vida! E não deixa a relação mãe e filho de lado. Pelo contrário: a coloca no centro!
Independentemente das linhas de estudo, da novela, do histórico social, mãe é sim, importante, e nossa relação com ela, muitas vezes, determinante. Mas o que tenho visto cada vez mais são mães que abrem mão de seu papel com a maior naturalidade. Que optam por serem coadjuvantes, espectadoras, meras testemunhas da vida que colocaram no mundo.
Também vejo mães que se colocam em total igualdade com o filho. Que mais competem, que auxiliam. Que mais criticam, que refletem sobre seus próprios atos. Lidar com criança e adolescente é difícil? Não! Lidar com outro ser é difícil! Mas também é sublime!
Lido diariamente com isso... Mas lidar com seres humanos que foram simplesmente assistidos por aquela que deveria lhe estender as mãos e convidar pra andar junto, podem ter certeza, será muito pior!
Tenho certeza de que é um assunto complicado e polêmico. Mas se eu pudesse fazer um pedido a todas as mães - como mulher, mãe e profissional da área da educação que sou, com muito orgulho! - seria: ocupe-se do seu filho! Ajudas são sempre bem-vindas, mas não esqueça de quem o colocou no mundo.
Escrito por Lisandra Pioner e publicado no Blog "Meu Filho" de Zero Hora, em fevereiro de 2012