Friday, January 09, 2026


 

Sempre adorei as novelas de Manoel Carlos... um jeito delicado, profundo e sensível ao tratar de temas corriqueiros e personagens comuns, faziam com que eu entrasse nas histórias e refletisse sobre quem eram aquelas pessoas e como suas histórias os construíram. Mal sabia eu, que pelo resto da vida me indagaria sobre isso, mas em relação a seres humanos reais.

Nessas férias encontrei um TikTok que apresenta as novelas do Manoel – capítulo por capítulo! Nem preciso dizer que tem sido uma distração e tanto! Me fez ter tantos sentimentos, tantas percepções diferentes de quando as vi pela primeira vez, observei – agora com olhos de adulta – sutilezas que explicam tantos fatos que eu não entendia naquela época...

Em um dos capítulos, duas personagens falam sobre seus filhos adolescentes. Ambas reclamam de terem filhos preguiçosos, que levantam da cama e deitam no sofá, que não querem praticar esportes de forma disciplinada e que só se manifestam verbalmente, fazendo uso de meia dúzia de palavras. Na mesma hora percebi que fazer críticas aos adolescentes é algo muito comum – seja em 1997, época da novela, ou em 2026. Mas fiquei refletindo sobre o que as mesmas personagens falariam hoje, caso esse diálogo estivesse acontecendo no mundo em que vivemos. O que elas falariam sobre o impacto da atual configuração social nas novas gerações, que é nitidamente mais dispersa, impaciente e muito mais sobrecarregada de informações? Uma geração que cresceu on-line, enfrentou a pandemia e lida com a instabilidade social e econômica esfregada na cara diariamente – o que costuma gerar uma ansiedade imensa – , além de estar imersa em tecnologia e Inteligência Artificial – sem saber como usá-las de forma ética e assertiva.

A geração Z precisa de estímulos diferentes daqueles da geração mostrada na novela. Aliás, precisa de estímulos muito mais frequentes e explícitos. O uso excessivo de telas e a imersão constante em ambientes virtuais, estão ligados a níveis cada vez mais baixos de bem-estar emocional, comparação social, busca de dopamina e prejuízo à concentração, criatividade e até consequências – a médio e longo prazo – de impacto no QI.

Reclamar com outras mães sobre insatisfações é muito comum e até saudável, porém, é necessário fazer mais do que comentários. Precisamos ajustar rotinas para que a interação com o mundo atual não desestabilize e impacte negativamente essa e as gerações futuras. Para isso, negociar é sempre a melhor opção para com adolescentes – lembrando que há questões inegociáveis e que, às vezes, “porque não” é a resposta mais amorosa que podemos dar.

# Explicar o motivo pelo qual não é bom passar tantas horas em frente a telas, mostrar estatísticas, estudos e notícias pode ajudar;

#Estarmos abertos à escuta também é importante para que se encontre um meio termo;

#Propor alternativas para aqueles momentos em que o celular fazia companhia ao jovem, pode ajudá-lo. Caminhada, leitura de um livro, praticar um esporte, organizar o quarto, os materiais escolares, parte da casa, encontrar amigos, ir ao cinema, andar de bicicleta, jogar algo, aprender uma receita, ir ao teatro (Porto Verão Alegre está acontecendo!)...

                Obviamente que dará trabalho para nós adultos, mas como sempre digo “Ninguém falou que seria fácil ser pai/mãe”. A gente precisa escolher o “difícil” que queremos, e não tenho dúvidas que a escolha será investirmos um tempinho para direcionar e acompanhar os filhos em novas atividades!

Tentem! Vocês verão a mudança em casa – e logo, logo, no mundo! Não ignorem o poder de pequenos ajustes diários – eles costumam ser milagrosos!

 

                                                                                                                Lisandra Pioner

                                                            Pedagoga, Psicopedagoga e especialista em AEE

 

Anteontem, 7 de janeiro, foi o dia do leitor. Tenho muito orgulho de sempre ter sido uma apaixonada por ler, e mais orgulho ainda, de ser uma grande incentivadora da leitura! Um estudante jamais passou por mim, sem perceber o quão potente os livros podem ser em sua vida.

Sabemos que a leitura oferece benefícios cognitivos, como expansão do vocabulário, aprimoramento da escrita, agilidade no raciocínio. Também oferece grandes benefícios emocionais, como o desenvolvimento da empatia, o auxílio na lida com seus próprios sentimentos, autoconhecimento. Também estimula a criatividade, a imaginação, a concentração! E quando os adultos conseguem transformar um momento de leitura em um momento familiar, fortalece laços, ensina a cooperação, vincula. O bem-estar provocado por lembranças desses momentos, permeia toda a vida adulta e consegue mostrar que aconchego fortalece.

Ler amplia nossa visão de mundo, expande nossos horizontes, estimula o pensamento crítico. A leitura pode oferecer acesso a uma variedade ilimitada de perspectivas, culturas e épocas, fazendo com que a gente compreenda melhor a complexidade do mundo, dos indivíduos e de nós mesmos.

E em um período onde o uso descontrolado da Internet causa tantas vulnerabilidades ao ser humano, como hoje em dia, ler é mais do que libertador; é uma recusa absoluta e inegociável de não “emburrecer”.

Mas sabemos que qualquer hábito precisa de incentivo! E incentivos vêm de situações preparadas para isso. Vamos pensar em algumas possibilidades de estímulo?

# Quando queremos criar seres humanos leitores, precisamos lembrar daquele ditado popular que diz que o exemplo arrasta. É mais fácil incentivarmos uma pessoa a ler, quando nós mesmos somos leitores vorazes – daqueles que têm sempre um livrinho na bolsa para  a primeira oportunidade de ócio.

# A rotina no incentivo ao hábito leitor, também pode ser uma aliada, pois quando definimos um horário para apreciar os livros, passamos a sentir falta dele se por algum motivo deixar de acontecer.

# Além disso, ambiente aconchegante e interatividade – no caso de querer envolver as crianças em oportunidades leitoras – podem ajudar também.

Depois de tornar a leitura um costume, daí pensemos em portadores de textos, tipologias textuais e tudo mais! Há famílias e até profissionais, que antes mesmo de tornarem ler uma prática, se preocupam com os gêneros textuais mais benéficos para o desenvolvimento da criança. Não! Primeiro instaure o costume através de estratégias variadas, lúdicas, divertidas. Depois varie e explore toda a potencialidade do ato de ler!

Que 2026 seja um ano de muitos leitores se (re)descobrindo! No que depender de mim, seremos muitos!

 

Lisandra Pioner

Pedagoga, psicopedagoga e especialista em AEE