Inteligência
Emocional
Sempre
que tenho a oportunidade de dar um conselho aos pais (mesmo sabendo que
conselho nem sempre é bem visto ou recebido), me aventuro a dizer “frustrem
seus filhos”. Na grande maioria das vezes recebo um olhar de desaprovação e em
alguns momentos até deixo de receber olhares por um tempo (o tempo de
“digerirem” meu conselho), mas continuo aconselhando-os exatamente da mesma
maneira. O motivo? Acredito (e pratico) o que digo.
Profissionais
que modificam sua maneira de agir conforme o público que atendem, me parecem
inseguros quanto ao que eles mesmos pensam. Nem sempre tenho certeza absoluta
do que digo, em diversos instantes me vejo hesitante entre falar e calar,
porém, minhas bases são sempre calcadas em estudos, pesquisas e um desejo
imenso de ver a humanidade mais feliz. E o que os pais mais desejam a seus
filhos? Felicidade! Tenho certeza de que há disparidade entre a visão de
felicidade de uma ou outra família, mas independente de acreditarem que ser
feliz é ser bem sucedido, ter dinheiro, ser admirado, construir uma família ou
apenas ter boa saúde, todos almejam ver o sorriso no rosto dos pequenos, até
mesmo quando deixam de ser pequenos.
É
sabido pela Ciência, através de importantes estudos, que quociente de
inteligência (QI) não se sobrepõe a inteligência emocional (QE) no hall de habilidades indispensáveis ao
sucesso. Equilíbrio emocional é uma competência que precisa ser trabalhada
desde a mais tenra infância, na tentativa de criar seres mais preparados para
os embates da vida – principalmente a moderna, que insiste em nos colocar
frente a frente com o desconhecido e com nossos limites, quase que diariamente.
Assim
como estimulamos e exercitamos exaustivamente as habilidades relacionadas a
raciocínio das crianças, precisamos, com urgência, incitar sua capacidade de
lidarem com suas próprias emoções. Enquanto as crianças acreditarem (e os pais ratificarem)
que o problema é ou está no outro, estaremos dando continuidade a uma sociedade
incapaz de lidar com situações extremas.
As
crianças devem aprender aos poucos e através de muito afeto e clareza, que a
interação com o outro (esse outro sendo semelhante ou o oposto delas) é que
permitirá o exercício eficiente e benéfico de habilidades como resiliência,
tolerância, autoestima e vínculos reais – que só lhe trarão benefícios a longo
prazo.
Não
faço apologia ao desamor (porque frustrar não é sinônimo de falta de afeto),
tento mostrar que amar vai além de proteger. Amar está muito mais atrelado a
dar ferramentas para que a criança, sozinha, consiga lidar com os
acontecimentos de seu cotidiano, de forma autônoma e confiante. É preferível um
“não” amoroso a vários “sim” omissos.
Demonstrem
amor, abracem, verbalizem esse carinho. Mas não satisfaçam todas as vontades,
nem superprotejam. O futuro da humanidade agradece!
Lisandra
Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da ZH



