Seja muito bem-vindo! Este é um blog onde diferentes olhares - Educação, Psicopedagogia, Pedagogia, Psicologia, Neurociência, Fonoaudiologia, Psicomotricidade - se complementam, com a intenção de perceber e entender todas as possibilidades do sujeito. Além disso, é um espaço para socializar saberes, pois o conhecimento precisa ser compartilhado para que possa gerar transformações!
Monday, December 12, 2016
Encontro de colunistas da ZH
Com muita satisfação e gratidão ao Universo, novamente fecho o ano fazendo parte desse time tão especial!
Lá estou eu, na mesma foto em que a Lya Luft, Martha Medeiros, Luís Fernando Veríssimo, JJ Camargo e tantas outras pessoas, pelos mesmos motivos: a escrita e a opinião bem embasada!
Obrigada a todos que me leem, que fazem questão de me elogiar e que são parte indispensável dessa constante caminhada em direção a um futuro permeado pela reflexão, pela liberdade de expressão e pelo respeito a todos!
Obrigada de coração!
Wednesday, October 26, 2016
Tuesday, October 18, 2016
Você sabe o que é Dislexia?
O que é Dislexia?
A palavra Dislexia vem do grego e significa “dificuldade
com as palavras”.
Ela é considerada um transtorno do neurodesenvolvimento
que afeta a linguagem, causando dificuldades relacionadas à leitura e à
escrita.
Tipos de Dislexia
Dislexia do Desenvolvimento é aquela inata, ou
seja, que nasce com o sujeito;
Dislexia Adquirida é resultado de uma lesão no
cérebro, causada por acidente ou doença.
Como a Dislexia se manifesta?
Se manifesta através de uma dificuldade
importante na leitura e na escrita. E como há níveis diferentes de
manifestação, um indivíduo disléxico pode ter um determinado grau de dificuldade,
enquanto outro disléxico possua um comprometimento muito maior.
A Dislexia tem cura?
Não existe cura para a Dislexia. O que existem
são formas diferenciadas de se trabalhar, que ajudam o disléxico.
O que é importante saber sobre a Dislexia:
·
Não tem nada
a ver com nível intelectual. Inclusive há muitos disléxicos com inteligência
acima da média;
·
Não é uma
recusa para aprender;
·
Ela pode vir
acompanhada por comorbidades como desatenção, desorganização, problemas de
memória de curto prazo;
·
Não possui
causa ambiental.
Atenção!
Uma criança
que possua Dislexia e não tenha um diagnóstico adequado, pode passar por
inúmeros fracassos na escola. Muitas vezes esses fracassos são os responsáveis
pela desmotivação, baixa autoestima, falta de confiança e até mesmo depressão
do estudante, o que acaba afastando-o do ambiente escolar e impedindo-o de
seguir os estudos.
A primeira
pessoa que costuma observar um comprometimento nos atos de ler e escrever é o
professor, por isso a importância de termos profissionais capacitados para,
pelo menos, fazer o encaminhamento a um profissional que possa fazer esse
diagnóstico. Esse olhar do professor, unido à ação pode ser decisiva no que
separa um fracasso de um sucesso escolar.
Dica:
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora
Monday, October 17, 2016
Educação, Saúde Mental e Profissão Professor
Saúde mental deixou de ser caso da Medicina faz
tempo! Mais do que nunca esse tema tem feito parte do cotidiano das escolas públicas
e privadas de todo o país, tanto quando nos referimos a estudantes quanto a
professores.
No caso dos professores, eles têm sido alvo de
estresse, depressão e mais recentemente, Síndrome de Burnout –fadiga crônica
relacionada à sobrecarga de trabalho. E convenhamos que não é pra menos.
Professores são acumuladores de tarefas para as quais faculdade alguma prepara.
São casos delicados ligados diretamente à vida humana – aprendizagem, transtornos,
afetos, saúde mental e física, problemas sociais e emocionais.
Já no caso dos estudantes, muitos são os que
possuem algum comprometimento emocional ou fisiológico que repercutem
diretamente na aprendizagem. Ansiedade, depressão, hiperatividade, desatenção,
entre tantos outros.
Aos professores já não basta compreenderem o
processo ensino-aprendizagem; se faz imprescindível a compreensão da totalidade
do sujeito, com todas as suas mazelas e vicissitudes. Professores precisam entender
de Psicologia, de Neurociência, de Psiquiatria, de Neurologia, de
Fonoaudiologia e acima de tudo, precisam entender de empatia. Porque cabe ao
professor, enquanto representante da escola, ajudar a criança em seus
problemas, compreendendo-os, encaminhando ao profissional mais adequado, e
muitas vezes lidando com a ausência de auxílio por parte da família, que em
alguns casos está tão fragilizada quanto a criança.
Não é fácil, não é simples, não tem receita
pronta, não há milagre que resolva, mas também não há como ignorar. E se
considerarmos a totalidade de professores brasileiros, poucos são os que sabem
exatamente do que trata a saúde mental e socioemocional. Falta conhecimento,
falta informação, falta oportunidade, falta formação continuada. Temos uma
sociedade em mudança constante e um sistema estagnado, muitas vezes cabendo ao
profissional, de forma solitária, o engajamento e a busca de auxílio para suas
aflições profissionais.
E como se não bastasse, além de cuidar de uma
sociedade inteira – através das crianças e suas famílias – há de lembrar que é
imprescindível cuidar-se também, seguindo o velho “ensinamento de avião”, que
diz que antes de colocar a máscara de oxigênio no outro, é preciso colocá-la em
si mesmo.
Vida longa e feliz aos nossos heróis, também
chamados de professores.
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista do Jornal
Zero Hora
Wednesday, August 31, 2016
Os esportes e a infância
Sim, pode estar “batido”, cansativo e repetitivo,
mas apesar de o assunto ser esportes, meu foco é um pouquinho diferente do que
a maioria das pessoas têm falado. Minha intenção é refletir sobre a importância
do esporte na vida das nossas crianças. E quando falo em esporte, não me refiro
à Educação Física que é (mal e pouco) realizada nos colégios. Na maioria das
vezes um ou dois períodos semanais com menos de uma hora cada. Só milagre faria
parecer algo importante se nem mesmo as escolas dão importância.
O esporte é um grande agregador de valor, se
utilizado com a devida seriedade e consideração. O mérito do esporte na vida de
pessoas que fizeram dele algo útil e estimado é inquestionável. O esporte desenvolve
competências técnicas e sociais com uma eficiência muito maior do que qualquer
outra atividade, principalmente por ensinar a fazer, fazendo. Ou seja, é na
prática que ele molda e interfere na vida das pessoas que o praticam. Além
disso, estimula diversas habilidades como colaboração, comprometimento,
adaptação, iniciativa, engajamento, foco, relacionamento interpessoal e
resiliência. Ensina a lidar com as frustrações inevitáveis, com suas
necessidades, expectativas e desejos (e com as dos outros também), a criar
estratégias para vencer seus próprios limites, a admirar outras pessoas, cria
obrigações e responsabilidades, inclui, exige esforço, convívio, resolução de
conflitos, trabalha valores éticos e morais... Ufa! Proporciona o
desenvolvimento integral do indivíduo. Alguma dúvida disso?
E a escola é, sem dúvida alguma, um excelente
espaço para que tudo isso comece a acontecer. Afinal, se a escola não é o lugar
onde se deve mostrar o mundo, desenvolver competências e instrumentalizar as
crianças e jovens para lidarem com o que está por vir, então não sei mais para
que serve...
Sim, o ENEM é importante, a quantidade de alunos
que saem do Ensino Médio e conseguem uma vaga em universidades públicas é
importante, a colocação em cursos e concursos de todas as áreas é importante.
Mas me desculpem a sinceridade plangente, o grande mal das novas gerações não é
a falta de preparo para conquistarem uma posição; é a falta de preparo para
lidar com toda e qualquer circunstância que saia um pouquinho fora do esperado.
É a inabilidade para lidar com oposição ou imprevisto, a falta de empenho e a
desconsideração pelo outro.
Somente os esportes podem ajudar as nossas
crianças? Claro que não! Mas que os esportes certamente as ajudam, tenho
certeza absoluta. Podem comprovar!
(Texto do Jornal Zero Hora, de agosto de 2016)
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora
O desafio da empatia
O grande, o
imenso, o tremendo, o desastroso mal do século, na minha opinião, é a falta de
empatia. Para quem não sabe: empatia, substantivo feminino; habilidade de
imaginar-se no lugar de outra pessoa; compreensão dos sentimentos, desejos,
ideias e ações de outro. Só isso já é mais do que suficiente pra eu dizer que a
empatia, pra mim, é muito mais do que um substantivo, é puro adjetivo!
Empatia é a
capacidade, quase extinta, do ser humano colocar-se no lugar do outro e parar
antes de render-se ao impulso de falar ou de fazer algo que machuque, magoe ou
coloque deliberadamente o outro em uma posição dolorosa ou humilhante.
É a falta
de empatia que impede que o motorista do carro dê lugar ao outro que está dando
pisca. É a falta de empatia que permite que o colega mais forte pegue o lanche
do mais fraco. É a falta de empatia que sustenta o conselho “se ele te bateu,
bate de volta”. É a falta de empatia que concede a possibilidade de alguém dar
um “furo” na fila, seja do cinema ou do caixa, para amigos, sem pensar no
restante que está atrás. É a falta de empatia que consente que um cargo seja
ocupado pelo mais amigo ao invés do mais competente. É a falta de empatia que
consente que se xingue o professor pela frustração em relação aos filhos. É a falta de empatia que provoca muitos dos
roubos, dos sequestros, dos assassinatos.
Ter empatia
é difícil. Ainda mais em um mundo que nos exige produtividade e excelência full time. Ter empatia dá trabalho. Faz
com que saiamos da confortável posição de exclusividade e enxerguemos o outro.
Aliás, mais do que ver o outro, exige que nos coloquemos em seu lugar. Que abandonemos
o “egocentrismo infantil de estimação” e olhemos em torno. E olhar em torno
causa vertigem. Olhar em torno provoca medo e angústia. Olhar em torno faz com
que percebamos que há menos e que há mais do que nós. Olhar em torno faz com
que percebamos que há. Há muito. Há muitos.
Mas ter
empatia é aprendizado! Ninguém nasce empático. Nos tornamos – ou não. Empatia
se ensina, se exercita, se treina. E é imensamente mais fácil quando se é
criança. E é ainda mais fácil, quando se é pai ou mãe. Mas ser empático com os
próprios filhos, não é mérito algum. Se os filhos nada mais são do que extensão
de nós mesmos, estaremos apenas nos cuidando e nos beneficiando.
De seres
humanos narcisistas, conectados a tudo e desconectados do outro, já temos um
grande contingente. O que precisamos agora é de altruísmo. E quando nos
tornamos pais, ganhamos a oportunidade de aprendermos a ser empáticos – se
ainda não somos. E a oportunidade de criarmos crianças empáticas – um
verdadeiro presente para o mundo! Aproveitemos essa vantagem!
(Texto de julho de 2016, do Jornal Zero Hora)
Lisandra
Pioner
Mundo melhor para os filhos ou filhos melhores para o mundo?
Tenho
sentido medo do futuro. Sinceramente tenho sentido muito medo... não medo de
morrer ou de ficar doente. Meu medo é de permanecer lúcida tempo suficiente
para ver o que será do planeta daqui a vinte ou trinta anos. Falo do clima, do
excesso de lixo, da miséria, do desemprego, da desonestidade. Mas me refiro
principalmente às relações. Já pensou no que será das relações interpessoais
daqui a um tempo?
Hoje
em dia a tolerância é quase zero. As pessoas se estressam por muito pouco, a
condescendência virou artigo de museu, a gentileza caiu em desuso.
Podemos
pensar que daqui a décadas estaremos velhinhos e talvez, com a sabedoria que só
o tempo traz, tudo isso irá mudar. Mas já pensou que a geração que vai ser
adulta nessa mesma época será composta pelas crianças de hoje? E que nós somos
seus exemplos?
Me
preocupo com crianças que têm como referência adultos que param em fila dupla,
passam sinal vermelho, não param na faixa de pedestre, jogam lixo pela janela
do carro, não separam o lixo, dão presentes no lugar de presença, humilham o
garçom, estacionam na vaga de cadeirante, xingam o porteiro, fazem intriga pelo
Whatsapp, espalham mentiras, tentam derrubar o adversário ao invés de tentar
superá-lo, fazem pouco caso do esforço dos outros, não compartilham, inventam
desculpas para suas falhas e para as falhas de seus filhos, não ajudam quem
precisa, são estúpidos com os humildes, desencorajam os ousados, trapaceiam,
falam mal pelas costas, exigem dos outros o que não fazem, debocham, ludibriam,
são desleais, arrogantes e impulsivos.
Se
hoje já percebemos a liquidez das relações, imagine daqui mais um tempo. Quem é
que terá paciência para conviver? Para deixar seu egocentrismo em segundo plano
e abdicar de sua soberania?
Nossos
filhos são filhos e filhas da era do “Vou te processar”, do “Tô pagando pra
isso”, do “Se não fizer como eu quero, vou procurar outro lugar”. Não serão
eles, com comportamentos assim cristalizados na memória, que modificarão alguma
coisa. É preciso começar agora, começar por nós mesmos.
Antes
de pensarmos em um mundo melhor para os nossos filhos, será que não é hora de pensarmos
em filhos melhores para o nosso mundo?
(Texto publicado em Junho de 2016, no Jornal Zero Hora)
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora
A possibilidade dos pais...
Criamos uma família, organizamos
espaços para abrigá-la, passamos por situações agradáveis, por outras
complicadas, ou então, simplesmente não idealizamos essa família e ela acontece
e nos surpreende!
Então eles chegam de mansinho...
aqueles seres minúsculos que abrigamos durante meses dentro da nossa barriga.
Tirados de seu primeiro abrigo, já demonstram independência. Se não nas
vontades, nas necessidades. Logo estão exibindo que possuem mais do que urgências
fisiológicas como fome, sede e dor; possuem sim, vontades individuais e únicas.
Possuem seus próprios desejos.
Quando pequenos contornamos a fissura
por doces, o sonho por cada brinquedo novo que a televisão mostra ou o
amiguinho ostenta, a falta de vontade de escovar os dentes a cada refeição ou
de lavar as mãos antes delas. Mas de repente somos surpreendidos por novos
anseios – tão grandes quanto sua própria altura ou idade. Eles já estão
adolescendo – o florescer do ser humano.
Amigos que insistimos que não são boas
companhias, festas que teimamos em tentar proibir, roupas que olhamos com
desdém, celulares que rezamos para que sejam atendidos ao primeiro toque...
Quando nos tornamos pais ou mães, se antes sem fé, passamos a acreditar em algo,
nem que seja só para pedir proteção a eles.
O que fazer quando eles crescem? O
que fazer com aquele pedaço da gente que criou personalidade e volta e meia nos
afronta?
Chega um momento que não interessa o
quanto somos parceiros, carinhosos, bons ouvintes, animados, modernos,
corujas... eles vão preferir os amigos!
Chega uma fase em que não importa
quantos conselhos, quantos pedidos, quantas conversas tivemos... eles irão
tomar suas próprias decisões (e elas muitas vezes não serão as melhores –
Aliás, alguém conhece um outro jeito de aprender a tomar decisões certas sem
ser tomando várias erradas antes?).
Esse é o futuro de todos os pais e
mães: em algum momento, sentirem-se órfãos de seus próprios filhos! Faz parte
do amadurecimento deles enquanto cidadãos do mundo! Faz parte do nosso,
enquanto genitores e cuidadores.
Por mais cansativa e batida que seja
essa afirmação, devemos repeti-la a nós mesmos todos os dias: Nossos filhos não
nos pertencem! Eles criarão asas e voarão, tecendo seus próprios destinos através
de suas escolhas (independente de serem boas ou não; independentes de
concordarmos ou não; independentes de estarmos perto ou não). Ser mãe e pai é
também nos despirmos um pouco da nossa mania de soberania, de propriedade, de
superioridade.
Quem pensa que ser mãe ou pai é ser
instrutor, não sabe de nada. Na maioria das vezes é ser instruído, ser
desacomodado em suas certezas, ser instigado a mudar convicções.
Nossa possibilidade vai até ali, ali
onde começa a liberdade de escolha que demos a eles ou os privamos. Por isso a
necessidade de ensinar a selecionar, a discernir, a classificar. Dá trabalho,
mas vale a pena.
E independente da fé, rezemos sempre!
Nessas horas, de uma ajudinha celestial
não se abre mão.
(Texto publicado no Jornal Zero Hora em maio de 2016)
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora
Wednesday, April 13, 2016
Errar faz parte do processo de aprendizagem
Muitas famílias me procuram para
questionar algumas dificuldades de seus filhos. Uma dessas dificuldades são os
erros ao executarem alguma tarefa – principalmente as de Língua Portuguesa. São
erros de ortografia, erros de concordância, erros de interpretação.
A primeira coisa que costumo dizer é
que antes de nos apavorarmos com o dito cujo, é necessário observarmos a
natureza desse erro. É um erro recorrente ou ele está sendo observado só
recentemente? É um erro estático ou a criança às vezes acerta e depois volta a
errar? É um erro que acontece quando a criança está na aula ou ocorre em
qualquer momento?
A natureza do erro é muito
importante para que se consiga traçar uma estratégia eficaz. Se o erro se
alterna com acerto, a criança pode estar testando hipóteses. Se ele acontece
sempre, ela pode não ter compreendido o conteúdo. Se ocorre mais na sala de
aula, pode ser distração – já que a quantidade de fatores interferindo é muito
maior do que em casa.
Além disso, professores e estudantes
muitas vezes questionam a respeito da correção. Não em relação a corrigir ou
não, pois penso que essa dúvida já está sanada, tendo em vista que há alguns
anos se insiste na importância de corrigir o que não está certo. Porém, o modo
como se dá essa correção é que irá interferir no processo de compreensão da
criança. Portanto, esqueça o “corrigir pela criança”. Professor que corrige –
sozinho – os erros dos seus alunos está impedindo que haja reflexão sobre ele.
Corrigir caderno é um exemplo típico de equívoco
cometido por inúmeros profissionais que muitas vezes estão em sala de aula há
décadas! Apontar erros na correção do caderno, verificar a natureza da maioria
dos erros cometidos, perceber se a criança faz as correções que deveria – quando
solicitado –, observar caligrafia, ortografia e noção de espaço e concluir com
um bilhete, é o mais adequado e útil a se fazer. Aliás, o caderno é o retrato
do processo de aprendizagem do estudante, portanto, precisa de uma intervenção sutil.
No início da idade escolar os erros precisam,
obviamente, ser apontados e corrigidos individualmente, mas conforme a criança
vai crescendo e amadurecendo, conquista a possibilidade de, junto com o
professor e seus colegas, pensar a respeito do erro que cometeu e corrigi-lo.
Só assim terá a grande chance de não voltar a cometê-lo.
Em suma, a atitude dos adultos diante dos erros
da criança deve ser sempre a de transformá-lo em uma situação de aprendizagem.
E errar faz parte desse processo. Aliás, não há outra forma dele acontecer.
Lisandra Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora
Monday, March 14, 2016
Família e tecnologia
Na minha infância, as crianças
brincavam, brigavam, falavam umas das outras, faziam reclamações para os
adultos e antes que o turno da aula acabasse, já estavam todas se falando
novamente.
Naqueles
tempos o professor, embora já fosse desvalorizado economicamente, era
respeitado – sinônimo de uma valorização profissional. Às vezes, era até visto
como uma autoridade quase inatingível – o que discordo totalmente, já que é a
proximidade e o afeto que unem aluno e professor, e facilitam a aprendizagem.
Na época, a grande maioria das famílias
se ocupava efetivamente com a educação das crianças – a parte das “palavrinhas
mágicas”, do não debochar dos outros, do saber esperar a sua vez e por aí vai,
fazia parte daquela fatia que cabia aos pais ensinar.
Na minha infância também não existia
muita tecnologia. Celular era um sonho distante – assim como carros que voam,
hoje em dia. Então tudo o que “facilita” a vida da gente, e que fazemos graças
a ele – o celular – não existia também. Redes sociais e whatsapp não faziam
sequer parte dos nossos sonhos – nossa imaginação não ia tão longe assim! E os
pais, quando se encontravam, falavam de coisas importantes, pois o tempo era
escasso e deveria ser bem aproveitado.
Hoje as coisas mudaram muito... existe muito recurso tecnológico e pouca
mente saudável para usá-lo. As tecnologias hoje unem famílias, agregam pessoas,
incendeiam relações, maculam imagens. As pessoas encontraram formas de trocar
informações, compartilhar angústias, comentar impressões e de estarem mais
perto umas das outras – ou afastarem-se definitivamente! É através desses
mesmos recursos que famílias se “conhecem”, se ajudam, se respaldam, se apoiam,
e muitas vezes, se inflamam.
O imediatismo da atualidade não nos
permite reflexão. Vomita-se percepções e exige-se posicionamento instantâneo.
Não é à toa que vivemos uma época de relações tão voláteis – desde os
casamentos até as confrarias de mães ou vizinhas.
Tenho
observado, com o passar dos anos, como mãe e como profissional da educação, que
tecnologia é uma arma letal, quando mal utilizada. Aliás, como tudo na vida, ela
pode beneficiar ou prejudicar: quem está no comando é o ser humano – e é aí que
mora o perigo!
Lisandra
Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista da ZH
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