Monday, June 22, 2015

Leitura e Compreensão


A leitura de algum portador de texto (livro, revista, jornal…) compreendendo com clareza o seu conteúdo nem sempre é uma tarefa fácil e depende muito da prática do leitor. É preciso adquirir o hábito da leitura e por isso a importância de que se conquiste o prazer de ler. E esse prazer muitas vezes é conquistado através da leitura de temas que não têm ligação direta com conteúdos escolares. A partir do costume de se ler, surge mais facilmente a compreensão do que se está lendo, independente do teor do texto.
Observe algumas dicas para tornar sua leitura mais produtiva:
ü  Antes de qualquer coisa, atente para os destaques apontados pelo autor do texto (título, subtítulos, quadros, ilustrações). Isso vai ajudá-lo a ter uma noção ampla do tema antes de começar uma leitura mais atenta.
ü  Destaque com caneta colorida ou marcador de texto as palavras-chave. Se preferir, escreva ao lado de cada parágrafo a ideia principal. Isso facilita a compreensão e o trabalho na hora de rever o assunto.
ü  Durante a leitura, relacione e compare as novas informações adquiridas através da leitura com o que você já conhecia sobre o tema. O autor pode estar contrariando ou acrescentando algo às informações que você já possui.

Faça anotações do capítulo, artigo ou livro lido. Pode ser diretamente  no texto, em um papel avulso ou em um caderno de estudos. Resumos ou esquemas também podem auxiliar tanto na memorização e compreensão do conteúdo, quanto no estudo dele posteriormente.
Lisandra Pioner

Thursday, June 18, 2015

Fofoca nas Organizações

Desde o final de 2014 tenho estudado um pouco de Gestão das empresas, a convite de uma amiga que trabalha com Administração. Do simples auxílio ao seu trabalho de mestrado, surgiu uma enorme curiosidade e um fascínio imenso sobre o tema. Os afetos sempre me interessaram em relação às aprendizagens, mas eles permeiam o meio empresarial com uma voracidade tremenda.
Esse vídeo interessa a todos que, de uma forma ou outra, dividem muitas horas do seu dia com "colegas de trabalho". Vale muito a pena assisti-lo!

"Do simples mexerico que não prejudica ninguém até a intriga - pesada, maldosa, que pode destruir uma carreira profissional."




Sunday, June 14, 2015

A chegada do irmãozinho


Todos os anos é a mesma coisa. Muitas crianças do meu convívio se deparam com uma novidade na família: a chegada de um novo membro! E não costuma ser um membro qualquer, não. É nada mais, nada menos que: um irmãozinho – ou irmãzinha, claro!
Os motivos são os mais diversos: foi sem querer, a mãe sempre quis um casal, o pai queria muito uma parceria pro futebol, o mais velho parecia tão sozinho, enfim... independente do porquê, a chegada de uma nova criança mexe com toda a estrutura familiar e isso não tem nada a ver com classe social ou vontade. A existência de um novo indivíduo dentro de uma estrutura, causa mudanças em todas as instâncias. As pessoas precisam se adaptar primeiro à ideia, depois esquematizam a nova rotina, criam estratégias para as diferentes situações que imaginam poder aparecer, preparam o ambiente e aos poucos, com o crescer da barriga, crescem os sentimentos. E eles são os mais diversos! Ansiedade, medo, amor, angústia, alegria... e aos poucos também, vai se criando uma expectativa de quem será esse novo ser. Quando os pais são de primeira viagem, na maioria das vezes aguardam – com impaciência – para que logo aquela fofura chegue e preencha a vida deles de mamadeiras, fraldas e sorrisos desdentados, mas quando é o segundo, muitas vezes aquele novo bebê vem com uma esperança: fazer melhor que antes! E o melhor muitas vezes significa ser menos aflito, mais paciente e seguro, relaxar mais, criticar menos. Para muitos pais, é uma nova chance.
Percebo que em diversos casos, a preparação da estrutura física é muito maior do que a emocional. Talvez a maioria das famílias não tenha percebido o quanto aquele bebê vai mexer com a criança que já está lá e que até então, por mais que diga que quer conhecer logo o mano, era filho único. Ninguém passa incólume à chegada do caçula. E muito dessa nova interação familiar se dará pela forma com que esses pais tratarão a situação. O filho mais velho muitas vezes precisa aprender a se virar de repente, pois toda a atenção que tinha deixa de ser dele! Ou o pequeno chora demais, ou é lindo demais, ou é calmo demais, ou é esfomeado demais... As visitas chegam com presentes – para o caçula, lógico – enchem a casa de brinquedos, pegam no colo, elogiam e o maior, muitas vezes está à margem de toda essa movimentação. Vendo tudo e não sendo visto.
A desculpa de que é só enquanto o irmãozinho é pequeno, às vezes dura a vida inteira. E assim, o primogênito vai tentando se adaptar e buscar a atenção perdida da forma que percebe tê-la mais rapidamente – e que nem sempre é a maneira mais adequada. Mas é a que ele dispõe.
Sei que o aumento da família não deve ser decisão de uma criança. E que muitas vezes um irmão é o maior presente que um filho pode ganhar de seus pais. Porém, muito me preocupa o quanto essa família está realmente estruturada emocionalmente para receber mais um integrante, sem que seja oneroso a alguém – principalmente se esse alguém for uma outra criança. E esse preparo vai muito além de possibilidades materiais.
Quantas vezes ouvimos “como podem dois filhos, criados pelos mesmos pais, da mesma forma, serem tão diferentes”? Simples. Além de haver uma questão pessoal de temperamento, nunca são os mesmos pais, porque a gente muda o tempo inteiro. E como se não bastasse, há uma questão de afinidade que não convém falar agora, mas que não há como ignorar. Seja pela semelhança ou exatamente pelo oposto, pais são seres humanos e têm mais conexão com um ou outro filho. Mas é o adulto que precisa regular essa manifestação, para que haja espaço para todos. Afinal, é na família que o papel de cada um se legitima.

Lisandra Pioner
Texto de 13 de junho de 2015, da coluna No divã (Zero Hora)

Sunday, June 07, 2015

A dependência tecnológica


Eu já havia iniciado este texto, quando vi uma propaganda na TV, que falava sobre um filme que mostrava crianças prisioneiras de um jogo de videogame. Ficção? Eu penso que não exatamente.
Dia desses me deparei com uma mãe angustiada com a crise emocional de seu filho desde que ela, num ímpeto maternal de fazer o bem, retirou todos os aparelhos eletrônicos dele. Segundo ela, a criança estava tendo um baixo rendimento no colégio e na ânsia de regular o foco do menino para aquilo que realmente é importante, tirou dele o que, na visão dela, iria fazê-lo repensar. E realmente o fez repensar. Mas também o fez se desesperar! E diante do desespero dele, ela também se desesperou.
Pais e mães estão percebendo o quanto a tecnologia está presente na vida deles e de suas crianças, mas entram em choque quando percebem que essa importância passou dos limites há bastante tempo. E isso geralmente ocorre quando esquecem o celular em casa e seu dia simplesmente parece um emaranhado de problemas, até que dê um jeito de resgatá-lo. Mas o problema maior surge quando observam que seus pequenos estão tanto – ou mais – subordinados à sedução desleal de aparelhos eletrônicos. Aí sim, a questão passa a ser grave.
Vejo pais e mães apavorados com a desorientação de seus filhos diante da abstinência tecnológica. As crianças parecem perder – e realmente perdem – o rumo diante da iminente “catástrofe” de não ter o que fazer para ocupar seu tempo. É a dependência tecnológica, um vício psicológico, que tem transformado crianças em subordinados da modernidade. Por isso, o filme que passou na TV não é tão fictício assim. Conta a verdadeira história que observamos diariamente: crianças prisioneiras de jogos, de grupos de whatsapp, de redes sociais...
Independente do causador da dependência, só o fato de um ser humano precisar de algo – com exceção de oxigênio, água e alimento – já mostra que há algo de errado. Gostar é uma coisa, necessitar é outra.
Quando isso acontece com crianças, mais uma vez há uma falha na educação. E acreditem, o caso dessa mãe não é uma história isolada. Cada dia mais, famílias se deparam com o fato de terem um dependente mirim em suas casas. E embora haja casos em que essa dependência já esteja instalada, há muitos outros em que é possível fazer algo antes que seja tarde.
Pra começar, a tecnologia não deve ser usada para preencher o tempo. O tempo deve ser preenchido com estudo, leitura, tarefas do colégio, esportes, auxílio nas atividades de casa (criança pode ajudar!). E então, após tudo feito e organizado, aí vem o momento de lazer, que pode ser dividido entre tecnologia e alguma atividade, de preferência ao ar livre (andar de bicicleta, skate, jogar futebol, conversar com os amigos, etc.). Mas o tempo deve ser restrito. Dá trabalho? Ahhhh dá! Dá trabalho dizer não e ouvir uma lenga-lenga interminável de “só mais 10 minutinhos”, de “prometo que só mais essa partida”, de “é muito importante, juro que já vou sair”. Isso vai fazer você se obrigar a ser mais dura. Vai exigir que saia da zona de conforto e se imponha. Vai fazer você ter que sair da frente do computador, da televisão, do livro, ou seja lá o que você esteja fazendo, e vá até ele, se certificar de que sua vontade foi acatada. A maternidade e a paternidade também são feitas disso: cansaço! Mas isso vai lhe salvar de ver aquele pequeno ser um dia sofrer da privação de algo que não foi feito para ser bengala de inseguros. A tecnologia veio para servir à humanidade e não o contrário.
Agora, se o problema já estiver na sua frente e seu filho – ou filha, pois não é “privilégio” apenas de meninos – já demonstrar sintomas de dependência de toda essa parafernália, o segredo é enfrentar o problema urgentemente e se preparar, pois a batalha é árdua e enfadonha.
Lisandra Pioner

Professora, Psicopedgoga e Colunista do jornal Zero Hora

Thursday, June 04, 2015

A matéria que causou polêmica...



Pela primeira vez, recebi alguns e-mails bem desaforados, criticando minha coluna na ZH. Defensores da "desescolarização", que segundo eles, não é o mesmo que educação domiciliar, (embora não saibam explicar o que se trata) ficaram bem chateados com o meu texto. Lá vai o texto:
A “desescolarização” em foco

Quando uma palavra recebe o prefixo “des” logo me vem à cabeça deixar algo, perder, retroceder. Em relação à palavra “desescolarização”, que tenho ouvido bastante ultimamente, não é diferente. Aliás, ouço isso com um misto de assombração e perplexidade.
A desescolarização, o ensino domiciliar ou o homeschooling (como alguns chamam, talvez porque o que seja estrangeiro é mais bem aceito) nada mais é do que a prática de dispensar a escola formal e ter o ensino desenvolvido pela família, em casa. Os adeptos dessa prática defendem que as escolas selecionam mal seus conteúdos, não respeitam as singularidades de cada criança e colocam até mesmo o bullying como um sério empecilho à ida das crianças para uma instituição de ensino.
Então fico imaginando todas as implicações (principalmente futuras) que essa decisão pode ter.
Uma família que decide deixar seu filho em casa, muitos deles alegando que lá cada indivíduo consegue criar seu próprio percurso curricular, ignora totalmente que a Educação está longe de ser apenas a transmissão de conteúdos formais. A Educação é um processo extremamente complexo e rico, que envolve interação, socialização, resolução de conflitos, saber lidar com a frustração, convivência, e uma infinidade de outras situações que somente um grupo grande e heterogêneo pode proporcionar. O sistema de ensino está em crise? Está. Não se trabalha autonomia, nem autoconfiança, nem conteúdos realmente significativos? Em muitas escolas não. Mas temos a possibilidade de buscar a que se encaixa melhor em nossas necessidades. E eu garanto que há escolas boas.
Além disso, quantos afetos envolvem uma família, quantas transferências acontecerão diante dessa nova modalidade de escolarização?
E por último e não menos importante (aliás, pelo contrário!), saber lidar com a vida real é um aprendizado que só se faz saindo a campo. A vida real exige estágio e não teoria. E o estágio é o período escolar. É lá que aprendemos a lidar com o outro (que na minha opinião, muitas vezes é o que de mais difícil há). Em algum momento a realidade vai bater na porta dessas crianças também, mesmo que já sejam adultos. E o que pensam que vai acontecer? Que por serem adultos as emoções estarão trabalhadas como que num passe de mágicas? Emoção se trabalha na prática. Não há outro jeito.
Temo pelo futuro. Em um mundo onde o egocentrismo, o egoísmo e individualismo  imperam, colocar crianças em redomas não me parece a decisão mais inteligente.

Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora