Estava
vendo uma reportagem essa semana sobre a chacina ocorrida no litoral gaúcho. Às
tristes imagens de mães sofrendo pela desordem natural das coisas, somaram-se
inúmeras outras cenas em minha cabeça.
Cenas de famílias preocupadas com o desaparecimento dos filhos, pais levando
suas não mais crianças a clínicas de reabilitação, mães desesperadas fazendo
reconhecimento de corpos por causa de trágicos acidentes após fenomenais
bebedeiras… Mas nem há necessidade de citar catástrofes. Posso lembrar também,
de mães que se mostram perdidas em reuniões de escola, verbalizando o pavor de
não terem controle sobre crianças de não mais que 13 anos, ou pais preocupados
com o rumo que a educação (ou a falta dela) está acarretando na postura dos
filhos. São crianças imediatistas, egocêntricas, ansiosas, desatentas, imaturas
(ou excessivamente “maduras”, parecendo mais com adolescentes), que não sabem
se colocar no lugar do outro, que enfrentam, que não respeitam, que não aceitam
limites…
A estrutura
da família pós-moderna mudou e não é de hoje que os pais estão mais ausentes da
vida de suas crianças. Mas especialmente hoje em dia, mais do que nunca, a educação
encontra-se terceirizada. Os pais, em muitos casos, participam como meros
coadjuvantes do que é mais essencial para o futuro de seus filhos, que é o
aperfeiçoamento da índole. Isso quando não são apenas espectadores!
Nós
adultos, pouco tempo temos para dar conta de tudo aquilo de que somos
incumbidos. A sociedade nos exige muito e como marionetes vamos fazendo tudo
aquilo que alguém, em algum momento, resolveu decidir que nos competia.
Exatamente assim… sem questionar, no piloto automático vamos fazendo o que
dizem que devemos fazer. E somado a isso, vamos criando necessidades que não
tínhamos, originando situações que temos visto por todos os lugares, seja nos
grandes centros ou nas mais precárias periferias.
Nos
deparamos o tempo todo com famílias cuja situação financeira é ótima, mas estão
dilaceradas emocionalmente. Ou famílias em situação econômica crítica, que tantas
vezes (talvez exatamente por isso), também encontram-se despedaçadas.
De uma
coisa eu tenho certeza: se não cuidarmos dos nossos filhos, alguém dará um
jeito de fazer isso por nós. Às vezes é a escola, em outras são os avós, algumas
o vizinho prestativo… mas não podemos esquecer de que em grande grande parte
das vezes será o traficante, o alcoolista que “mora” no bar do bairro, o grupo
de amigos que vira as noites em festas, a família com valores completamente
arbitrários…
A vida é
exatamente isso: um eterno refletir, questionar-se e adaptar-se. Tens filho?
Então cuide dele. Não delegue essa tarefa a outra pessoa, muito menos a quem
não confia.
A criação
de uma criança exige tempo, abdicação, resignação, muitas vezes exige até
sacrifícios. Mas poder estar perto, vivenciando cada novidade, compartilhando cada
nova descoberta e um dia ter a oportunidade de se deslumbrar com uma resposta
admiravelmente bem colocada daquele pequeno ser que demos à luz, é um prazer inenarrável,
que não há satisfação pessoal ou profissional que supere! Acredite!

