O polêmico resultado
das redações do ENEM
Diante de tantos assuntos que dariam “pano pra manga” ou, no
meu caso, objeto pra muita discussão – desrespeito aos limites de velocidade;
políticos que aumentam seus próprios salários e depois voltam atrás; a falta de
liberdade de expressão, mais conhecida como “censura”; mortes prematuras;
fanatismos; pena de morte... – escolhi o resultado caótico das redações do ENEM.
Não que esse seja o assunto mais relevante, ou que os outros nada tenham a ver
com educação, mas a questão da escrita é um dos grandes exemplos do quanto é
preciso um olhar especial para essa área, tanto dos governos, quanto das
escolas, das famílias e das próprias crianças e jovens.
Ler e escrever fazem parte da rotina da grande maioria da
população e muito tem se falado no quanto fazemos mais isso atualmente do que
há algum tempo atrás. Porém, o ponto que deve ser analisado é: com que
qualidade esses dois atos têm sido produzidos. Ler superficialmente qualquer
coisa e escrever mal (ortograficamente errado, sem concordância,
insuficientemente ou desnecessariamente) de maneira contínua, fixam um determinado
movimento neuronal e o transformam em comportamento padrão. E aí está
estabelecido algo difícil de ser modificado.
A leitura e a escrita além de hábitos, são ações que
culturalmente devem ser tratadas como de uma importância singular dentro de uma
esfera social. Não precisamos ir muito longe para conferirmos histórias
verídicas de pessoas que tiveram as suas vidas transformadas por elas. Mas se a
maioria de nós, adultos, precisamos de dados concisos e precisos, podemos falar
em números. Existe um estudo americano da National Children's Reading Foundation, que diz que cada ano que uma criança, entre 0 a 5 anos,
passa ouvindo histórias e tendo um contato estreito com a leitura, equivale a
mais ou menos 50 mil dólares a mais em sua renda, quando adulto.
Ler
estimula a criatividade, desenvolve o senso crítico, amplia o conhecimento
geral, desenvolve um repertório muito mais vasto de palavras e ideias, aumenta
o vocabulário, auxilia no domínio da escrita ortográfica, além de seduzir,
emocionar e encantar.
O
incentivo à leitura, quando vinda de casa, é visivelmente mais eficiente na
conquista da criança. E a escola precisa ter a dupla “leitura e escrita” como
ponto de partida e de chegada, em todas as áreas do conhecimento.
Nenhuma
desculpa é considerável para que esses atos sejam relegados à segundo plano.
Por isso, vamos aproveitar que estamos no início de um novo ano, onde nossos
anseios, desejos e planos ainda estão fresquinhos em nossa memória e nosso
coração, e vamos melhorar ou implantar esse novo hábito: ler e incentivar a
leitura aos nossos pequenos!
Não
queremos que eles tenham um futuro tranquilo e bem sucedido? Então vamos investir
nessa poupança que rende muito mais que qualquer investimento financeiro: o
hábito de ter a leitura como companhia constante em qualquer fase da vida.
Lisandra Pioner
Pofessora, Psicopedagoga e Colunista da ZH

