Sunday, August 26, 2012

Limite e segurança


Muitos pais pensam que adotar uma postura firme com os filhos, principalmente quando bem pequenos, pode traumatizar a criança. Porém, estudos comprovam que é exatamente o contrário. O estabelecimento claro, objetivo e firme de limites dá segurança e faz com que a criança sinta-se mais amada.

Os bebês, por exemplo, estão experimentando o mundo e é realmente delicado saber até onde permitir-lhes ir. Escoltar a criança o tempo inteiro, não lhe dará autonomia alguma, fazendo com que ela perca, aos poucos, a curiosidade. Mas negligenciar o cuidado também não é a solução.

O que se recomenda, por mais difícil e cansativo que possa ser, é sinalizar a elas, o tempo todo, o que podem e o que não podem fazer. Somente assim as crianças perceberão até onde podem ir. Os comportamentos aceitáveis e inaceitáveis precisam estar claros e bem compreendidos, para que possam interagir com o meio de forma rica e tranquila.

Nos primeiros meses após o nascimento da criança, é essencial que se estabeleça um padrão saudável de interação. Mães ansiosas, que vão a cada cinco minutos no berço ver se o bebê está respirando, só ilustra uma cuidadora que antecipa a necessidade do filho e isso significa impedi-lo de querer algo, seja alimentar-se, trocar fralda ou apenas um colo. Antecipar a necessidade e suprir todas as vontades significa afastar o desejo da criança e é esse desejo que impulsiona a busca. A busca pelo seio da mãe hoje, pelas respostas dos exercícios na fase escolar, pelo emprego dos sonhos na idade adulta...

Claro que fazer um bebê seguir regras do tipo “só vai ganhar mamadeira daqui dez minutos, pois só então completa-se três horas da última mamada”, não ajuda nenhum pouco. Como tudo na vida, o equilíbrio e o bom senso precisam tomar à frente e gerenciar a relação. A presença do afeto materno, unido ao espaço dado por essa mãe presente, mas não sufocante, é a chave de todo o sucesso da interação mãe e filho – não apenas nos primeiros meses de vida.

O incentivo é outra importante ação que faz um efeito extraordinário na educação. O uso da psicologia positiva, só vem a acrescentar. Qualquer prática independente e correta feita pela criança deve ser valorizada e as que coloquem-na em risco ou que não sejam admitidas pelos pais, precisam ser tratadas com muita paciência, porém com firmeza. Regras não podem mudar conforme o humor dos cuidadores. Se ainda assim a criança questionar e contestar as combinações e imposições, sempre é válido mostrar que os pais é que são os adultos e desta forma, responsáveis pelo cuidado, portanto, sabem o que é melhor para ela. Desta forma, certamente seus filhos crescerão emocionalmente saudáveis e isso garante um futuro tranquilo e feliz para qualquer pai ou mãe.

Lisandra Pioner

Pedagoga e psicopedagoga

Monday, August 06, 2012

Limite


Tão difícil falar em estabelecer limites em um tempo onde mais do que nunca “o céu é o limite”! Como introduzir uma fronteira entre o que é aceitável e o que é inadmissível em um mundo onde pais trabalham incansavelmente, onde crianças passam muito mais tempo na escola do que com a família, onde podemos nos comunicar com quer que seja e onde quer que esteja, onde quem só pensa em si muitas vezes é eleito para cargos públicos, onde os jovens admiram quem beija o maior número de bocas na balada?

Estabelecer limites é uma construção e como o próprio nome pressupõe, é uma ação complexa, uma obra em equipe, uma atividade que exige diálogo, confiança, sentido e segurança.

Limite é um marco, um ponto do qual a aproximação é perigosa e exige consciência e maturidade. Ultrapassá-lo é, muitas vezes, definitivo. Pode inclusive, vir a decidir o futuro de uma relação. Limites são estabelecidos o tempo inteiro, em toda e qualquer interação humana: colegas, namorados, vizinhos... Seja uma relação linear ou hierárquica, sempre há limites que não devem ser ultrapassados.

Entre pais e filhos não é diferente! E cada vez se faz mais necessário esse estabelecimento claro, objetivo e sem subterfúgios. É na família que o respeito pelo limite do outro começa. Limite de hora, de deveres, de direitos, entre tantos outros. E é importante salientar que isso vale tanto para filhos, quanto para pais. O hábito de fazer valer as regras apenas para as crianças e os adolescentes, só ajuda na criação de seres humanos que tiram vantagem dos que consideram mais “fracos”.

Dialogar, mostrar a importância de se considerar o espaço – físico ou subjetivo – do outro e criar o hábito de respeitá-lo é essencial para quem pretende ser participante ativo na formação de uma sociedade mais evoluída e feliz.

Lisandra Pioner

Professora e Psicopedagoga clínica

Dica de filmes