Tuesday, September 22, 2015

Limusines, champagne e infância



Você pode estar pensando no que essas palavras do título têm em comum... Pois saibam que TUDO!
Dia desses ouvi o diálogo de duas mães a respeito do “rompante criativo” da filhinha de uma delas, que no seu aniversário de 8 anos, havia decidido comemorar em uma luxuosa limusine. A mãe da menina disse que inicialmente havia ficado um pouco receosa sobre a receptividade das outras mães, já que teriam que deixar suas pequenas andarem por aí sozinhas, em meio ao trânsito, porém, para sua surpresa, todas  incentivaram a escolha.
Então vamos às críticas de quem costuma ter opinião para (quase) tudo e de quem trabalha com, e estuda a infância há muito tempo.
Em primeiro lugar, de onde elas tiraram que há “criatividade” nessa escolha? Será que não sabem que está havendo um “surto modístico” (licença poética, por favor) que está enchendo o bolso das empresas que alugam carros desse tipo?! A mesma moda que nos anos 2000 mandava todos cantar “Parabéns a você” no Mc Donald’s e que há pouco tempo atrás lotava as casas de festas ao final da tarde e que depois passou a ser almoço... essa mesma febre agora passou a ser “automobilística ostentativa” (licença poética novamente!).
Limusine é o último grito (AAAAAAAAAhhhhhhh) em relação a festas infantis. Saiu diretamente dos filmes de Hollywood para a rotina de gente normal, como você e eu (eu, nem tanto assim...), fazendo apenas uma ou outra escala em programas de auditório que mudavam o visual e a casa de algum telespectador – e esse era recepcionado por um chofer devidamente paramentado e sua caranga.
Num aniversário, o momento apoteótico é a chegada da limusine! Ela precisa ser em algum lugar lotado, que é pra causar impacto - e inveja. Logo depois vem o alvoroço de entrar, se acomodar e apertar todos os botões possíveis. Mais tarde vem o passeio lento - quase um desfile - onde as crianças tomam alguma bebida colorida em taças de champagne – que é pra se sentirem mais adultas e poderosas! Se não estiver chovendo, o auge é a aniversariante convidar uma ou duas amigas especiais – causando fofoca e discórdia entre as preteridas – para que juntas, enfiem parte do corpo pelo teto solar e mostrem aos reles mortais que nessa vida há quem veio a passeio e pra brilhar... embora não seja o caso de todos.
Certo... tirando a ironia que fui obrigada a descarregar nessas mal traçadas linhas acima, isso realmente me preocupa. Me preocupa perceber a adultização, a precocidade, a vaidade, o exibicionismo, a ostentação.
Estamos vivendo em um mundo onde crianças se transvestem de adultos e adultos se disfarçam de eternos adolescentes. O que está havendo? Onde está o discernimento? Onde está a reflexão? Ninguém se questiona sobre o que acontece no entorno? Estão todos simplesmente seguindo a massa?
Me perdoem as famílias que acham diferente, divertido, chique; mas fazer um aniversário onde crianças brincam de ser adultos – escancarando a parte mais superficial que lhes cabe – passa uma mensagem – como tudo aquilo que fazemos! E a mensagem é a de que futilidade merece prestígio.
Se essa é realmente a mensagem, ótimo! Estão no caminho certo. Mas não é esse o mundo que eu pretendo habitar daqui a alguns anos.
Tudo tem seu tempo – e isso não é frase de livro de autoajuda. As fases precisam ser respeitadas, pois a cada uma cabe determinada parte da maturação – orgânica e emocional. E mais! Incentivar que crianças ajam como crianças, é parte do papel de cuidadores que se preocupam realmente com o futuro de suas crianças.
E pra quem pensa “Ahhhh... mas é só uma festinha...”; nesse caso é somente uma festinha, ontem foi só mais um celular de última geração, anteontem foi só a maquiagem para o aniversário de 7 anos, toda a semana é só a unha da caçula de 5 aninhos feita na manicure, semana que vem é só o silicone pra mais velha de 14 anos, que tem a autoestima muito baixa porque não tem peitão, lógico! E assim a gente vai indo...
E antes de se indignar comigo, pense: “Ahhhh, mas é só uma crônica...”!

Lisandra Pioner

Professora, Psicopedagoga e Colunista da ZH

Thursday, July 23, 2015

Aula particular ou atendimento psicopedagógico?


Aula particular e atendimento psicopedagógico são coisas distintas. Aula particular é uma espécie de reforço dos conteúdos escolares e resgate de conteúdos ainda não bem assimilados ou compreendidos. Geralmente dura 1 hora e é realizado na quantidade de vezes que família e professora considerarem necessária, sendo que muitas vezes há um “intensivo” em época de avaliações. Já o atendimento psicopedagógico é realizado, na maioria das vezes, de 1 a 2 vezes por semana, e não tem a intenção de revisão de conteúdos ou execução de tarefas escolares. Cada sessão costuma durar 45 minutos e a intenção primordial do tratamento é auxiliar a criança que possui algum entrave na aprendizagem, a descobrir-se, valorizar-se e encontrar estratégias que o auxiliem em sua dificuldade.
Essa busca de estratégias não é através de aula, de explicações de conteúdos ou de treino. É através de um trabalho minucioso e muitas vezes demorado, onde o profissional e o paciente precisam desenvolver um vínculo e depois, através de jogos, conversas e brincadeiras, perceber quais as fragilidades, os pontos fortes e as possibilidades de trabalho. Em muitos casos, só esse movimento de atenção à criança já faz com que seu funcionamento modifique e até progrida na escola – local em que a dificuldade apareceu. Existem casos diferentes, que não são problemas, mas transtornos ou dificuldades de aprendizagem e que exigem estratégias específicas para um tratamento eficaz. Tudo depende de avaliação e tratamento com um profissional capacitado e competente.
O papel do professor particular é bem mais específico e dinâmico no que diz respeito a conteúdo, organização e estudo. Se a criança não tem dificuldade ou problema algum de aprendizagem, apenas precisa de um auxílio em disciplinas ou conteúdos restritos, o caso pode ser de aula particular. Mas é importantíssimo salientar uma coisa: em 99% das vezes, não adianta contratar um professor para dar aula apenas dias antes das avaliações. A criança começa a tirar notas baixas e não compreender algo, após acumular questões não compreendidas. Então aula particular como “pronto-socorro”, só serve para alunos com pouquíssimas dúvidas, que precisam rever detalhes – o que é uma raridade!
Alguns pais pensam que economizam ao fazerem 1 aula por semana ou parando sempre que há uma “folga” de provas. E infelizmente, na maioria das vezes, a criança não consegue atingir os objetivos, pois 1 hora pra estudar meses de déficit de compreensão é quase nada! E depois de compreender, precisa treinar, estudar, verificar se realmente aprendeu. Isso não se faz em 1 hora. Mas se não há outro jeito, lógico que 1 hora com um bom professor é melhor que nada. Mas aí a família precisa acompanhar e exigir que essa criança estude em casa.
Nem professor particular, nem psicopedagogos fazem milagres.
Lisandra Pioner

Professora e Psicopedagoga

Tuesday, July 21, 2015

A frieza do mundo adulto...


Sim. Eu sempre fui defensora – e continuo sendo – da legitimidade da dor infantil. Sei que as crianças podem sofrer tanto – ou mais – que um adulto... o que muitas vezes muda, é o motivo dessa dor. Mas convenhamos, ficar medindo dor é uma coisa um tanto quanto desnecessária, pra não dizer idiota. Então vamos ao que interessa! O que quero dizer com isso é que, embora eu saiba – e lembre bem – que a infância não é o período colorido e doce que 90% dos adultos pintam, tenho me visto cada vez mais desacreditada nesse mundo adulto em que vivo...
Cresci, me sustento, trabalho no que amo, tenho total liberdade – e arco com todo o significado dessa palavra – vivo do jeito que consigo, tentando me enquadrar no que esperam de mim – sem me enquadrar tanto a ponto de me descaracterizar, porque é exatamente aí que reside a minha maior característica: não concordar com o que não concordo – mas aí me pego, querendo ou não, vivendo conforme uma adulta. Aceitando o que não está certo. Fazendo o que não concordo. Agindo como não gostaria.
Costumo dizer às crianças, que todas as fases são boas. Que embora a infância seja muito legal, crescer faz parte da viagem e já que somos obrigados a isso, temos que fazê-lo da melhor forma – como tudo, aliás. Em primeiríssimo lugar, digo que não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem conosco – e que por mais clichê e boba, essa deveria ser a máxima de todas as máximas. Digo que precisamos ser éticos. Que não interessa se agiram certo conosco, o que importa é fazermos o certo – independente de qualquer coisa. Que devemos ter valores firmes, nas sem perdermos a flexibilidade. Digo que fofoca é a pior coisa que o ser humano inventou. E que quem fala de alguém pra gente, fala da gente pra alguém. Digo que devemos confiar em poucos, mas sem exigir demais deles, pois o maior erro está na expectativa que criamos em relação às pessoas. Digo que devemos nos preservar, mas devemos ter opinião sempre. Tento explicar que mesmo que ter bens materiais seja bom, diante da grandiosidade do Universo, isso é muito pequeno e que as minhas maiores conquistas, sem dúvida alguma, não podem ser medidas em moeda alguma, porque foram sentidas. Digo que nem tudo que a gente pensa deve ser dito. Que antes de apontar o dedo e falar dos defeitos dos outros, devemos ver que aí já está o nosso grande defeito: apontar o defeito alheio. Que sem esforço ninguém chega a lugar nenhum, a não ser que tenha uma família abastada ou seja um grande “puxa-saco”, mas que daí a vitória não tem o mesmo sabor. Que todo mundo espera reconhecimento e que isso muitas vezes está num elogio, num bilhetinho, num abraço... Digo sempre, sempre, sempre que valorizo muito mais a dedicação e a força de vontade que a inteligência inata e desleixada – definitivamente não faço parte dos que acham isso charmoso. E digo que seria tão bom se eles nunca perdessem a leveza e a alegria da infância...
É isso que mais sinto falta do lado de cá – o lado dos adultos... falta de menos dedos apontados. De mais honestidade e sorriso sincero. Sinto falta da quase inexistência de inveja – ou pelo menos a inveja que não agride. Sinto falta de ser menos lesada por um sistema opressor e individualista, que coloca à prova diariamente o que tento passar às minhas crianças.
Me sinto infeliz quando vejo o que pago de imposto. Me sinto decepcionada quando vejo gente que convive e que tenta difamar, ofender e magoar o outro – porque eu estou bem longe de ser simpática, mas estou bem mais longe de ser má. Me sinto triste quando percebo que tem gente que trabalha tanto e conquista tudo com uma dificuldade dolorida e que perde tudo de repente – seja por um rompante da natureza ou por um esquema corrupto. Me sinto desacreditada quando vejo políticos roubarem da saúde (principalmente)... como alguém pode dormir, viajar pelo mundo, comer em bons restaurantes, sabendo que tem gente morrendo por sua culpa, agonizando de dor em um corredor de hospital mal conservado? Eu não entendo essas coisas... Eu não compreendo a lógica adulta... e se compreender coisas desse tipo me fizer ser conivente, não quero entender nunca.
E penso mais sobre isso... a gente reclama dos grandes erros o tempo todo. Reclama do que fazem conosco. Reclama da impunidade, da baixaria, da falta de vergonha na cara... mas o pior é que se a gente olhar com um pouquinho mais de atenção, muitos de nós fazemos – proporcionalmente ao nosso poder – coisas tão desprezíveis quanto as que reclamamos.
Sabe aquele jeito de estacionar de forma oblíqua, num estacionamento não oblíquo? Tá errado.
Sabe aquela paradinha de 5 minutos na vaga de idoso ou deficiente? Tá errado.
Sabe aquele troco que recebemos a mais e aceitamos, afinal somos roubados pelo sistema o tempo todo? Tá errado.
Sabe aquela troca de pista repentina no trânsito sem dar pisca? Tá errado.
Sabe aquela roupa que você usou e devolveu pra loja? Tá errado.
Sabe aquele comentário maldoso da sua colega de trabalho, dizendo que a “fulana” tem regalias, e que você passou adiante? Tá errado.
Sabe aquela ofensa que você presenciou e se omitiu? Tá errado.
Sabe aquele papel que você tenta jogar no lixo e não acerta, então deixa ali jogado no chão mesmo? Tá errado.
Sabe aquele livro que você pediu emprestado e nunca devolveu? Tá errado.
Sabe aquilo que você encontrou, sabendo quem era o dono, e usou a lógica do “achado não é roubado”? Tá errado.
Sabe aquele cara comprometido que você fica de vez em quando, já que o “comprometido é ele e não você”? Tá errado.
Eu posso ser tachada de chata, de politicamente correta, de eterna insatisfeita ou eterna adolescente descontente com a realidade... mas eu acho que eu prefiro ser tachada de tudo isso, a aceitar o inaceitável.


Tenho me sentido cansada, exausta às vezes... um professor precisa acreditar na evolução, na mudança... um professor pode perder tudo, menos a fé no ser humano. Mas eu confesso que às vezes perco, desacredito, me questiono se não estou perdendo tempo, me importando com quem não se importa: a humanidade. O bom é que isso dura poucas horas – Tá. Ás vezes alguns dias. – e geralmente é quando estou longe das crianças... São elas que me humanizam, são elas o meu bálsamo da juventude – não da pele, porque essa só botox e olhe lá!, mas do coração, afinal, no final de tudo, há de ser ele o que realmente importa.
Lisandra Pioner

Friday, July 17, 2015

Só não seja chato…


Seja religioso, conformado, imprudente, crítico, saudosista, recordista, irônico, antipolítico, curioso, preguiçoso, seja o que você quiser, mas por favor, não seja chato!
Chato é aquele cara que, quando encontra algo em que acredita, precisa visceralmente fazer com que todos acreditem também. Acreditem e enalteçam. Acreditem e façam propaganda. Acreditem e queiram convencer a todos de que aquilo sim, é o melhor.
O chato costuma falar mais do que ouvir. E quando começa a falar, não para até que alguém – em um misto de bom senso e coragem – troque de assunto. Ele não entende que tudo em excesso é chato.
Falar demais é chato. Defender exageradamente uma ideia é chato. Querer ter sempre razão é chato. Falar apenas um assunto é chato. Tentar convencer todo mundo de algo é chato.
Num mundo que tenta o tempo inteiro ser tão politicamente correto – ao menos online, porque off-line a gente sabe que é outra história – a coisa mais fácil é se tornar um chato. Eu poderia elencar os chatos virtuais por assunto... então vamos lá!
O chato detox. É aquele cara que só toma suco verde de manhã, se entope de chia, só consome orgânico e olha incrédulo quando te vê pedindo algum alimento sem antes inspecionar se tem glúten ou lactose.
O chato humanizado. Esse geralmente é interpretado majestosamente pelo gênero feminino. É aquela que, depois de ver nas estatísticas a absurda quantidade de partos por cesariana que os médicos fazem, decidiu que não se precisa mais de médico, nem de hospital, nem de material esterilizado. Tudo é uma questão de voltarmos aos velhos e bons tempos em que se segurava na mão da parteira – hoje chamada de doula – abria as pernas, dava meia dúzia de urros e... BUÁÁÁ! Lá estava aquele ser gordinho, cabeludinho e saudável. A única diferença é que agora isso precisa ser registrado em dezenas de fotos, 3 horas exaustivas de filmagem e alguém pra dar um tapa no visual quando a mãezinha estiver suando muito.
O chato ostentação. É aquele que necessita mostrar tudo o que adquiriu nos últimos dias. Pra isso faz post de hora em hora, contando por onde anda, mostrando a quantidade de sacolas e claro, a marca importada no relógio de pulso, na direção da caranga e até no café que segura.
O chato racauchutagem. Mais um assunto que perambula muito mais pelo mundo feminino, mas que volta e meia aparece num cabelo acaju – de algum desavisado sobre as ciladas do tingimento aos cabelos brancos. Esse tipo de chata é aquele que a gente nunca sabe se está olhando pra uma boneca inflável – porque o cabelo é megahair, a pele é “botocada”, os dentes são quase azuis de tanto clareamento a laser, a barriga parece que foi passada a ferro e os peitos estão quase sempre estourando a blusa (sem contar que correm o sério risco de atrapalhar na hora da mastigação da pessoa, não permitindo abrir muito a boca sem bater neles) – ou só pra alguém que não aceita até hoje ter rodado no concurso pra Paquita.
O chato cultural. É aquele que quer sempre dar pitaco no programa de final de semana de todos os amigos. Praça? Só com um bom livro a tira colo. Cinema? Desde que não seja americano. Shopping? Coisa de gente vazia. Televisão? O que é televisão?
O chato maromba. Aquele! O que só posta foto na academia. Que faz o antes e depois a cada 2 semanas. Que vive munido de whey protein e flatos. Que posta todos os dias da semana algo que inicia ou encerra com o mantra “Força, foco e fé”. Aquele que não bebe nada alcoolico, que não deixa de treinar um dia, que só se alimenta de frango, batata doce, brócolis e ovo – sem a gema, que fique bem claro! – e que usa o mesmo suplemento dado aos equinos, mas finge que o corpão é produto de boa alimentação, bom treino e bom sono. Ahã.
O chato religioso. Aquele que já aprontou horrores na vida, mas que de repente, decide mudar. E mudar significa falar que “só o Senhor dá vida, auxilia, cativa, protege, ama, cumpre, tem poder”. E isso precisa estar na postagem de bom dia e na de boa noite... sendo que entre uma e outra ele continua aprontando horrores!
Óbvio que esse é apenas um texto exagerado. A gente sabe que de chato, todos temos um pouco – Tá. Alguns muito, eu sei. Escrevi de uma forma caricata, pois o cotidiano é como fofoca, se não houver exagero, não tem graça!

Bom findi!

Monday, June 22, 2015

Leitura e Compreensão


A leitura de algum portador de texto (livro, revista, jornal…) compreendendo com clareza o seu conteúdo nem sempre é uma tarefa fácil e depende muito da prática do leitor. É preciso adquirir o hábito da leitura e por isso a importância de que se conquiste o prazer de ler. E esse prazer muitas vezes é conquistado através da leitura de temas que não têm ligação direta com conteúdos escolares. A partir do costume de se ler, surge mais facilmente a compreensão do que se está lendo, independente do teor do texto.
Observe algumas dicas para tornar sua leitura mais produtiva:
ü  Antes de qualquer coisa, atente para os destaques apontados pelo autor do texto (título, subtítulos, quadros, ilustrações). Isso vai ajudá-lo a ter uma noção ampla do tema antes de começar uma leitura mais atenta.
ü  Destaque com caneta colorida ou marcador de texto as palavras-chave. Se preferir, escreva ao lado de cada parágrafo a ideia principal. Isso facilita a compreensão e o trabalho na hora de rever o assunto.
ü  Durante a leitura, relacione e compare as novas informações adquiridas através da leitura com o que você já conhecia sobre o tema. O autor pode estar contrariando ou acrescentando algo às informações que você já possui.

Faça anotações do capítulo, artigo ou livro lido. Pode ser diretamente  no texto, em um papel avulso ou em um caderno de estudos. Resumos ou esquemas também podem auxiliar tanto na memorização e compreensão do conteúdo, quanto no estudo dele posteriormente.
Lisandra Pioner

Thursday, June 18, 2015

Fofoca nas Organizações

Desde o final de 2014 tenho estudado um pouco de Gestão das empresas, a convite de uma amiga que trabalha com Administração. Do simples auxílio ao seu trabalho de mestrado, surgiu uma enorme curiosidade e um fascínio imenso sobre o tema. Os afetos sempre me interessaram em relação às aprendizagens, mas eles permeiam o meio empresarial com uma voracidade tremenda.
Esse vídeo interessa a todos que, de uma forma ou outra, dividem muitas horas do seu dia com "colegas de trabalho". Vale muito a pena assisti-lo!

"Do simples mexerico que não prejudica ninguém até a intriga - pesada, maldosa, que pode destruir uma carreira profissional."




Sunday, June 14, 2015

A chegada do irmãozinho


Todos os anos é a mesma coisa. Muitas crianças do meu convívio se deparam com uma novidade na família: a chegada de um novo membro! E não costuma ser um membro qualquer, não. É nada mais, nada menos que: um irmãozinho – ou irmãzinha, claro!
Os motivos são os mais diversos: foi sem querer, a mãe sempre quis um casal, o pai queria muito uma parceria pro futebol, o mais velho parecia tão sozinho, enfim... independente do porquê, a chegada de uma nova criança mexe com toda a estrutura familiar e isso não tem nada a ver com classe social ou vontade. A existência de um novo indivíduo dentro de uma estrutura, causa mudanças em todas as instâncias. As pessoas precisam se adaptar primeiro à ideia, depois esquematizam a nova rotina, criam estratégias para as diferentes situações que imaginam poder aparecer, preparam o ambiente e aos poucos, com o crescer da barriga, crescem os sentimentos. E eles são os mais diversos! Ansiedade, medo, amor, angústia, alegria... e aos poucos também, vai se criando uma expectativa de quem será esse novo ser. Quando os pais são de primeira viagem, na maioria das vezes aguardam – com impaciência – para que logo aquela fofura chegue e preencha a vida deles de mamadeiras, fraldas e sorrisos desdentados, mas quando é o segundo, muitas vezes aquele novo bebê vem com uma esperança: fazer melhor que antes! E o melhor muitas vezes significa ser menos aflito, mais paciente e seguro, relaxar mais, criticar menos. Para muitos pais, é uma nova chance.
Percebo que em diversos casos, a preparação da estrutura física é muito maior do que a emocional. Talvez a maioria das famílias não tenha percebido o quanto aquele bebê vai mexer com a criança que já está lá e que até então, por mais que diga que quer conhecer logo o mano, era filho único. Ninguém passa incólume à chegada do caçula. E muito dessa nova interação familiar se dará pela forma com que esses pais tratarão a situação. O filho mais velho muitas vezes precisa aprender a se virar de repente, pois toda a atenção que tinha deixa de ser dele! Ou o pequeno chora demais, ou é lindo demais, ou é calmo demais, ou é esfomeado demais... As visitas chegam com presentes – para o caçula, lógico – enchem a casa de brinquedos, pegam no colo, elogiam e o maior, muitas vezes está à margem de toda essa movimentação. Vendo tudo e não sendo visto.
A desculpa de que é só enquanto o irmãozinho é pequeno, às vezes dura a vida inteira. E assim, o primogênito vai tentando se adaptar e buscar a atenção perdida da forma que percebe tê-la mais rapidamente – e que nem sempre é a maneira mais adequada. Mas é a que ele dispõe.
Sei que o aumento da família não deve ser decisão de uma criança. E que muitas vezes um irmão é o maior presente que um filho pode ganhar de seus pais. Porém, muito me preocupa o quanto essa família está realmente estruturada emocionalmente para receber mais um integrante, sem que seja oneroso a alguém – principalmente se esse alguém for uma outra criança. E esse preparo vai muito além de possibilidades materiais.
Quantas vezes ouvimos “como podem dois filhos, criados pelos mesmos pais, da mesma forma, serem tão diferentes”? Simples. Além de haver uma questão pessoal de temperamento, nunca são os mesmos pais, porque a gente muda o tempo inteiro. E como se não bastasse, há uma questão de afinidade que não convém falar agora, mas que não há como ignorar. Seja pela semelhança ou exatamente pelo oposto, pais são seres humanos e têm mais conexão com um ou outro filho. Mas é o adulto que precisa regular essa manifestação, para que haja espaço para todos. Afinal, é na família que o papel de cada um se legitima.

Lisandra Pioner
Texto de 13 de junho de 2015, da coluna No divã (Zero Hora)

Sunday, June 07, 2015

A dependência tecnológica


Eu já havia iniciado este texto, quando vi uma propaganda na TV, que falava sobre um filme que mostrava crianças prisioneiras de um jogo de videogame. Ficção? Eu penso que não exatamente.
Dia desses me deparei com uma mãe angustiada com a crise emocional de seu filho desde que ela, num ímpeto maternal de fazer o bem, retirou todos os aparelhos eletrônicos dele. Segundo ela, a criança estava tendo um baixo rendimento no colégio e na ânsia de regular o foco do menino para aquilo que realmente é importante, tirou dele o que, na visão dela, iria fazê-lo repensar. E realmente o fez repensar. Mas também o fez se desesperar! E diante do desespero dele, ela também se desesperou.
Pais e mães estão percebendo o quanto a tecnologia está presente na vida deles e de suas crianças, mas entram em choque quando percebem que essa importância passou dos limites há bastante tempo. E isso geralmente ocorre quando esquecem o celular em casa e seu dia simplesmente parece um emaranhado de problemas, até que dê um jeito de resgatá-lo. Mas o problema maior surge quando observam que seus pequenos estão tanto – ou mais – subordinados à sedução desleal de aparelhos eletrônicos. Aí sim, a questão passa a ser grave.
Vejo pais e mães apavorados com a desorientação de seus filhos diante da abstinência tecnológica. As crianças parecem perder – e realmente perdem – o rumo diante da iminente “catástrofe” de não ter o que fazer para ocupar seu tempo. É a dependência tecnológica, um vício psicológico, que tem transformado crianças em subordinados da modernidade. Por isso, o filme que passou na TV não é tão fictício assim. Conta a verdadeira história que observamos diariamente: crianças prisioneiras de jogos, de grupos de whatsapp, de redes sociais...
Independente do causador da dependência, só o fato de um ser humano precisar de algo – com exceção de oxigênio, água e alimento – já mostra que há algo de errado. Gostar é uma coisa, necessitar é outra.
Quando isso acontece com crianças, mais uma vez há uma falha na educação. E acreditem, o caso dessa mãe não é uma história isolada. Cada dia mais, famílias se deparam com o fato de terem um dependente mirim em suas casas. E embora haja casos em que essa dependência já esteja instalada, há muitos outros em que é possível fazer algo antes que seja tarde.
Pra começar, a tecnologia não deve ser usada para preencher o tempo. O tempo deve ser preenchido com estudo, leitura, tarefas do colégio, esportes, auxílio nas atividades de casa (criança pode ajudar!). E então, após tudo feito e organizado, aí vem o momento de lazer, que pode ser dividido entre tecnologia e alguma atividade, de preferência ao ar livre (andar de bicicleta, skate, jogar futebol, conversar com os amigos, etc.). Mas o tempo deve ser restrito. Dá trabalho? Ahhhh dá! Dá trabalho dizer não e ouvir uma lenga-lenga interminável de “só mais 10 minutinhos”, de “prometo que só mais essa partida”, de “é muito importante, juro que já vou sair”. Isso vai fazer você se obrigar a ser mais dura. Vai exigir que saia da zona de conforto e se imponha. Vai fazer você ter que sair da frente do computador, da televisão, do livro, ou seja lá o que você esteja fazendo, e vá até ele, se certificar de que sua vontade foi acatada. A maternidade e a paternidade também são feitas disso: cansaço! Mas isso vai lhe salvar de ver aquele pequeno ser um dia sofrer da privação de algo que não foi feito para ser bengala de inseguros. A tecnologia veio para servir à humanidade e não o contrário.
Agora, se o problema já estiver na sua frente e seu filho – ou filha, pois não é “privilégio” apenas de meninos – já demonstrar sintomas de dependência de toda essa parafernália, o segredo é enfrentar o problema urgentemente e se preparar, pois a batalha é árdua e enfadonha.
Lisandra Pioner

Professora, Psicopedgoga e Colunista do jornal Zero Hora

Thursday, June 04, 2015

A matéria que causou polêmica...



Pela primeira vez, recebi alguns e-mails bem desaforados, criticando minha coluna na ZH. Defensores da "desescolarização", que segundo eles, não é o mesmo que educação domiciliar, (embora não saibam explicar o que se trata) ficaram bem chateados com o meu texto. Lá vai o texto:
A “desescolarização” em foco

Quando uma palavra recebe o prefixo “des” logo me vem à cabeça deixar algo, perder, retroceder. Em relação à palavra “desescolarização”, que tenho ouvido bastante ultimamente, não é diferente. Aliás, ouço isso com um misto de assombração e perplexidade.
A desescolarização, o ensino domiciliar ou o homeschooling (como alguns chamam, talvez porque o que seja estrangeiro é mais bem aceito) nada mais é do que a prática de dispensar a escola formal e ter o ensino desenvolvido pela família, em casa. Os adeptos dessa prática defendem que as escolas selecionam mal seus conteúdos, não respeitam as singularidades de cada criança e colocam até mesmo o bullying como um sério empecilho à ida das crianças para uma instituição de ensino.
Então fico imaginando todas as implicações (principalmente futuras) que essa decisão pode ter.
Uma família que decide deixar seu filho em casa, muitos deles alegando que lá cada indivíduo consegue criar seu próprio percurso curricular, ignora totalmente que a Educação está longe de ser apenas a transmissão de conteúdos formais. A Educação é um processo extremamente complexo e rico, que envolve interação, socialização, resolução de conflitos, saber lidar com a frustração, convivência, e uma infinidade de outras situações que somente um grupo grande e heterogêneo pode proporcionar. O sistema de ensino está em crise? Está. Não se trabalha autonomia, nem autoconfiança, nem conteúdos realmente significativos? Em muitas escolas não. Mas temos a possibilidade de buscar a que se encaixa melhor em nossas necessidades. E eu garanto que há escolas boas.
Além disso, quantos afetos envolvem uma família, quantas transferências acontecerão diante dessa nova modalidade de escolarização?
E por último e não menos importante (aliás, pelo contrário!), saber lidar com a vida real é um aprendizado que só se faz saindo a campo. A vida real exige estágio e não teoria. E o estágio é o período escolar. É lá que aprendemos a lidar com o outro (que na minha opinião, muitas vezes é o que de mais difícil há). Em algum momento a realidade vai bater na porta dessas crianças também, mesmo que já sejam adultos. E o que pensam que vai acontecer? Que por serem adultos as emoções estarão trabalhadas como que num passe de mágicas? Emoção se trabalha na prática. Não há outro jeito.
Temo pelo futuro. Em um mundo onde o egocentrismo, o egoísmo e individualismo  imperam, colocar crianças em redomas não me parece a decisão mais inteligente.

Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

Tuesday, May 12, 2015

Semana de provas! E agora, o que fazer???


Final de trimestre é sempre a mesma coisa… as crianças chegam em casa munidas de uma folhinha aparentemente inofensiva que, na verdade, é quase uma bomba na família: as datas e conteúdos das provas! E então surge aquele desespero.
Muitas vezes, é nesse momento que os pais se deparam com cadernos incompletos, caligrafias ilegíveis, bilhetes de tarefas não feitas na agenda. Então se enchem de culpa e também de pavor. Que nota irão tirar? O que fizeram o trimestre inteiro que o caderno está quase vazio? Por que parece que não sabem nada do conteúdo? Por que fui ver isto só agora???
De nada adianta essa aflição neste momento. A situação pede, mais do que nunca, organização e foco. É um caso típico que deve ser remediado e só depois, pensar nas medidas profiláticas para o próximo trimestre.
Abaixo, algumas dicas importantes para os dias anteriores à semana de provas.
ü  Identificar todo o material que deve ser estudado é o primeiro passo. Caso falte algo, deve ser providenciado imediatamente com o professor ou algum colega que costuma ter o caderno mais completo. Hoje em dia, com o advento da Internet, é muito fácil fotografar um material e enviá-lo na mesma hora.
ü  Reunido todo o material, é hora de preparar o local para o estudo e ordenar o tempo necessário. Para começar, não adianta exigir que a criança ou o jovem fique 2 horas sentado diante dos livros, pois não há atenção que resista ao mesmo estímulo por tanto tempo. Lembrando que aqui o caso é de “socorro”, pode-se separar 2 a 3 horas em um turno, mas com breves intervalos a cada 45 minutos, para que o estudante possa se esticar, fazer um lanche ou até mesmo parar um pouco para pensar em nada.
ü  A organização do ambiente é de extrema importância para que haja praticidade na hora de pegar algo que seja necessário para a tarefa e até mesmo para que a atenção seja exclusiva. Portanto, celular, televisão e computador devem estar bem longe do alcance e da visão. Hora de estudo é para realmente estudar.
ü  Estudar exige leitura focada, concentração, marcação de partes importantes dos textos e criação de esquemas ou resumos, onde o estudante (re)elabore o que absorveu do conteúdo. Às vezes, ler em voz alta e até mesmo gravar a sua leitura, pode auxiliar na hora dos estudos. Essas técnicas estimulam e abrangem as múltiplas inteligências.
ü  Para diversas disciplinas, treinar fazendo exercícios, por mais antiquado e tradicional que pareça, é sim a melhor forma de aprender e até mesmo verificar o que ainda não aprendeu, podendo assim, pedir auxílio ao professor antes do tão temido dia da prova!
ü  Estudar até tarde no dia anterior ao da prova não adianta nada e só deixa a criança (ou adolescente) cansada. A eficácia de uma boa noite de sono já é cientificamente comprovada – ainda mais no dia anterior ao da avaliação.
Para uma “força-tarefa” de emergência, essas são dicas valiosas! E não esqueça de que se seu filho não estudou como deveria durante o trimestre, a semana de provas não é o momento mais adequado para passear ou receber amigos em casa.
O ato de estudar deve ser visto com seriedade, pois essa valorização pela família muitas vezes é o incentivo que falta ao estudante. Além disso, é a partir dele que muitos outros hábitos positivos podem emergir.
E não permita que esse sufoco volte a acontecer no próximo trimestre. O olhar da família é essencial!
Lisandra Pioner

Professora, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

Sunday, May 10, 2015

Transformações e reedições que só a maternidade (e a “voternidade”) proporcionam...


Não é segredo pra ninguém que minha mãe e eu nunca tivemos uma relação muito próxima (quem não sabe disso, não sabe por falta de oportunidade). De toda a minha infância, tenho algumas raras lembranças... ela penteando meus cabelos enquanto víamos Chacrinha em um sábado à tarde; eu segurando sua mão, aos prantos, enquanto rezávamos na entrada do colégio (estudava em colégio católico), implorando para que não me deixasse naquele Jardim de Infância que eu detestava; ela saindo de pantufas para trabalhar, só se dando conta disso na esquina de casa; ela me perguntando se eu havia passado perfume e diante da negativa, me entupindo de almíscar (um miniperfume fedorento, que se não me falha a memória, é da marca Phebo) no meio da rua, fato que me fez passar uma manhã de aula inteirinha ouvindo dois colegas (o Ricardo Luciano e o Jader!) debocharem da minha “catinga”; eu me despedindo dela na frente do colégio, quando descia do ônibus e ela permanecia; e eu ligando para meu pai, avisando que minha irmã estava quase nascendo, numa gelada noite de domingo, enquanto assistíamos o Globo de Ouro. São lembranças da infância de uma menina insegura, desajeitada e extremamente tímida. Lembranças de uma infância que já se foi há muito tempo, e talvez por isso, se encontre meio distorcida. Mas foram essas lembranças que, provavelmente, me fizeram ser o que e como sou hoje.
Sempre fui uma menina quieta, introvertida, pensativa, observadora. Nunca me destaquei em quase nada além da escrita. Não era bonita, nem falante, nem engraçada, nem divertida, nem simpática, nem boa em esportes... passava muito mais tempo acompanhada da minha principal característica, a introspecção, do que batendo papo com a família e com os amigos.
Passei toda a minha adolescência numa mistura de tentativa de ajuste, com rebeldia. Isso fazia minha mãe enlouquecer. Brigávamos muito. Percebia o quanto o meu jeito a desagradava... Deve ser difícil ver um pedaço de ti importunar...
Anos mais tarde engravidei. Tinha 26 anos e ainda era uma adolescente. Enquanto minha barriga crescia, amadurecia.
Durante minha gravidez pensava muito na importância de ser uma boa mãe... o quanto eu precisava me aceitar para aceitar a pessoinha que estava chegando. Tive nove longos meses para pensar e repensar minha vida (desde a minha infância). Nove longos meses para me aproximar da minha mãe por um motivo simples e íntegro: estávamos no mesmo patamar.
Foram meses de grande aprendizado. Meses em que me distanciei para me (re)aproximar. Meses em que me coloquei em segundo plano e planejei o que podia. Meses de leveza e tensão quase que concomitantes.
Esses meses transformaram muitas coisas. Transformaram uma promessa em um ser humano (encantador). Transformaram uma relação delicada em uma relação coesa. Transformaram uma adolescente em uma mulher. Transformaram uma mãe em uma avó.
E foi através dessas transformações que tive a mais surpreendente e encantadora descoberta: tudo é passageiro. É a gente que eterniza os acontecimentos e as situações através das emoções que elas nos provocam.
Hoje, minha mãe é a melhor reinvenção dela mesma. Ser avó me parece uma oportunidade de reeditar o que não ficou bem escrito.

Desejo nesse dia das mães, que ela sinta-se feliz por essa oportunidade e que eu, um dia, possa ter a mesma chance.

Lisandra Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

Sunday, April 26, 2015

Texto do jornal Zero Hora (abril/2015)


Estava vendo uma reportagem essa semana sobre a chacina ocorrida no litoral gaúcho. Às tristes imagens de mães sofrendo pela desordem natural das coisas, somaram-se inúmeras outras cenas  em minha cabeça. Cenas de famílias preocupadas com o desaparecimento dos filhos, pais levando suas não mais crianças a clínicas de reabilitação, mães desesperadas fazendo reconhecimento de corpos por causa de trágicos acidentes após fenomenais bebedeiras… Mas nem há necessidade de citar catástrofes. Posso lembrar também, de mães que se mostram perdidas em reuniões de escola, verbalizando o pavor de não terem controle sobre crianças de não mais que 13 anos, ou pais preocupados com o rumo que a educação (ou a falta dela) está acarretando na postura dos filhos. São crianças imediatistas, egocêntricas, ansiosas, desatentas, imaturas (ou excessivamente “maduras”, parecendo mais com adolescentes), que não sabem se colocar no lugar do outro, que enfrentam, que não respeitam, que não aceitam limites…
A estrutura da família pós-moderna mudou e não é de hoje que os pais estão mais ausentes da vida de suas crianças. Mas especialmente hoje em dia, mais do que nunca, a educação encontra-se terceirizada. Os pais, em muitos casos, participam como meros coadjuvantes do que é mais essencial para o futuro de seus filhos, que é o aperfeiçoamento da índole. Isso quando não são apenas espectadores!
Nós adultos, pouco tempo temos para dar conta de tudo aquilo de que somos incumbidos. A sociedade nos exige muito e como marionetes vamos fazendo tudo aquilo que alguém, em algum momento, resolveu decidir que nos competia. Exatamente assim… sem questionar, no piloto automático vamos fazendo o que dizem que devemos fazer. E somado a isso, vamos criando necessidades que não tínhamos, originando situações que temos visto por todos os lugares, seja nos grandes centros ou nas mais precárias periferias.
Nos deparamos o tempo todo com famílias cuja situação financeira é ótima, mas estão dilaceradas emocionalmente. Ou famílias em situação econômica crítica, que tantas vezes (talvez exatamente por isso), também encontram-se despedaçadas.
De uma coisa eu tenho certeza: se não cuidarmos dos nossos filhos, alguém dará um jeito de fazer isso por nós. Às vezes é a escola, em outras são os avós, algumas o vizinho prestativo… mas não podemos esquecer de que em grande grande parte das vezes será o traficante, o alcoolista que “mora” no bar do bairro, o grupo de amigos que vira as noites em festas, a família com valores completamente arbitrários…
A vida é exatamente isso: um eterno refletir, questionar-se e adaptar-se. Tens filho? Então cuide dele. Não delegue essa tarefa a outra pessoa, muito menos a quem não confia.

A criação de uma criança exige tempo, abdicação, resignação, muitas vezes exige até sacrifícios. Mas poder estar perto, vivenciando cada novidade, compartilhando cada nova descoberta e um dia ter a oportunidade de se deslumbrar com uma resposta admiravelmente bem colocada daquele pequeno ser que demos à luz, é um prazer inenarrável, que não há satisfação pessoal ou profissional que supere! Acredite!

Monday, April 06, 2015

O papel do Orientador Educacional


Minha formação é, antes de qualquer coisa, “Orientação Educacional”. Quase não consegui estar habilitada para Anos Iniciais, não fosse minha teimosia (tão peculiar) em não me conformar com as coisas que considero erradas… Não entendia o motivo de eu poder dar aula para professores de Anos Inicias em formação, mas não poder dar aula para crianças. Então, após um árduo processo burocrático junto à Secretaria da Educação, meu diploma veio com um carimbo incluindo essa possibilidade ao meu currículo.
Além de orientadora, sou psicopedagoga institucional. Mas posso dizer, com toda a humildade do mundo, que nem a faculdade, nem a especialização me ensinaram muita coisa a respeito desses dois lugares tão importantes dentro de uma instituição educacional.
Mas meus 13 anos de formação, somados aos meus 35 de sensibilidade visceral me mostraram para que serve o Setor de Orientação Educacional das escolas… o inesquecível SOE, para  muitas crianças!
O orientador faz parte da equipe gestora. É um dos grandes responsáveis (ou deveria ser) pela garantia de um processo de aprendizagem íntegro e calcado em dedicação, seriedade e competência. Ele também trata (ou deveria) de questões ligadas às relações humanas. E para isso, não pode (ou não poderia) ficar dentro da sua sala, apenas aguardando casos complicados, ou “apagando incêndios”, como costuma-se dizer. Esse profissional precisa (ou deveria) estar à frente, se antecipar, ser sensível e pró-ativo o suficiente para antever questões latentes.
Circular pelos espaços, conviver com os alunos e os professores, conhecer um pouco sobre cada família e cada turma é um pouco da dinâmica que está (ou deveria) intrínseca ao trabalho do orientador.
Além disso, o orientador lida com as mais diversas angústias, as mais diferentes especificidades, as mais incríveis singularidades e os mais desesperadores assuntos que rondam os aspectos da aprendizagem humana. E quando falo em “aprendizagem humana”, falo sobre saúde, falo sobre ambiente e falo, principalmente, sobre afetos.
O orientador precisa saber o que fazer, o que dizer e até a quem encaminhar, quando necessário. Costumo dizer que entre instituição, família, estudante e professor, o orientador educacional é o “adulto da relação” (ou deveria ser), pois é ele quem intermedia toda essa conexão complexa, tantas vezes inundada por sentimentos confusos e ocultos.
Para simplificar, eu poderia listar uma quantidade enorme de atribuições. Aliás, farei isso, porque realmente penso que é necessário catalogar, enumerar e refletir a respeito de cada uma delas. Pois bem…. o orientador:
*Conhece a legislação;
*Media conflitos;
*Auxilia os membros da instituição no conhecimento de comportamentos esperados e identificação de comportamentos inadequados, além dos casos relativos a problemas e dificuldades de aprendizagem;
*Participa e zela pela execução do Projeto Político Pedagógico da escola;
*Escuta e dialoga com os membros da comunidade escolar;
*Orienta estudantes em relação ao seu desenvolvimento pessoal, escolar e até profissional, primando por atitudes, emoções e valores éticos;
*Trabalha com projetos que organizam a sua atuação, fazendo com que esteja no cerne das questões relativas à aprendizagem e comportamento;
*Auxilia o professor no ajuste de sua atuação em relação a casos específicos;
*Busca informações sobre diagnósticos dados a alunos, e as leva ao professor e a todos os membros atuantes da escola, auxiliando no entendimento e melhor atuação destes com a criança;
*Tece uma rede de diálogo entre todos os profissionais que atuam com os alunos, como: neurologistas, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, etc.;
*Cuida dos interesses do aluno e do professor, fazendo questão de que o trabalho em sala de aula se dê da melhor forma possível, porque sabe que, em primeiro lugar está a garantia de que a aprendizagem se efetive;
*Exige informações que façam diferença no processo de ensino-aprendizagem, como diagnósticos de estudantes.
E acima de tudo, o orientador estuda (ou deveria). Ele nunca deixa de aprender e de compartilhar seus conhecimentos.
Por isso, creio que não há como ser um bom orientador e um orientador de gabinete ao mesmo tempo. São posições totalmente antagônicas! Pra quem está se formando ou está querendo mudar de rumo profissional, desejando uma bela sala e uma confortável cadeira, aconselho a desistir, porque o mercado está saturado deste perfil de profissional.
As escolas estão implorando por orientadores atuantes! Orientadores que volta e meia frequentem as salas de aula, porque é lá dentro que a gente aprende a lidar com os personagens que lá estão. Não existe milagre, nem sorte. Existe gente que se esforça para que as coisas mudem.
Lisandra Pioner

Professora, psicopedagoga e colunista da Zero Hora

Tuesday, March 31, 2015

Novos relacionamentos dos pais, um caso a se pensar



Vou lhes contar uma história…
Conheci uma menina que chegou na casa da mãe contando que seu pai, que até então tinha uma namorada há alguns anos, estava namorando outra pessoa. A mãe estranhou e disse que deveria ser um mal entendido e perguntou o que fazia a criança imaginar que era um namoro. Foi aí que a menina disse que a moça andava “de pijama” pela casa. Naquele momento a mãe entendeu que o pai realmente devia ter trocado de namorada.
Uns dois meses depois, essa mesma mãe fica sabendo que é oficial: o pai está mesmo namorando! Mas detalhe: não é a moça do pijama!
Essa história nada tem de absurda ou incomum com dezenas de histórias que ouvimos por aí. A modernidade chegou às relações. A liquidez, refletida por Bauman, que trata a ideia de dissolução de valores, também.
E para a criança, qual a repercussão emocional que uma historinha como essa, aparentemente corriqueira e não traumática, pode causar?
A insegurança, a falta de valores, a dificuldade em firmar laços e organizar sentimentos.
Pai e mãe, quando não estão mais juntos, têm todo o direito de refazerem suas vidas. Aliás, eu diria que têm a obrigação de fazerem isso, sob pena de um dia virem a culpar a “paternidade/ maternidade” por sua solidão – os filhos crescem! Porém, os filhos precisam estar protegidos de toda essa montanha-russa emocional que cerca o início das relações.
Apresentar um companheiro aos filhos deve ser encarado com seriedade e muita responsabilidade. Por mais trivial que possa parecer, não é. Estamos falando de sentimentos, de relacionamentos, de emoções, de convivência… fatores que são alicerce para todas as áreas da vida.
A questão não é esconder ou mentir, mas discernir o que é importante e essencial do que não vale a pena escancarar socialmente. Nesses casos, cabe um excelente conselho:
Poupemos as crianças do que não é essencial!
Inconscientemente elas agradecerão – e a sociedade também!
Lisandra Pioner

Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

Tema de casa: oportunidade de rever o que aprendeu ou tortura familiar?


O tema, também conhecido como dever ou lição de casa, tem uma função muito específica e válida, desde que realizado da forma correta e orientada pelo professor.
O tema é uma excelente oportunidade da criança treinar os conhecimentos adquiridos em sala de aula e estudar. Para os professores, é um bom momento de verificar o que ainda não foi compreendido de forma eficiente, pois em casa, sem auxílio, a criança pode perceber no que ainda tem dificuldade e solicitar maior atenção do professor no dia seguinte. E até mesmo para os pais é uma boa oportunidade de acompanhar o que seu filho está aprendendo.
Além disso, há diferentes tipos de tema, conforme a intenção do professor. Há o tema que serve para rever conhecimentos trabalhados, há também temas em que o foco é pesquisar assuntos ainda não vistos – como se fosse um desencadeador de ideias – ou até mesmo temas para aprofundar assuntos vistos de forma superficial.
Independente do tipo de tarefa, é essencial que o professor explique qual a sua intenção ao dar aquela atividade. E mais importante ainda, os alunos entenderem qual a pretensão do professor.
Porém, para as famílias, muitas vezes a lição de casa é uma verdadeira tortura, pois, embora seja dada pelo professor, acaba refletindo exatamente a dinâmica familiar. Ou seja, se for dada a uma criança autônoma e independente, será feita dessa forma; porém, se for dada a uma criança acostumada a ter todas as suas vontades realizadas, uma criança que pouco produz em casa, exigindo atenção e disponibilidade dos adultos em tempo integral, será desempenhada da mesma maneira, ou seja, através de muita briga. Sabe por quê? Porque o funcionamento da família é este. A criança briga, grita, faz birra e os pais cedem. Então na hora do tema, esses mesmos pais querem que a criança entenda, quase que como num passe de mágicas, que então é hora de elas serem maduras e conseguirem desempenhar suas tarefas de forma autônoma.
Isso é humanamente impossível, tendo em vista que seres humanos funcionam através de hábitos. Não se clica em um botão milagroso, onde um comportamento se modifica instantaneamente. Nossas crianças não são máquinas!
E como se não bastasse, ainda há uma questão, vivenciada por muitos professores atualmente, que é a falta de responsdabilidade da criança e sua família em relação a essa tarefa. O professor não está dentro do ambiente familiar, portanto, não pode exigir que a tarefa seja desempenhada e entregue no dia correto. Quem tem que verificar isso? Quem tem que cobrar? Quem tem que abrir a mochila e ver se está tudo organizado? Quem tem que verificar se o tema não ficou em cima da mesa? Quem tem que exigir que o tema seja feito, independente de sono ou da preguiça? A família! Faz parte da função da família, por mais difícil que seja. (Aliás, se alguém disse que seria fácil, mentiu!) Não há outra forma de se trabalhar, que não seja através da parceria.
Família e escola, quando entenderem que devem ser extensão uma da outra, terão crianças bem sucedidas em todos os âmbitos!
O trabalho de cobrar e estar ao lado é muito menor que o de “consertar” mais tarde. Podem ter certeza!

Lisandra Pioner

Professora, Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora