Todos
nós sabemos que o período escolar é uma fase enorme da vida do ser humano e que
acontece em duas fases de desenvolvimento muito especiais e específicas em suas
características: a infância e a adolescência. Pensar que em pleno momento de transição
pessoal, o indivíduo precisa dar conta de aprendizagens importantes e de
emoções totalmente novas, nos faz ter uma melhor dimensão da complexidade do
que todos nós passamos. Mas não é exatamente porque “todos nós passamos” que é
algo simples e fácil. O que determina se algo é fácil, não é a quantidade de pessoas
que vivenciam a situação, mas a forma com que cada sujeito elabora aquela
vivência.
Quando falamos em dificuldade nos
relacionamentos e bullying, por
exemplo, não é diferente. Observo inúmeras instituições (escolares e
familiares) exigindo posturas, sem sequer tocarem em assuntos de relevância
singular, como inteligência emocional. Os estudantes, muitas vezes chegam à
escola, segundo ambiente onde passam a maior parte do tempo (ou primeiro, em
muitos casos), sem jamais terem falado em emoções, sem conseguirem nomear
sensações, sem terem se frustrado. Verdadeiros analfabetos emocionais! E então
surge uma série de complicações, que vez ou outra é vista como um problema da
turma difícil, da professora incompetente ou da escola incompreensível e
massificadora.
É difícil olhar para a própria responsabilidade
diante dos acontecimentos, sim. É mais simples encontrar culpados, apontar
algozes, condenar o que não está em nossas mãos. Mas por mais que a tomada de
consciência exija de nós, pais e mães, é necessário que façamos nossa mea culpa e que consigamos trazer para
dentro das nossas casas, a conversa aberta e generosa sobre emoções (com todo o
protagonismo que o assunto merece).
Educar emocionalmente uma criança faz com que
ela adquira habilidades para gerenciar seus sentimentos (e ações que resultam
deles) e compreender os sentimentos dos outros. Desta forma, o desenvolvimento
social e o aprendizado no ambiente escolar, ocorrem com muito menos entraves.
Considerar os sentimentos dos pequenos e
oportunizar momentos para que eles os expressem, propicia uma melhor
compreensão de questões tão subjetivas, provoca mudança de comportamentos e uma série
de outros benefícios. Experimentem!
(Texto de julho/2017, do jornal Zero Hora. Lisandra Pioner)



