A psicopedagogia clínica é uma ciência muito nova, que trabalha com questões relativas à aprendizagem humana e conseqüentemente com fatores que impedem que essa aprendizagem se dê de forma tranqüila.
A princípio partimos do pressuposto do que aprender é algo inato ao ser humano, ou seja, nascemos com a capacidade de aprender, está instrínseco em todos nós, portanto, se isso não está acontecendo, significa que algo está errado. É exatamente aí que entra esse profissional – o psicopedagogo – para que através de um diagnóstico, indique qual o problema e que medidas são necessárias para saná-lo ou ao menos diminuí-lo.
A primeira questão a ser considerada é se o paciente possui condições neurológicas e orgânicas para aprender. Descartado todo e qualquer comprometimento nessas áreas, é hora de desvendar o que está por trás do sintoma “fracasso escolar”; fracasso esse que se traduz numa dificuldade de apreender o conhecimento, independentemente do motivo.
Weiss analisa a queixa escolar através de três perspectivas: sociedade, escola e aluno. Na primeira observa-se a cultura onde o indivíduo está inserido, suas perspectivas, ideologias dominantes, condições socioeconômicas, etc. Na segunda, analisa-se a instituição escolar. Os conhecimentos que circulam naquele lugar, a proposta, o tipo de didática empregada, os profissionais, o material, enfim, a qualidade do ensino. Perspectiva essa que muitas vezes é determinante no fracasso ou sucesso do aprendente. E a terceira refere-se ás condições internas de aprendizagem, que traduzem-se em aspectos cognitivos, emocionais e orgânicos do próprio aluno.
É importante destacar que a dificuldade de aprendizagem, na maioria das vezes é apenas um sintoma de que algo não está bem, mascarando o real problema. Mas se o sintoma está sendo demonstrado na área do aprender, é lá que ele também deve ser resolvido, mas não através de um reforço nas matérias da escola, como muitos pensam. Psicopedagogo não é professor particular – e por isso, este segundo muitas vezes é solicitado a também dar sua contribuição junto à criança.
Então após se fazer o diagnóstico através de observação e trocas com o paciente, conversa com a família e a escola, testagens cognitivas e algumas vezes encaminhamento para avaliação com outros profissionais – fonoaudiólogo, neurologista, etc – a fim de descartar outros comprometimentos, parte-se para a intervenção propriamente dita. Mas é bom deixar claro que desde as primeiras sessões diagnósticas – que embora o número seja muito relativo, devido à infinidade de fatores que influenciam, mas em média são cinco – já se nota uma mudança no comportamento dos envolvidos neste processo.
Em suma, o diagnóstico já é terapêutico. E a intervenção é uma outra etapa do tratamento, que será esclarecida em um outro texto. Aguardem!
Bibliografia consultada:
WEISS, Maria Lúcia L. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem. 10ª edição. Rio de Janeiro, DP&A, 2004.