Tuesday, October 30, 2012

Meu filho, você não merece nada


Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
 
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Fonte: Eliane Brum - Jornalista

Tuesday, September 04, 2012

Frustração e resiliência


Frustração- negação de uma realidade insatisfatória
Resiliência- poder de recuperação

Creio que nem seja necessário comentar que uma coisa tem totalmente a ver com a outra, não é?! Mas como já dizia Paulo Freire, "o óbvio precisa ser dito" e é exatamente sobre isso que vou falar.
Cada dia mais tenho percebido a dificuldade das pessoas de aceitarem as frustrações. Frustração gera raiva, tristeza, decepção e além disso, exige reflexão e retomada. Aí está o problema! Vivemos na geração da satisfação plena, da nova configuração familiar, do imediatismo, da necessidade dos desejos satisfeitos, dos pais mais ausentes e mais culpados, da volatilidade, da superficialidade! Então como aceitar sentimentos dolorosos e ainda por cima retroceder, repensar, parar.
A resiliência, tanto quanto outras qualidades como a facilidade de trabalhar em grupo, tem sido cada vez mais consideradas pelas empresas (e pela vida afora). A capacidade de se reinventar, de retomar a vida, de se refazer é, sem dúvida, um adjetivo louvável e que só tem a acrescentar no currículo e no caráter de um ser humano.
Mas e o que fazer para se tornar resiliente? Isso se aprende?
SIM! Resiliência se aprende ao longo da vida. Mas pra ser apre(e)ndida, leva tempo, paciência e tolerância. É preciso aceitar algumas frustraçõezinhas aqui e ali, sem fazer disso um drama, uma dificuldade intransponível.
Pai, mãe... querem ajudar seus filhos a tornarem-se resilientes? Permitam-lhes frustrarem-se! Estejam atentos, mas não antecipem os acontecimentos. Estendam a mão, mas não resguardem de todo e qualquer possível tombo (as quedas são inevitáveis mais cedo ou mais tarde e podem ter certeza de que quanto mais tarde, mas dolorosas).
O Pedrinho já tem 20 jogos de computador? Não compre o 21º sem necessidade.
A Joana acabou de comer 1 barra de chocolate? Não compre mais um sorvete só porque ela passou na frente da lanchonete.
O Lucas tirou nota baixa? Não tente dar desculpas, aproveite para mostrar que a falta de estudos tem consequências. (e a nota é uma das menores)
A Patrícia atirou papel de bala no chão? Faça-a juntar, mesmo sabendo que milhões de pessoas fazem o mesmo.
O João não fez o tema? Exija que faça. É obrigação dele na fase escolar.
Chega de crianças exageradamente sensíveis e pais exageradamente condescendentes. Educar não significa desamor e carinho e regras podem andar juntos.
O mundo está aí, pronto para esmagar quem não aprendeu a lidar, superar e se transformar com as adversidades.

Sunday, August 26, 2012

Limite e segurança


Muitos pais pensam que adotar uma postura firme com os filhos, principalmente quando bem pequenos, pode traumatizar a criança. Porém, estudos comprovam que é exatamente o contrário. O estabelecimento claro, objetivo e firme de limites dá segurança e faz com que a criança sinta-se mais amada.

Os bebês, por exemplo, estão experimentando o mundo e é realmente delicado saber até onde permitir-lhes ir. Escoltar a criança o tempo inteiro, não lhe dará autonomia alguma, fazendo com que ela perca, aos poucos, a curiosidade. Mas negligenciar o cuidado também não é a solução.

O que se recomenda, por mais difícil e cansativo que possa ser, é sinalizar a elas, o tempo todo, o que podem e o que não podem fazer. Somente assim as crianças perceberão até onde podem ir. Os comportamentos aceitáveis e inaceitáveis precisam estar claros e bem compreendidos, para que possam interagir com o meio de forma rica e tranquila.

Nos primeiros meses após o nascimento da criança, é essencial que se estabeleça um padrão saudável de interação. Mães ansiosas, que vão a cada cinco minutos no berço ver se o bebê está respirando, só ilustra uma cuidadora que antecipa a necessidade do filho e isso significa impedi-lo de querer algo, seja alimentar-se, trocar fralda ou apenas um colo. Antecipar a necessidade e suprir todas as vontades significa afastar o desejo da criança e é esse desejo que impulsiona a busca. A busca pelo seio da mãe hoje, pelas respostas dos exercícios na fase escolar, pelo emprego dos sonhos na idade adulta...

Claro que fazer um bebê seguir regras do tipo “só vai ganhar mamadeira daqui dez minutos, pois só então completa-se três horas da última mamada”, não ajuda nenhum pouco. Como tudo na vida, o equilíbrio e o bom senso precisam tomar à frente e gerenciar a relação. A presença do afeto materno, unido ao espaço dado por essa mãe presente, mas não sufocante, é a chave de todo o sucesso da interação mãe e filho – não apenas nos primeiros meses de vida.

O incentivo é outra importante ação que faz um efeito extraordinário na educação. O uso da psicologia positiva, só vem a acrescentar. Qualquer prática independente e correta feita pela criança deve ser valorizada e as que coloquem-na em risco ou que não sejam admitidas pelos pais, precisam ser tratadas com muita paciência, porém com firmeza. Regras não podem mudar conforme o humor dos cuidadores. Se ainda assim a criança questionar e contestar as combinações e imposições, sempre é válido mostrar que os pais é que são os adultos e desta forma, responsáveis pelo cuidado, portanto, sabem o que é melhor para ela. Desta forma, certamente seus filhos crescerão emocionalmente saudáveis e isso garante um futuro tranquilo e feliz para qualquer pai ou mãe.

Lisandra Pioner

Pedagoga e psicopedagoga

Monday, August 06, 2012

Limite


Tão difícil falar em estabelecer limites em um tempo onde mais do que nunca “o céu é o limite”! Como introduzir uma fronteira entre o que é aceitável e o que é inadmissível em um mundo onde pais trabalham incansavelmente, onde crianças passam muito mais tempo na escola do que com a família, onde podemos nos comunicar com quer que seja e onde quer que esteja, onde quem só pensa em si muitas vezes é eleito para cargos públicos, onde os jovens admiram quem beija o maior número de bocas na balada?

Estabelecer limites é uma construção e como o próprio nome pressupõe, é uma ação complexa, uma obra em equipe, uma atividade que exige diálogo, confiança, sentido e segurança.

Limite é um marco, um ponto do qual a aproximação é perigosa e exige consciência e maturidade. Ultrapassá-lo é, muitas vezes, definitivo. Pode inclusive, vir a decidir o futuro de uma relação. Limites são estabelecidos o tempo inteiro, em toda e qualquer interação humana: colegas, namorados, vizinhos... Seja uma relação linear ou hierárquica, sempre há limites que não devem ser ultrapassados.

Entre pais e filhos não é diferente! E cada vez se faz mais necessário esse estabelecimento claro, objetivo e sem subterfúgios. É na família que o respeito pelo limite do outro começa. Limite de hora, de deveres, de direitos, entre tantos outros. E é importante salientar que isso vale tanto para filhos, quanto para pais. O hábito de fazer valer as regras apenas para as crianças e os adolescentes, só ajuda na criação de seres humanos que tiram vantagem dos que consideram mais “fracos”.

Dialogar, mostrar a importância de se considerar o espaço – físico ou subjetivo – do outro e criar o hábito de respeitá-lo é essencial para quem pretende ser participante ativo na formação de uma sociedade mais evoluída e feliz.

Lisandra Pioner

Professora e Psicopedagoga clínica

Dica de filmes



Wednesday, July 04, 2012

Bullying


O bullying, palavra tão em moda no momento, deriva do inglês e significa intimidar. Intimidar nada mais é do que assustar, atemorizar.

Rejeição social, infelizmente, é comum em lugares com grande número de pessoas, principalmente crianças e jovens, ou seja, nem toda a criança que passa por atritos com colegas está sofrendo bullying, pois este é um ato de violência física ou psicológica, caracterizado por ser intencional e repetido, praticado por um indivíduo ou um grupo, geralmente ocorrido quando há desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

Muitas pessoas questionam a importância de crianças e jovens aprenderem a se defender de apelidos pejorativos, ameaças e “brincadeiras de mau gosto”, que sempre fizeram parte da história escolar de qualquer pessoa. Porém, é comprovado através de inúmeras pesquisas, que indivíduos que sofreram bullying, desenvolvem problemas, não só de autoestima, como psicológicos mais graves, desencadeando doenças como a depressão e síndrome do pânico.

Embora as principais vítimas sejam crianças e adolescentes e que geralmente ocorra em ambiente escolar, pode também acontecer em casa ou em empresas, e com pessoas adultas. Por trás, uma necessidade indisfarçável de autoafirmação ou/e preconceito e discriminação. A autoafirmação no sentido de que humilhar pessoas consideradas “inferiores” faz bem aos praticantes, e preconceito, pois a violência geralmente é destinada a indivíduos de outro sexo, raça, religião ou crença em geral. A diversidade muitas vezes não é tolerada, segundo estudo realizado pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA).

Agir a tempo se faz imprescindível e para isso, em primeiro lugar deve-se saber diferenciar uma prática de bullying de um acontecimento isolado e corriqueiro. Tanto na criança, quanto no adulto, algumas reações são comuns, como por exemplo, a resistência a ir a determinados lugares que sempre fizeram parte do cotidiano, inquietação, baixa de rendimento nas atividades normais, alterações de sono ou na alimentação, irritação excessiva e alterações de humor. Identificado, é preciso buscar apoio profissional, seja com a direção da escola ou com os pais (no caso de crianças e adolescentes), seja com a direção da empresa (no caso de adultos), ou ainda, ajuda de profissionais como psicólogos, que saberão auxiliar na elaboração da dificuldade.

Mas independente de qualquer outra ação corretiva, é importante atitudes profiláticas e entre elas, a mais importante: a mudança de valores! É fundamental que os seres humanos, desde a infância, aprendam a conviver com a diversidade! A dessemelhança e a oposição precisam ser admitidas, pois fazem parte da existência.

Tuesday, June 05, 2012

Geração imediatista


Não é novidade pra ninguém, nem mesmo para aqueles que não lidam diariamente com jovens, que estamos rodeados por imediatistas de alto grau. As crianças e adolescentes de hoje prezam pela rapidez, pela pouca reflexão e muita ação. É a geração express!
É a criança que assiste televisão e brinca, o adolescente que estuda, dá uma verificada no Facebook, ouve seu iPod e joga Wii. Daí vocês podem me questionar "Mas que ótimo! Qual o problema?". O problema é que é tudo ao mesmo tempo!!!
Não estou aqui pra defender a obsoleta visão de que só se aprende no absoluto silêncio, com a concentração unicamente fixada em um ponto, até porque, eu estaria renegando todos os estudos atuais de que as novas gerações são mais capazes de prestar atenção em diversos estímulos ao mesmo tempo, porém (e este porém é importantíssimo), por um tempo muito escasso.
Os pais têm usado essas afirmações comprovadas, como bengalas pra justificarem a falta de disciplina que mora com 80% das famílias modernas (infelizmente). Vejam bem, não quero culpar os pais (já tão encarregados de levarem quase toda a responsabilidade do mundo sobre os ombros), apenas alertá-los de que as crianças precisam de tranquilidade em diversos momentos. Querem algumas dicas? Então vamos lá:
1. Crie um ambiente sem muito estímulo visual ou auditivo para seu filho estudar e fazer as lições de casa;
2. Faça um calendário onde fique estipulado o dia da semana para o estudo de cada disciplina;
3. Nunca exija que a criança/adolescente permaneça mais do que 1 hora em meio aos cadernos, pois após este tempo, ela não estará mais concentrada no que está fazendo. Se for imprescindível que ela estude mais tempo, permita que ela faça breves intervalos de 10 a 15 minutos;
4. Se seu filho é muito agitado, coloque-o em alguma atividade física. É comprovado que há um aumento no desempenho escolar de crianças que praticam algum tipo de atividade.
Sem dúvida é difícil ter e exigir disciplina, mas é ainda mais difícil perceber o aumento significativo da ansiedade nos filhos (sem falar nas notas baixas!). Estamos permitindo a propagação de uma geração de ansiosos, cujo resultado é: alunos com baixo rendimento escolar, pouca ou nenhuma tolerância a frustrações e obesos. Tudo pelo imediatismo, que nem sempre é possível! Mas isso é assunto pra um próximo momento.
A semana está só começando, então vamos mudar hábitos!

Monday, April 09, 2012

Pais comprometidos, filhos mais seguros


A pergunta de hoje é: Qual o nível de comprometimento de vocês, pais, com seu(s) filho(s)?
Sim... pergunta delicada esta! Muitos já devem estar correndo na frente e respondendo "Meu filho tem tudo! Trabalho dia após dia exatamente por isso! Porque sou comprometido com seu futuro!". Sabemos o quanto os pais são preocupados com o futuro de seus pimpolhos, o quanto se esmeram em tentar criar o maior número de possibilidades favoráveis para suas vidas, mas a pergunta que não quer calar é: E hoje? Me diga, sem pensar muito e sem dar desculpas antes mesmo da resposta:
  • Já leu a agenda da escola hoje?
  • Já enviou todos os materiais escolares da lista?
  • Lembrou de comprar uma lembrança para o amiguinho aniversariante, na data certa, nos últimos 3 aniversários?
  • Ofereceu ajuda no tema de casa?
  • Conversou, perguntando interessadamente, como foi seu dia de aula?
  • Sabe os dias de educação física, para mandá-lo com a roupa adequada?
Foram apenas algumas questões levantadas que, embora aparentemente tão simples, lido há mais de uma década com elas diariamente e, acreditem, não é tão simples assim...
E então? Se todas as respostas forem SIM, parabéns! Mas se a maioria delas for negativa, comece a modificar sua rotina!
Claro que não existe fórmula mágica para ser um pai ou uma mãe perfeitos, e a intenção nem é essa! Mas a falta de tempo do mundo moderno não pode mais ser desculpa para a desatenção. O ônus desse descaso virá - e algumas vezes, com juros!
As responsabilidades da rotina infantil são dos pais! Participe, se envolva... essa troca entre pais e filhos são essenciais para a saúde emocional desses seres em formação.
A falta de comprometimento dos pais, sempre disfarçada de "falta de tempo", poderá refletir na criança, em forma de baixa autoestima, insegurança, desorganização, desatenção, agressividade, dificuldade de aprendizagem, entre tantas outras características comuns nos infantes de hoje em dia. Mas também podem refletir na forma de uma responsabilidade excessiva, que tantas vezes é motivo de envaidecimento dos pais, porém, nem sempre é positiva, pois as crianças precisam viver as características de sua própria faixa etária, ou seja, criança, precisa viver como criança.
O dever de dar conta das responsabilidades dos filhos é tarefa dos pais! Independente da época em que vivemos. Esquecer disso ou delegar essa função demasiadamente a outras pessoas, pode ser bastante oneroso.
Quer dar algo ao seu filho? Dê seu tempo (com qualidade)!

Monday, April 02, 2012

5 coisinhas que o dinheiro não compra...


Revirando meu baú de papéis, dou de cara com uma página amarelada da Zero Hora e lá está meu nome! Lisandra Pioner, pedagoga e psicopedagoga clínica... Pequeno momento de orgulho nessa segunda-feira que iniciou tão turbulenta.
Bom constatar que estou fazendo uma bela história!

1. Dedicação- Dedicar-se aos filhos é essencial. Embora exija tempo (e sabemos que tempo é artigo de luxo), é importante parar tudo diariamente e doar-se às crianças. Tens apenas 1 hora? Pois faça desses 60 minutos os mais deliciosos do dia de ambos!
2. Respeito- Diferente do medo, ter o respeito dos filhos é saudável e indispensável. Mas respeito é sentimento que se conquista, principalmente por meio de atitudes dignas e de bons exemplos.
3. Caráter- É a qualidade construída por meio de uma relação familiar baseada na consideração, na existência de limites bem especificados, combinações, tolerância e bom senso.
4. Confiança- Relação alguma sustenta-se sem ela! É o que dá segurança, estabilidade, força. É a base sólida, o alicerce por meio do qual pais e filhos se apoiarão quando necessário!
5. Amor- De todos os sentimentos, é provavelmente o mais nobre. Não se exige amor. Doa-se amor e só assim recebe-se amor e ensina-se a amar.

Escrito por mim, na Zero Hora de 25 de maio de 2009.

5 coisinhas sobre o comportamento de portadores de TDAH


As pessoas que possuem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), muitas vezes sofrem com a incompreensão dos demais, em relação ao seu comportamento. Por isso, aqui vão alguns pequenos e rápidos esclarecimentos a respeito do transtorno:

1. Eles possuem dificuldade para manter a atenção em atividades repetitivas e longas (conseguem concentrar-se em atividades prazerosas);

2. Muitas vezes esquecem-se de tarefas e datas;

3. Possuem tendência à impulsividade, à inconstância e à desorganização;

4. Nem todo o portador de TDA, é hiperativo;

5. Não se curam do transtorno, mas aprendem a lidar com ele.

Mãe x Mulher: e agora???



Com a proximidade do final do ano, se inicia a preocupação das mães, que já programam suas rotinas de 2012. Trabalho e filhos passaram a conviver de forma concomitante e com a necessidade de nenhum subjugar o outro. Ambos têm importância fundamental na vida da mulher moderna, e uma coisa é certa: nós queremos dar conta de tudo!

Além do trabalho e das crianças, temos a casa, o companheiro e nós mesmas para cuidar! É inegável a sobrecarga. Não há como estranhar o número cada vez maior de mulheres que fazem uso de medicamentos contra ansiedade e depressão. A exigência social de onipotência por parte das mulheres, às vezes, me remete a antiga obrigação de insensibilidade masculina. Nos cobram mais do que temos possibilidades de dar, no que tange a um dia a dia saudável. Mas ao invés de percebermos isso, acabamos por nos cobrar mais e mais e a imensa onda de incapacidade e sensação de incompetência acaba por nos invadir.

Não há receita pronta, mas algumas dicas podem auxiliar na vivência de um ano mais produtivo e tranquilo!

  1. Liste prioridades- nem tudo tem o mesmo grau de importância ou de urgência, portanto, priorize o que realmente precisa de atenção;

  2. Programe-se- crie uma agenda que dê foco e segurança a sua rotina;

  3. Se preserve- não se responsabilize por tudo! Delegue tarefas, aceite as que não puderem ser concluídas ou que não tiverem êxito;

  4. Permita-se- se dê um tempo! Tire algumas horas na semana e se presenteie. Faça o que tiver vontade ou não faça nada. E não se culpe por isso;

  5. Não tente ser a melhor em tudo- acreditar que há como ser infalível em todas as instâncias da vida, é assumir a certeza do fracasso. Admitir que é humanamente impossível a perfeição, já é um grande passo para uma cobrança menor e consequentemente, uma vida melhor!

    Escrito por Lisandra Pioner e publicado no Blog "Meu Filho" de Zero Hora, em novembro de 2011.

Ocupe-se de seu filho


Não é surpresa para ninguém, o quanto a relação entre filhos - independentemente do sexo - e mães ocupam a mente, a ciência e o inconsciente de todos. É uma relação tão decisiva, que por vezes define o futuro de um ser.

Relacionamentos amorosos são definidos por esse vínculo, profissões são escolhidas em função desse laço - ou nó -, situações de perpetuam eternamente como resultados desse passado, tão presente.

Existem linhas que colocam a mãe como importante, porém, totalmente substituível por um cuidador que faça seu papel. Outras, porém, escravizam as mães a um lugar tão definitivo que, independentemente do que fizerem, sempre serão as responsáveis por todo e qualquer acontecimento na vida do rebento.

Pessoalmente, não sou tão fatalista assim. Até porque, acredito que até certa altura da nossa vida, podemos responsabilizar quem nos cuidou - ou deixou de cuidar -, mas chega um determinado momento em que é imprescindível tomarmos as rédeas e sermos protagonistas da nossa própria história. E essa decisão é difícil. E faz voltarmos lá pra trás, onde a forma que fomos criados, influencia bastante. Ou seja, está tudo interligado!

Por qual motivo a novela A Vida da Gente tem feito tanto sucesso, mesmo sendo exibida em um horário pouco vantajoso? Porque fala sobre as sutilezas determinantes da nossa vida. Toca o dedo nas feridas que todos temos - sejamos ricos ou pobres, velhos ou novos, felizes ou não. Mostra a vulnerabilidade das relações e da própria vida! E não deixa a relação mãe e filho de lado. Pelo contrário: a coloca no centro!

Independentemente das linhas de estudo, da novela, do histórico social, mãe é sim, importante, e nossa relação com ela, muitas vezes, determinante. Mas o que tenho visto cada vez mais são mães que abrem mão de seu papel com a maior naturalidade. Que optam por serem coadjuvantes, espectadoras, meras testemunhas da vida que colocaram no mundo.

Também vejo mães que se colocam em total igualdade com o filho. Que mais competem, que auxiliam. Que mais criticam, que refletem sobre seus próprios atos. Lidar com criança e adolescente é difícil? Não! Lidar com outro ser é difícil! Mas também é sublime!

Lido diariamente com isso... Mas lidar com seres humanos que foram simplesmente assistidos por aquela que deveria lhe estender as mãos e convidar pra andar junto, podem ter certeza, será muito pior!

Tenho certeza de que é um assunto complicado e polêmico. Mas se eu pudesse fazer um pedido a todas as mães - como mulher, mãe e profissional da área da educação que sou, com muito orgulho! - seria: ocupe-se do seu filho! Ajudas são sempre bem-vindas, mas não esqueça de quem o colocou no mundo.

Escrito por Lisandra Pioner e publicado no Blog "Meu Filho" de Zero Hora, em fevereiro de 2012

Cinco coisinhas sobre como formar leitores competentes


1) Seja um contador – Acostume-se a conversar com seu filho desde bebê, contando pequenas histórias, cantando e usando entonações diversificadas. Aos poucos, as crianças vão se acostumando com esse ritual de ouvir canções e historinhas, sentindo falta quando isso não acontecer.

2) Estimule – Compre livros, mostre-os, leia-os em voz alta, demonstrando os bons momentos que aquele precioso objeto pode proporcionar.

3) Incentive – Demonstre interesse em ouvir a contação de história da criança. Há uma fase em que elas gostam de recontar histórias e até mesmo de inventar alguns contos. Aproveite esses momentos especiais e se delicie com a criatividade de seu pitoco.

4) Tenham hábitos culturais – Sabemos que o tempo é escasso, mas é importante criar o costume de fazer passeios culturais, frequentando teatros, exposições, cinemas, museus e bibliotecas. A leitura não se dá apenas por meio do código escrito. É possível aprender a interpretar obras de arte, por exemplo, mas para isso é preciso contato desde cedo para que se aflore a sensibilidade. Cultura é questão de hábito.

5) Dê o exemplo – Lia jornal, revista, livro. Não importa o assunto nem o horário dedicado para isso. Conviver com pais leitores é extremamente eficaz na construção de um ser que se encante pela leitura.

Fonte: Lisandra Pioner, pedagoga e psicopedagoga. Publicado no Jornal Zero Hora, 02/02/2009

Depressão Infantil


Vários estudos recentes têm comprovado que as crianças, assim como os adultos, podem sim, sofrer de depressão. A depressão infantil é um transtorno do humor que compromete significativamente o desenvolvimento da criança. Por se manifestar de forma um pouco diferente da depressão típica dos adultos, poucas vezes é percebida logo no início. Além disso, ainda não é valorizada da forma correta pelas famílias, que geralmente dão pouca importância, rotulando como “frescura”.
Em alguns casos, a depressão costuma se manifestar através de irritação, agressividade, rebeldia e hiperatividade. Comumente é confundida com mau humor ou falta de educação e limites. Em outros, a criança passa a perder o interesse por coisas típicas de sua faixa etária, se aborrece constantemente, manifesta apatia e até tristeza. Nesses, é mais fácil identificar.
Independente da forma como se manifesta, é muito importante que, principalmente pais e professores – adultos que estão mais próximos dos pequenos – fiquem muito atentos a mudanças de comportamento, inclusive relacionadas ao sono e apetite, buscando auxílio de um profissional adequado (pediatra, psicólogo, psicopedagogo).
Não deixem de valorizar os sentimentos das crianças – por mais bobo que pareça. Elas não verbalizam como nós adultos o que estão sentindo, então acabam expressando seus sentimentos de outras maneiras.