Vou lhes contar uma história…
Conheci uma menina
que chegou na casa da mãe contando que seu pai, que até então tinha uma
namorada há alguns anos, estava namorando outra pessoa. A mãe estranhou e disse
que deveria ser um mal entendido e perguntou o que fazia a criança imaginar que
era um namoro. Foi aí que a menina disse que a moça andava “de pijama” pela
casa. Naquele momento a mãe entendeu que o pai realmente devia ter trocado de
namorada.
Uns dois meses
depois, essa mesma mãe fica sabendo que é oficial: o pai está mesmo namorando!
Mas detalhe: não é a moça do pijama!
Essa história nada
tem de absurda ou incomum com dezenas de histórias que ouvimos por aí. A
modernidade chegou às relações. A liquidez, refletida por Bauman, que trata a
ideia de dissolução de valores, também.
E para a criança,
qual a repercussão emocional que uma historinha como essa, aparentemente
corriqueira e não traumática, pode causar?
A insegurança, a
falta de valores, a dificuldade em firmar laços e organizar sentimentos.
Pai e mãe, quando
não estão mais juntos, têm todo o direito de refazerem suas vidas. Aliás, eu
diria que têm a obrigação de fazerem isso, sob pena de um dia virem a culpar a “paternidade/
maternidade” por sua solidão – os filhos crescem! Porém, os filhos precisam
estar protegidos de toda essa montanha-russa emocional que cerca o início das relações.
Apresentar um
companheiro aos filhos deve ser encarado com seriedade e muita
responsabilidade. Por mais trivial que possa parecer, não é. Estamos falando de
sentimentos, de relacionamentos, de emoções, de convivência… fatores que são
alicerce para todas as áreas da vida.
A questão não é
esconder ou mentir, mas discernir o que é importante e essencial do que não
vale a pena escancarar socialmente. Nesses casos, cabe um excelente conselho:
Poupemos
as crianças do que não é essencial!
Inconscientemente
elas agradecerão – e a sociedade também!
Lisandra
Pioner
Pedagoga,
Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora



