
Tão difícil falar em estabelecer limites em um tempo onde mais do que nunca “o céu é o limite”! Como introduzir uma fronteira entre o que é aceitável e o que é inadmissível em um mundo onde pais trabalham incansavelmente, onde crianças passam muito mais tempo na escola do que com a família, onde podemos nos comunicar com quer que seja e onde quer que esteja, onde quem só pensa em si muitas vezes é eleito para cargos públicos, onde os jovens admiram quem beija o maior número de bocas na balada?
Estabelecer limites é uma construção e como o próprio nome pressupõe, é uma ação complexa, uma obra em equipe, uma atividade que exige diálogo, confiança, sentido e segurança.
Limite é um marco, um ponto do qual a aproximação é perigosa e exige consciência e maturidade. Ultrapassá-lo é, muitas vezes, definitivo. Pode inclusive, vir a decidir o futuro de uma relação. Limites são estabelecidos o tempo inteiro, em toda e qualquer interação humana: colegas, namorados, vizinhos... Seja uma relação linear ou hierárquica, sempre há limites que não devem ser ultrapassados.
Entre pais e filhos não é diferente! E cada vez se faz mais necessário esse estabelecimento claro, objetivo e sem subterfúgios. É na família que o respeito pelo limite do outro começa. Limite de hora, de deveres, de direitos, entre tantos outros. E é importante salientar que isso vale tanto para filhos, quanto para pais. O hábito de fazer valer as regras apenas para as crianças e os adolescentes, só ajuda na criação de seres humanos que tiram vantagem dos que consideram mais “fracos”.
Dialogar, mostrar a importância de se considerar o espaço – físico ou subjetivo – do outro e criar o hábito de respeitá-lo é essencial para quem pretende ser participante ativo na formação de uma sociedade mais evoluída e feliz.
Lisandra Pioner
Professora e Psicopedagoga clínica
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