Saturday, January 31, 2015

Matéria da ZH (janeiro/2015)


O polêmico resultado das redações do ENEM
Diante de tantos assuntos que dariam “pano pra manga” ou, no meu caso, objeto pra muita discussão – desrespeito aos limites de velocidade; políticos que aumentam seus próprios salários e depois voltam atrás; a falta de liberdade de expressão, mais conhecida como “censura”; mortes prematuras; fanatismos; pena de morte... – escolhi o resultado caótico das redações do ENEM. Não que esse seja o assunto mais relevante, ou que os outros nada tenham a ver com educação, mas a questão da escrita é um dos grandes exemplos do quanto é preciso um olhar especial para essa área, tanto dos governos, quanto das escolas, das famílias e das próprias crianças e jovens.
Ler e escrever fazem parte da rotina da grande maioria da população e muito tem se falado no quanto fazemos mais isso atualmente do que há algum tempo atrás. Porém, o ponto que deve ser analisado é: com que qualidade esses dois atos têm sido produzidos. Ler superficialmente qualquer coisa e escrever mal (ortograficamente errado, sem concordância, insuficientemente ou desnecessariamente)  de maneira contínua, fixam um determinado movimento neuronal e o transformam em comportamento padrão. E aí está estabelecido algo difícil de ser modificado.
A leitura e a escrita além de hábitos, são ações que culturalmente devem ser tratadas como de uma importância singular dentro de uma esfera social. Não precisamos ir muito longe para conferirmos histórias verídicas de pessoas que tiveram as suas vidas transformadas por elas. Mas se a maioria de nós, adultos, precisamos de dados concisos e precisos, podemos falar em números. Existe um estudo americano da National Children's Reading Foundation, que diz que cada ano que uma criança, entre 0 a 5 anos, passa ouvindo histórias e tendo um contato estreito com a leitura, equivale a mais ou menos 50 mil dólares a mais em sua renda, quando adulto.
Ler estimula a criatividade, desenvolve o senso crítico, amplia o conhecimento geral, desenvolve um repertório muito mais vasto de palavras e ideias, aumenta o vocabulário, auxilia no domínio da escrita ortográfica, além de seduzir, emocionar e encantar.
O incentivo à leitura, quando vinda de casa, é visivelmente mais eficiente na conquista da criança. E a escola precisa ter a dupla “leitura e escrita” como ponto de partida e de chegada, em todas as áreas do conhecimento.
Nenhuma desculpa é considerável para que esses atos sejam relegados à segundo plano. Por isso, vamos aproveitar que estamos no início de um novo ano, onde nossos anseios, desejos e planos ainda estão fresquinhos em nossa memória e nosso coração, e vamos melhorar ou implantar esse novo hábito: ler e incentivar a leitura aos nossos pequenos!

Não queremos que eles tenham um futuro tranquilo e bem sucedido? Então vamos investir nessa poupança que rende muito mais que qualquer investimento financeiro: o hábito de ter a leitura como companhia constante em qualquer fase da vida.
Lisandra Pioner
Pofessora, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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