Monday, April 06, 2015

O papel do Orientador Educacional


Minha formação é, antes de qualquer coisa, “Orientação Educacional”. Quase não consegui estar habilitada para Anos Iniciais, não fosse minha teimosia (tão peculiar) em não me conformar com as coisas que considero erradas… Não entendia o motivo de eu poder dar aula para professores de Anos Inicias em formação, mas não poder dar aula para crianças. Então, após um árduo processo burocrático junto à Secretaria da Educação, meu diploma veio com um carimbo incluindo essa possibilidade ao meu currículo.
Além de orientadora, sou psicopedagoga institucional. Mas posso dizer, com toda a humildade do mundo, que nem a faculdade, nem a especialização me ensinaram muita coisa a respeito desses dois lugares tão importantes dentro de uma instituição educacional.
Mas meus 13 anos de formação, somados aos meus 35 de sensibilidade visceral me mostraram para que serve o Setor de Orientação Educacional das escolas… o inesquecível SOE, para  muitas crianças!
O orientador faz parte da equipe gestora. É um dos grandes responsáveis (ou deveria ser) pela garantia de um processo de aprendizagem íntegro e calcado em dedicação, seriedade e competência. Ele também trata (ou deveria) de questões ligadas às relações humanas. E para isso, não pode (ou não poderia) ficar dentro da sua sala, apenas aguardando casos complicados, ou “apagando incêndios”, como costuma-se dizer. Esse profissional precisa (ou deveria) estar à frente, se antecipar, ser sensível e pró-ativo o suficiente para antever questões latentes.
Circular pelos espaços, conviver com os alunos e os professores, conhecer um pouco sobre cada família e cada turma é um pouco da dinâmica que está (ou deveria) intrínseca ao trabalho do orientador.
Além disso, o orientador lida com as mais diversas angústias, as mais diferentes especificidades, as mais incríveis singularidades e os mais desesperadores assuntos que rondam os aspectos da aprendizagem humana. E quando falo em “aprendizagem humana”, falo sobre saúde, falo sobre ambiente e falo, principalmente, sobre afetos.
O orientador precisa saber o que fazer, o que dizer e até a quem encaminhar, quando necessário. Costumo dizer que entre instituição, família, estudante e professor, o orientador educacional é o “adulto da relação” (ou deveria ser), pois é ele quem intermedia toda essa conexão complexa, tantas vezes inundada por sentimentos confusos e ocultos.
Para simplificar, eu poderia listar uma quantidade enorme de atribuições. Aliás, farei isso, porque realmente penso que é necessário catalogar, enumerar e refletir a respeito de cada uma delas. Pois bem…. o orientador:
*Conhece a legislação;
*Media conflitos;
*Auxilia os membros da instituição no conhecimento de comportamentos esperados e identificação de comportamentos inadequados, além dos casos relativos a problemas e dificuldades de aprendizagem;
*Participa e zela pela execução do Projeto Político Pedagógico da escola;
*Escuta e dialoga com os membros da comunidade escolar;
*Orienta estudantes em relação ao seu desenvolvimento pessoal, escolar e até profissional, primando por atitudes, emoções e valores éticos;
*Trabalha com projetos que organizam a sua atuação, fazendo com que esteja no cerne das questões relativas à aprendizagem e comportamento;
*Auxilia o professor no ajuste de sua atuação em relação a casos específicos;
*Busca informações sobre diagnósticos dados a alunos, e as leva ao professor e a todos os membros atuantes da escola, auxiliando no entendimento e melhor atuação destes com a criança;
*Tece uma rede de diálogo entre todos os profissionais que atuam com os alunos, como: neurologistas, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, etc.;
*Cuida dos interesses do aluno e do professor, fazendo questão de que o trabalho em sala de aula se dê da melhor forma possível, porque sabe que, em primeiro lugar está a garantia de que a aprendizagem se efetive;
*Exige informações que façam diferença no processo de ensino-aprendizagem, como diagnósticos de estudantes.
E acima de tudo, o orientador estuda (ou deveria). Ele nunca deixa de aprender e de compartilhar seus conhecimentos.
Por isso, creio que não há como ser um bom orientador e um orientador de gabinete ao mesmo tempo. São posições totalmente antagônicas! Pra quem está se formando ou está querendo mudar de rumo profissional, desejando uma bela sala e uma confortável cadeira, aconselho a desistir, porque o mercado está saturado deste perfil de profissional.
As escolas estão implorando por orientadores atuantes! Orientadores que volta e meia frequentem as salas de aula, porque é lá dentro que a gente aprende a lidar com os personagens que lá estão. Não existe milagre, nem sorte. Existe gente que se esforça para que as coisas mudem.
Lisandra Pioner

Professora, psicopedagoga e colunista da Zero Hora

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