O grande, o
imenso, o tremendo, o desastroso mal do século, na minha opinião, é a falta de
empatia. Para quem não sabe: empatia, substantivo feminino; habilidade de
imaginar-se no lugar de outra pessoa; compreensão dos sentimentos, desejos,
ideias e ações de outro. Só isso já é mais do que suficiente pra eu dizer que a
empatia, pra mim, é muito mais do que um substantivo, é puro adjetivo!
Empatia é a
capacidade, quase extinta, do ser humano colocar-se no lugar do outro e parar
antes de render-se ao impulso de falar ou de fazer algo que machuque, magoe ou
coloque deliberadamente o outro em uma posição dolorosa ou humilhante.
É a falta
de empatia que impede que o motorista do carro dê lugar ao outro que está dando
pisca. É a falta de empatia que permite que o colega mais forte pegue o lanche
do mais fraco. É a falta de empatia que sustenta o conselho “se ele te bateu,
bate de volta”. É a falta de empatia que concede a possibilidade de alguém dar
um “furo” na fila, seja do cinema ou do caixa, para amigos, sem pensar no
restante que está atrás. É a falta de empatia que consente que um cargo seja
ocupado pelo mais amigo ao invés do mais competente. É a falta de empatia que
consente que se xingue o professor pela frustração em relação aos filhos. É a falta de empatia que provoca muitos dos
roubos, dos sequestros, dos assassinatos.
Ter empatia
é difícil. Ainda mais em um mundo que nos exige produtividade e excelência full time. Ter empatia dá trabalho. Faz
com que saiamos da confortável posição de exclusividade e enxerguemos o outro.
Aliás, mais do que ver o outro, exige que nos coloquemos em seu lugar. Que abandonemos
o “egocentrismo infantil de estimação” e olhemos em torno. E olhar em torno
causa vertigem. Olhar em torno provoca medo e angústia. Olhar em torno faz com
que percebamos que há menos e que há mais do que nós. Olhar em torno faz com
que percebamos que há. Há muito. Há muitos.
Mas ter
empatia é aprendizado! Ninguém nasce empático. Nos tornamos – ou não. Empatia
se ensina, se exercita, se treina. E é imensamente mais fácil quando se é
criança. E é ainda mais fácil, quando se é pai ou mãe. Mas ser empático com os
próprios filhos, não é mérito algum. Se os filhos nada mais são do que extensão
de nós mesmos, estaremos apenas nos cuidando e nos beneficiando.
De seres
humanos narcisistas, conectados a tudo e desconectados do outro, já temos um
grande contingente. O que precisamos agora é de altruísmo. E quando nos
tornamos pais, ganhamos a oportunidade de aprendermos a ser empáticos – se
ainda não somos. E a oportunidade de criarmos crianças empáticas – um
verdadeiro presente para o mundo! Aproveitemos essa vantagem!
(Texto de julho de 2016, do Jornal Zero Hora)
Lisandra
Pioner

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