Saúde mental deixou de ser caso da Medicina faz
tempo! Mais do que nunca esse tema tem feito parte do cotidiano das escolas públicas
e privadas de todo o país, tanto quando nos referimos a estudantes quanto a
professores.
No caso dos professores, eles têm sido alvo de
estresse, depressão e mais recentemente, Síndrome de Burnout –fadiga crônica
relacionada à sobrecarga de trabalho. E convenhamos que não é pra menos.
Professores são acumuladores de tarefas para as quais faculdade alguma prepara.
São casos delicados ligados diretamente à vida humana – aprendizagem, transtornos,
afetos, saúde mental e física, problemas sociais e emocionais.
Já no caso dos estudantes, muitos são os que
possuem algum comprometimento emocional ou fisiológico que repercutem
diretamente na aprendizagem. Ansiedade, depressão, hiperatividade, desatenção,
entre tantos outros.
Aos professores já não basta compreenderem o
processo ensino-aprendizagem; se faz imprescindível a compreensão da totalidade
do sujeito, com todas as suas mazelas e vicissitudes. Professores precisam entender
de Psicologia, de Neurociência, de Psiquiatria, de Neurologia, de
Fonoaudiologia e acima de tudo, precisam entender de empatia. Porque cabe ao
professor, enquanto representante da escola, ajudar a criança em seus
problemas, compreendendo-os, encaminhando ao profissional mais adequado, e
muitas vezes lidando com a ausência de auxílio por parte da família, que em
alguns casos está tão fragilizada quanto a criança.
Não é fácil, não é simples, não tem receita
pronta, não há milagre que resolva, mas também não há como ignorar. E se
considerarmos a totalidade de professores brasileiros, poucos são os que sabem
exatamente do que trata a saúde mental e socioemocional. Falta conhecimento,
falta informação, falta oportunidade, falta formação continuada. Temos uma
sociedade em mudança constante e um sistema estagnado, muitas vezes cabendo ao
profissional, de forma solitária, o engajamento e a busca de auxílio para suas
aflições profissionais.
E como se não bastasse, além de cuidar de uma
sociedade inteira – através das crianças e suas famílias – há de lembrar que é
imprescindível cuidar-se também, seguindo o velho “ensinamento de avião”, que
diz que antes de colocar a máscara de oxigênio no outro, é preciso colocá-la em
si mesmo.
Vida longa e feliz aos nossos heróis, também
chamados de professores.
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista do Jornal
Zero Hora

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