(OBS- os rostos foram tapados, a princípio, em função de serem menores de idade, mas acho que a verdade mesmo é que foi pela vergonha de se sujeitarem a isso)
Nosso
povo já está um tanto acostumado a se deparar com notícias impactantes, por
vezes assombrosas e, infelizmente, cada vez menos surpreendentes (tendo em
vista que, embora nos cause ojeriza, logo passam a ser uma mera lembrança). Esta
semana tivemos um exemplo desse tipo de acontecimento, quando tomou conta das
redes sociais, a divulgação de fotos de duas escolas particulares do Rio Grande
do Sul.
As mesmas solicitaram aos alunos do 3º ano, que
viessem “fantasiados” de profissões que, segundo a visão deles, eram de pessoas
que não deram certo na vida. Dentre estas profissões estavam gari, faxineira,
atendente de lanchonete, garçom, entre tantos outros. Quando chegou ao
conhecimento do público, foi um alvoroço só! O preconceito é cada vez menos
tolerável pela maioria das pessoas. E embora ambas instituições tenham se
defendido dizendo que jamais tiveram a intenção de discriminar qualquer
trabalhador, foi assim que fizeram na prática.
As instituições de ensino são propagadoras de
ideias e ideais. Não podemos ignorar esse fato (seria imprudência e
irresponsabilidade)! Antes de qualquer evento, qualquer depoimento, qualquer
atividade, precisa parar e pensar mil vezes se não há possibilidade de uma
compreensão inadequada por alguém; se não é ofensivo, se não denigre a imagem e
dignidade de outro ser. E mais! Se tem algo a acrescentar à sociedade, se fará
seus estudantes refletirem, se proporcionará a oportunidade de evolução, seja a
uma única pessoa, a um grupo ou a toda a comunidade escolar.
Escola não é apenas um local onde crianças e
jovens passam parte do dia, recebendo informações para passar no vestibular.
Não é apenas o lugar onde eles ficam enquanto os pais estão trabalhando. Escola
é mais. E se não está sendo mais do que isso, precisa mudar urgentemente.
Escola precisa ser o lugar onde as pessoas são convidadas a pensar; onde se
aprende a conviver; onde se entende o que é respeitar; onde se ensina que
flexibilidade é uma qualidade muito importante. É inadmissível que os pais e
mães deixem seu bem mais precioso (os filhos), durante, pelo menos, doze anos,
dentro de um lugar de onde ele sairá preparado apenas para entrar numa
faculdade.
Pode parecer utópico, mas como já dizia Galeano,
a utopia serve para que não paremos de caminhar. E sinceramente, se não é
através da Educação que transformaremos esse mundo num lugar melhor, não sei
mais de que forma poderá ser. Se tudo der errado, continuaremos a ter
instituições de ensino agindo de forma equivocada quanto ao papel da Educação
na sociedade. Mas se tudo der certo (e é isso que nos interessa), logo veremos
profissionais engajados verdadeiramente em um propósito muito maior do que uma
avaliação. Veremos profissionais obstinados a formar seres humanos mais
íntegros, empáticos e compassivos.
(Texto de junho/2017, do jornal Zero Hora. Lisandra Pioner)

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