Hoje eu quero falar com você. É,
você mesmo. Você que para em fila dupla pra deixar o seu filho na porta do
colégio – porque você tem pressa e não pode estacionar para deixá-lo, mas a
pressa dos outros, pouco lhe importa.
Você!
Você que tranca o estacionamento. Você que para bem no meio do caminho – como se
tivesse planejado estrategicamente o lugar para que todos fossem espectadores –
e calmamente sai do carro, abre o porta-malas, pega a mochila, fecha o
porta-malas, coloca a mochila nas costas do rebento, dá-lhe um beijinho e
espera que ele entre; aí sim, entra em seu carro e arranca – enquanto uma fila
imensa de paspalhos educados lhe assistem, sem querer fazer escândalo.
Você
aí. Que sabe que a fila imensa é para entrar na escola do seu filho ou na rua
da escola, e ao invés de ficar no seu lugar, vai indo “distraidamente” pelo
lado e quando está no local perfeito – nem tão perto pra ser o primeiro a
entrar, nem tão longe para ser o quarto ou o quinto – liga o pisca e... se mete
na frente dos doze que lá estão há cinco minutos!
Você
pensa que isso não é nada, não é mesmo? Você acha que isso é só uma gentileza
da humanidade com a sua ânsia de prioridade e que não fará mal a ninguém...
sabe por que acha isso? Porque é um egocêntrico mimado que comete pequenas
corrupções diárias e tem o desplante de ostentar a frase “Fora Temer!”, “Fora
Dilma!” – ou seja lá qual a frase de
ordem da vez – na sua foto do Facebook. Sabe qual a diferença entre você e
esses políticos corruptos todos? A oportunidade! Porque a essência dos atos é a
mesma: o egocentrismo genuíno!
Podemos
até não notar, mas somos nós, seres humanos comuns que dificultam ainda mais a
convivência em sociedade. O governo desonesto, os atos ilícitos, as aparentes injustiças
do destino são, sem dúvida, entraves, incômodos... mas o que acaba conosco de
verdade, o que nos causa estresse, o que nos faz criarmos doenças psiquiátricas
novas a cada década, o que nos presenteia com uma gama de transtornos de
ansiedade imensa é o mal motorista, o vizinho mal educado, o colega invejoso, o
chefe mal humorado, o filho ingrato, a mãe superprotetora, o marido que reclama
o tempo inteiro, a esposa que nunca está satisfeita, a atendente da farmácia
que é estúpida, o empacotador do supermercado que nem te olha. É a falta de gentileza
que nos deprime. É a falta de empatia que nos segrega. É a falta de respeito
que nos inflama.
O
parcelamento do salário é um imenso problema, sim. A insegurança ao sair de
casa é decepcionante. A Reforma Trabalhista é preocupante. A taxa crescente de
desemprego é alarmante. A inflação é perturbadora. Mas tudo isso pode ser
amenizado – atentem para o amenizado, porque não estou romantizando a crise, não
– com pequenas doses de delicadeza
diárias. E somos nós que podemos distribuí-las pelo mundo afora – começando pelos
locais que você frequenta.
Você
aí... tente! Não custa nada e o retorno positivo é garantido!
Lisandra
Pioner

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