Há alguns
dias atrás, fomos todos pegos de surpresa por uma solicitação um tanto quanto
bizar... (cof cof!) surpreendente!
O atual
ministro da Educação, Vélez Rodrigues, numa escancarada demonstração de falta
total de bom senso, solicita às escolas que filmem os estudantes cantando o
hino nacional, “perfilados”. Escolas essas que, em sua esmagadora maioria não
têm alimento, papel higiênico, classes e cadeiras decentes e nem os professores
são pagos em dia – professores cujos salários são indecentes, vergonhosos e
ofensivos!
Fico
pensando que, assim como quando planejamos uma aula, buscamos uma intencionalidade,
temos um objetivo, com o ministro não deve ser diferente. Com exceção de estar
sob efeito de substâncias tóxicas, ali havia uma intenção. Rapidamente ele
voltou atrás. Logo nos primeiros alardes internáuticos,
percebeu que apesar da tentativa ser semelhante às ações lá dos anos 60 e 70,
estamos em 2019! E diante disso, provavelmente ele deva ter pensado “Deu m***!”,
e então veio com todo aquele discurso de que havia errado... Imagino que ele
deva ter percebido que errou mesmo, mas que errou em fazer uma solicitação
grotesca e sem a menor empatia, diante de uma população exausta; e não que
tenha se arrependido de ter feito algo sem nexo – como era nosso real desejo!
Diante
disso tudo, novamente o caos se instalou. Vieram os “antibolsonaro” dizer
aquela velha conhecida frase – “Eu avisei!” -, além de outras tantas
observações, algumas reais, outras tantas, excessivas. Criaram memes, fizeram
paródias, vídeos cômicos, enfim... tudo aquilo que brasileiros, com suas mentes
privilegiadas pelo bom-humor, conseguem criar!
Então me
deparo, nesse Carnaval, com um vídeo irônico, onde pais questionam um menino de estar
com um “papelote” escondido, e nele conter parte do hino nacional escrito. A mãe questiona suas
amizades, pergunta sobre o porquê de ele não escutar um funk como as crianças
da sua idade, e até diz que ele é tão estranho, que nem o narguilé que ela
havia lhe dado de presente, ele usou! Assisti ao vídeo com um misto de
incredulidade e irritação. Incredulidade por ficar bem claro naquele vídeo, a
certeza de que, ou a pessoa entoa o hino nacional, cheio de devoção à pátria e
por isso, é do bem; ou fuma, ouve funk, é superficial, e consequentemente é um ser sem
escrúpulos. E irritação, por pensar que a gente está sempre se contando
histórias, não é mesmo? E quando a devoção a algo, alguém ou a alguma ideia é
tão visceral, perdemos a noção de realidade e a capacidade de julgamento.
Diante de
tudo isso, o que está em pauta não é que cantar o hino forma maus cidadãos (me
desculpem os mais radicais, mas nem tão pouco não cantá-lo). O que se questiona
é o pedido absurdo a uma nação desacreditada, que debocha da Educação, e agora
tenta subjugá-la. E se questiona a intencionalidade por trás de um pedido apenas aparentemente ridículo, mas que tem potencial para ser bem preocupante,
a médio e longo prazos.
Quando é que nós, brasileiros, perceberemos que devíamos estar do
mesmo lado?
Enquanto
isso não acontece, nós professores, seguimos cantando “Ei, você aí! Me dá um dinheiro
aí, me dá um dinheiro aí!” – dinheiro esse, que deveria vir junto de
reconhecimento e de gratidão, porque sim, nós somos parte do alicerce da
sociedade.
Lisandra
Pioner
Professora há 17 anos

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