Wednesday, February 18, 2015

E a juventude, hein?


E cá estamos nós em pleno século XXI, ano de 2015! Há não muito tempo atrás, imaginar os anos 2000 era coisa de filme hollywoodiano! Pois bem... aqui estamos, e embora a imaginação da 7ª arte tenha sido bem mais criativa que a realidade, temos sim, um milhão de possibilidades – muitas nunca imaginadas! – e às vezes nem sabemos o que fazer com elas.
Essas mesmas possibilidades vividas de forma muito enfática, principalmente pelos jovens – que nasceram no meio dessa mutação visceral dos tempos –  pode ser motivo de êxito, mas também de ruína pessoal. O que é decisivo para que se penda para um ou para outro lado é a preparação desse jovem para a vida.
A juventude, cada dia mais “antenada”, tem um acesso quase que ilimitado e imediato a tudo! E desta forma, muitas vezes não consegue consolidar vínculo algum, tamanha individualidade que se estabeleceu com o passar dos anos. Muito se questiona sobre a aparente infelicidade da juventude. Eu não diria que os jovens são infelizes, mas que estão eternamente insatisfeitos... e é dai talvez que surja o descontentamento com a vida. Quando se tem muito, não se valoriza nada. E a culpa não é deles, mas da educação que têm recebido.
O mundo mudou rapidamente, as pessoas mudaram, as novas gerações mudaram ainda mais, porém, a educação passa por um lento processo de transformação. E me refiro tanto à educação formal, quanto àquela dada pelas famílias. Como educar seres humanos com novos comportamentos, novas oportunidades, novas vivências, num mundo que oscila entre o real e o virtual com uma rapidez gigantesca, em uma velocidade que acompanhe tudo isso? Esse é o questionamento que deveria fazer parte do cotidiano de quem educa, tanto quanto as reflexões que já se faz acerca de como educar de forma efetiva. O tempo é um fator crucial!
Além disso, o mundo atual está exigente e incita a competitividade, o materialismo e a necessidade cada vez maior de perfeição – inalcançável -, que obviamente gera uma ansiedade dominante. Não é a toa que os Transtornos de Ansiedade são assuntos cada vez mais debatidos em encontros de Saúde e Educação. Me arriscaria a dizer que é o grande mal da sociedade atual.
Educar para a vida é a minha bandeira eterna! Isso não faz apenas das crianças, quando se tornarem adultas, seres mais fortes e determinados, como faz a sociedade evoluir e ser um lugar mais feliz.
Certamente é mais fácil dar todos os doces pedidos no supermercado do que dizer não e ouvir choro e reclamação. É mais fácil deixar passar o dia em frente ao computador do que ter que parar para dar atenção ao filho. É mais fácil deixar a filha passar o final de semana todo na casa da colega que mal se sabe o nome, a encarar os choramingos de frustração. É mais fácil comprar mais uma blusinha, mais uma sandália, mais um tênis do que recusar e ouvir o filho reclamar ou ainda ver que os amiguinhos dele têm mais coisas novas do que ele – e assim, mostrar o quanto você mesmo é “incapaz”. É mais fácil dar o último modelo do celular mais caro para um pré-adolescente, mesmo que seu antigo telefone esteja funcionando perfeitamente, só para ostentar uma posição social. É mais fácil fingir que não viu os filhos chegarem cambaleantes da festa, a falar sobre álcool. Mas quem disse que educar era tarefa fácil? A educação vem de muita convicção, insistência, determinação, consciência crítica, reflexão e autoquestionamento. Os jovens têm uma imensidão de informações acessíveis em um clique, mas estão absurdamente carentes de informação acompanhada de afeto e afago – e isso faz toda a diferença.
As facilidades da vida moderna nos aproximaram de pessoas que nem conhecemos, no entanto nos afastaram de quem mora conosco. E não se educa à distância. É preciso afetividade e efetividade. É necessário toque, olhar, escuta, parceria, planejamento, investimento de tempo e muita paciência e constância!
Se queremos uma sociedade mais justa, mais solidária, mais pacífica e mais feliz, desconheço outro viés que não seja o da educação! É lá na juventude que está o embrião da sociedade futura. Não existe mágica para esse tipo de questão. O que prepara um ser humano para assumir seu papel social com seriedade, responsabilidade e honradez é a instrução que recebe na mais tenra idade e durante todo o seu crescimento. Instrução essa que deve ser calcada nos melhores adjetivos possíveis. Caso contrário, corremos o risco de passarmos por muitas outras décadas a reclamar do que nós mesmos construímos – ou destruímos.
O grande foco não é regredirmos em relação às conquistas, mas fazermos com que essa nova geração resgate os valores que se perderam, tire dos ombros a obrigação de ser feliz 24 horas por dia, aprenda a lidar com as frustrações cotidianas e inevitáveis e consiga ser solidário para não ser tão solitário. (Texto publicado no jornal O Alto Uruguai, de Frederico Westphalen)
Lisandra Pioner

Professora, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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