E cá estamos nós em pleno século XXI,
ano de 2015! Há não muito tempo atrás, imaginar os anos 2000 era coisa de filme
hollywoodiano! Pois bem... aqui estamos, e embora a imaginação da 7ª arte tenha
sido bem mais criativa que a realidade, temos sim, um milhão de possibilidades
– muitas nunca imaginadas! – e às vezes nem sabemos o que fazer com elas.
Essas mesmas possibilidades vividas
de forma muito enfática, principalmente pelos jovens – que nasceram no meio
dessa mutação visceral dos tempos – pode
ser motivo de êxito, mas também de ruína pessoal. O que é decisivo para que se
penda para um ou para outro lado é a preparação desse jovem para a vida.
A juventude, cada dia mais
“antenada”, tem um acesso quase que ilimitado e imediato a tudo! E desta forma,
muitas vezes não consegue consolidar vínculo algum, tamanha individualidade que
se estabeleceu com o passar dos anos. Muito se questiona sobre a aparente
infelicidade da juventude. Eu não diria que os jovens são infelizes, mas que
estão eternamente insatisfeitos... e é dai talvez que surja o descontentamento
com a vida. Quando se tem muito, não se valoriza nada. E a culpa não é deles,
mas da educação que têm recebido.
O mundo mudou rapidamente, as pessoas
mudaram, as novas gerações mudaram ainda mais, porém, a educação passa por um
lento processo de transformação. E me refiro tanto à educação formal, quanto
àquela dada pelas famílias. Como educar seres humanos com novos comportamentos,
novas oportunidades, novas vivências, num mundo que oscila entre o real e o
virtual com uma rapidez gigantesca, em uma velocidade que acompanhe tudo isso?
Esse é o questionamento que deveria fazer parte do cotidiano de quem educa,
tanto quanto as reflexões que já se faz acerca de como educar de forma efetiva.
O tempo é um fator crucial!
Além disso, o mundo atual está
exigente e incita a competitividade, o materialismo e a necessidade cada vez
maior de perfeição – inalcançável -, que obviamente gera uma ansiedade
dominante. Não é a toa que os Transtornos de Ansiedade são assuntos cada vez
mais debatidos em encontros de Saúde e Educação. Me arriscaria a dizer que é o
grande mal da sociedade atual.
Educar para a vida é a minha bandeira
eterna! Isso não faz apenas das crianças, quando se tornarem adultas, seres
mais fortes e determinados, como faz a sociedade evoluir e ser um lugar mais
feliz.
Certamente é mais fácil dar todos os
doces pedidos no supermercado do que dizer não e ouvir choro e reclamação. É
mais fácil deixar passar o dia em frente ao computador do que ter que parar
para dar atenção ao filho. É mais fácil deixar a filha passar o final de semana
todo na casa da colega que mal se sabe o nome, a encarar os choramingos de frustração.
É mais fácil comprar mais uma blusinha, mais uma sandália, mais um tênis do que
recusar e ouvir o filho reclamar ou ainda ver que os amiguinhos dele têm mais
coisas novas do que ele – e assim, mostrar o quanto você mesmo é “incapaz”. É
mais fácil dar o último modelo do celular mais caro para um pré-adolescente,
mesmo que seu antigo telefone esteja funcionando perfeitamente, só para
ostentar uma posição social. É mais fácil fingir que não viu os filhos chegarem
cambaleantes da festa, a falar sobre álcool. Mas quem disse que educar era tarefa
fácil? A educação vem de muita convicção, insistência, determinação,
consciência crítica, reflexão e autoquestionamento. Os jovens têm uma imensidão
de informações acessíveis em um clique, mas estão absurdamente carentes de
informação acompanhada de afeto e afago – e isso faz toda a diferença.
As facilidades da vida moderna nos
aproximaram de pessoas que nem conhecemos, no entanto nos afastaram de quem
mora conosco. E não se educa à distância. É preciso afetividade e efetividade.
É necessário toque, olhar, escuta, parceria, planejamento, investimento de
tempo e muita paciência e constância!
Se queremos uma sociedade mais justa,
mais solidária, mais pacífica e mais feliz, desconheço outro viés que não seja
o da educação! É lá na juventude que está o embrião da sociedade futura. Não
existe mágica para esse tipo de questão. O que prepara um ser humano para
assumir seu papel social com seriedade, responsabilidade e honradez é a
instrução que recebe na mais tenra idade e durante todo o seu crescimento.
Instrução essa que deve ser calcada nos melhores adjetivos possíveis. Caso
contrário, corremos o risco de passarmos por muitas outras décadas a reclamar
do que nós mesmos construímos – ou destruímos.
O grande foco não é regredirmos em
relação às conquistas, mas fazermos com que essa nova geração resgate os
valores que se perderam, tire dos ombros a obrigação de ser feliz 24 horas por
dia, aprenda a lidar com as frustrações cotidianas e inevitáveis e consiga ser
solidário para não ser tão solitário. (Texto publicado no jornal O Alto Uruguai, de Frederico Westphalen)
Lisandra Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista
da ZH

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