Wednesday, February 18, 2015

Quarta-feira de cinzas...


Embora E.L. James tenha emprestado um certo “charme” à cor cinza após o sucesso de seu aclamado livro, a quarta-feira de cinzas ainda faz lembrar que essa tonalidade é bastante desanimadora, esteja ela relacionada ao enterro dos ossos carnavalesco, ao céu ou a qualquer outra coisa...
Li um comentário de alguém que questionava sobre uma pitada de melancolia que rondava o Carnaval. O questionamento era sobre se isso acontecia apenas com ela ou se mais alguém partilhava do mesmo sentimento, e pra surpresa de muitos - que consideram a data um período de alegria desenfreada - várias foram as respostas complacentes à pergunta. Sim! Muitos sentiam-se ligeiramente angustiados e entristecidos durante o feriado. Por que, hein?
Porque a vida real está à espera de todos logo ali adiante! Porque o ano inicia oficialmente depois do Carnaval! Porque o período de descanso, de dormir e acordar tarde, de estar na praia, de viajar, de curtir uma piscina, de matear pelos parques, de ir ao cinema no meio da tarde está encerrando para todos – ou pelo menos para os reles mortais. Mas será que tem que ser assim?
Não tem. Eu me recuso a achar que apenas as férias foram feitas para serem desfrutadas, enquanto o restante do ano, para labutação desmedida. Trabalhar é bom, enobrece e dignifica o caráter, nos coloca em situação de aprendizagem constante. Porém, ter pequenos prazeres rotineiros faz toda a diferença na qualidade de vida do ser humano.
Uma pausa para um café no meio da tarde, um cinema no meio da semana, um happy hour com amigos queridos, um almoço surpresa com a família, um por do sol em plena quarta, um churrasquinho, um brinde sem motivo especial... são ações simples e despretensiosas que muitas vezes proporcionam momentos singulares e sensações incríveis!
Se o ano está realmente começando agora, que comece com o pé direito! Diferente de todos ou idêntico aos melhores anos da nossa vida! Que busquemos a realização profissional e o corpo bonito, como está tão em voga nos últimos tempos, mas sem esquecermos de nos transformarmos intimamente, de estarmos saudáveis e embelezarmos a alma!
Que seja o ano da pausa, da reflexão, da energização, da reforma íntima, da solidariedade, da compaixão, da gentileza, do cuidado, da paciência, da gratidão, do olhar sereno e despido de julgamento, da mão estendida.
Que a gente consiga desintoxicar o coração dos maus sentimentos e nos libertarmos das exigências sociais que aniquilam nossa autenticidade.

E que a melancolia do Carnaval possa, um dia, ser apenas lembrança do passado – de quando ainda não sabíamos realmente viver!
Lisandra Pioner
Professora e Psicopedagoga

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