O
tema, também conhecido como dever ou lição de casa, tem uma função muito
específica e válida, desde que realizado da forma correta e orientada pelo
professor.
O
tema é uma excelente oportunidade da criança treinar os conhecimentos
adquiridos em sala de aula e estudar. Para os professores, é um bom momento de
verificar o que ainda não foi compreendido de forma eficiente, pois em casa,
sem auxílio, a criança pode perceber no que ainda tem dificuldade e solicitar
maior atenção do professor no dia seguinte. E até mesmo para os pais é uma boa
oportunidade de acompanhar o que seu filho está aprendendo.
Além
disso, há diferentes tipos de tema, conforme a intenção do professor. Há o tema
que serve para rever conhecimentos trabalhados, há também temas em que o foco é
pesquisar assuntos ainda não vistos – como se fosse um desencadeador de ideias –
ou até mesmo temas para aprofundar assuntos vistos de forma superficial.
Independente
do tipo de tarefa, é essencial que o professor explique qual a sua intenção ao
dar aquela atividade. E mais importante ainda, os alunos entenderem qual a
pretensão do professor.
Porém,
para as famílias, muitas vezes a lição de casa é uma verdadeira tortura, pois,
embora seja dada pelo professor, acaba refletindo exatamente a dinâmica familiar.
Ou seja, se for dada a uma criança autônoma e independente, será feita dessa
forma; porém, se for dada a uma criança acostumada a ter todas as suas vontades
realizadas, uma criança que pouco produz em casa, exigindo atenção e
disponibilidade dos adultos em tempo integral, será desempenhada da mesma
maneira, ou seja, através de muita briga. Sabe por quê? Porque o funcionamento
da família é este. A criança briga, grita, faz birra e os pais cedem. Então na
hora do tema, esses mesmos pais querem que a criança entenda, quase que como
num passe de mágicas, que então é hora de elas serem maduras e conseguirem
desempenhar suas tarefas de forma autônoma.
Isso
é humanamente impossível, tendo em vista que seres humanos funcionam através de
hábitos. Não se clica em um botão milagroso, onde um comportamento se modifica
instantaneamente. Nossas crianças não são máquinas!
E
como se não bastasse, ainda há uma questão, vivenciada por muitos professores
atualmente, que é a falta de responsdabilidade da criança e sua família em
relação a essa tarefa. O professor não está dentro do ambiente familiar, portanto, não pode exigir que a tarefa seja desempenhada e entregue no dia correto. Quem tem que
verificar isso? Quem tem que cobrar? Quem tem que abrir a mochila e ver se está
tudo organizado? Quem tem que verificar se o tema não ficou em cima da mesa?
Quem tem que exigir que o tema seja feito, independente de sono ou da preguiça? A
família! Faz parte da função da família, por mais difícil que seja. (Aliás, se alguém disse que seria fácil, mentiu!) Não há outra forma de se trabalhar, que não seja através da parceria.
Família
e escola, quando entenderem que devem ser extensão uma da outra, terão crianças
bem sucedidas em todos os âmbitos!
O
trabalho de cobrar e estar ao lado é muito menor que o de “consertar” mais
tarde. Podem ter certeza!
Lisandra
Pioner
Professora,
Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

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