Muitas famílias me procuram para
questionar algumas dificuldades de seus filhos. Uma dessas dificuldades são os
erros ao executarem alguma tarefa – principalmente as de Língua Portuguesa. São
erros de ortografia, erros de concordância, erros de interpretação.
A primeira coisa que costumo dizer é
que antes de nos apavorarmos com o dito cujo, é necessário observarmos a
natureza desse erro. É um erro recorrente ou ele está sendo observado só
recentemente? É um erro estático ou a criança às vezes acerta e depois volta a
errar? É um erro que acontece quando a criança está na aula ou ocorre em
qualquer momento?
A natureza do erro é muito
importante para que se consiga traçar uma estratégia eficaz. Se o erro se
alterna com acerto, a criança pode estar testando hipóteses. Se ele acontece
sempre, ela pode não ter compreendido o conteúdo. Se ocorre mais na sala de
aula, pode ser distração – já que a quantidade de fatores interferindo é muito
maior do que em casa.
Além disso, professores e estudantes
muitas vezes questionam a respeito da correção. Não em relação a corrigir ou
não, pois penso que essa dúvida já está sanada, tendo em vista que há alguns
anos se insiste na importância de corrigir o que não está certo. Porém, o modo
como se dá essa correção é que irá interferir no processo de compreensão da
criança. Portanto, esqueça o “corrigir pela criança”. Professor que corrige –
sozinho – os erros dos seus alunos está impedindo que haja reflexão sobre ele.
Corrigir caderno é um exemplo típico de equívoco
cometido por inúmeros profissionais que muitas vezes estão em sala de aula há
décadas! Apontar erros na correção do caderno, verificar a natureza da maioria
dos erros cometidos, perceber se a criança faz as correções que deveria – quando
solicitado –, observar caligrafia, ortografia e noção de espaço e concluir com
um bilhete, é o mais adequado e útil a se fazer. Aliás, o caderno é o retrato
do processo de aprendizagem do estudante, portanto, precisa de uma intervenção sutil.
No início da idade escolar os erros precisam,
obviamente, ser apontados e corrigidos individualmente, mas conforme a criança
vai crescendo e amadurecendo, conquista a possibilidade de, junto com o
professor e seus colegas, pensar a respeito do erro que cometeu e corrigi-lo.
Só assim terá a grande chance de não voltar a cometê-lo.
Em suma, a atitude dos adultos diante dos erros
da criança deve ser sempre a de transformá-lo em uma situação de aprendizagem.
E errar faz parte desse processo. Aliás, não há outra forma dele acontecer.
Lisandra Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora

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