Wednesday, April 13, 2016

Errar faz parte do processo de aprendizagem

          

                      Muitas famílias me procuram para questionar algumas dificuldades de seus filhos. Uma dessas dificuldades são os erros ao executarem alguma tarefa – principalmente as de Língua Portuguesa. São erros de ortografia, erros de concordância, erros de interpretação.
            A primeira coisa que costumo dizer é que antes de nos apavorarmos com o dito cujo, é necessário observarmos a natureza desse erro. É um erro recorrente ou ele está sendo observado só recentemente? É um erro estático ou a criança às vezes acerta e depois volta a errar? É um erro que acontece quando a criança está na aula ou ocorre em qualquer momento?
            A natureza do erro é muito importante para que se consiga traçar uma estratégia eficaz. Se o erro se alterna com acerto, a criança pode estar testando hipóteses. Se ele acontece sempre, ela pode não ter compreendido o conteúdo. Se ocorre mais na sala de aula, pode ser distração – já que a quantidade de fatores interferindo é muito maior do que em casa.
            Além disso, professores e estudantes muitas vezes questionam a respeito da correção. Não em relação a corrigir ou não, pois penso que essa dúvida já está sanada, tendo em vista que há alguns anos se insiste na importância de corrigir o que não está certo. Porém, o modo como se dá essa correção é que irá interferir no processo de compreensão da criança. Portanto, esqueça o “corrigir pela criança”. Professor que corrige – sozinho – os erros dos seus alunos está impedindo que haja reflexão sobre ele.
Corrigir caderno é um exemplo típico de equívoco cometido por inúmeros profissionais que muitas vezes estão em sala de aula há décadas! Apontar erros na correção do caderno, verificar a natureza da maioria dos erros cometidos, perceber se a criança faz as correções que deveria – quando solicitado –, observar caligrafia, ortografia e noção de espaço e concluir com um bilhete, é o mais adequado e útil a se fazer. Aliás, o caderno é o retrato do processo de aprendizagem do estudante, portanto, precisa de uma intervenção sutil.
No início da idade escolar os erros precisam, obviamente, ser apontados e corrigidos individualmente, mas conforme a criança vai crescendo e amadurecendo, conquista a possibilidade de, junto com o professor e seus colegas, pensar a respeito do erro que cometeu e corrigi-lo. Só assim terá a grande chance de não voltar a cometê-lo.
Em suma, a atitude dos adultos diante dos erros da criança deve ser sempre a de transformá-lo em uma situação de aprendizagem. E errar faz parte desse processo. Aliás, não há outra forma dele acontecer.

             Lisandra Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista do Jornal Zero Hora 

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