Na minha infância, as crianças
brincavam, brigavam, falavam umas das outras, faziam reclamações para os
adultos e antes que o turno da aula acabasse, já estavam todas se falando
novamente.
Naqueles
tempos o professor, embora já fosse desvalorizado economicamente, era
respeitado – sinônimo de uma valorização profissional. Às vezes, era até visto
como uma autoridade quase inatingível – o que discordo totalmente, já que é a
proximidade e o afeto que unem aluno e professor, e facilitam a aprendizagem.
Na época, a grande maioria das famílias
se ocupava efetivamente com a educação das crianças – a parte das “palavrinhas
mágicas”, do não debochar dos outros, do saber esperar a sua vez e por aí vai,
fazia parte daquela fatia que cabia aos pais ensinar.
Na minha infância também não existia
muita tecnologia. Celular era um sonho distante – assim como carros que voam,
hoje em dia. Então tudo o que “facilita” a vida da gente, e que fazemos graças
a ele – o celular – não existia também. Redes sociais e whatsapp não faziam
sequer parte dos nossos sonhos – nossa imaginação não ia tão longe assim! E os
pais, quando se encontravam, falavam de coisas importantes, pois o tempo era
escasso e deveria ser bem aproveitado.
Hoje as coisas mudaram muito... existe muito recurso tecnológico e pouca
mente saudável para usá-lo. As tecnologias hoje unem famílias, agregam pessoas,
incendeiam relações, maculam imagens. As pessoas encontraram formas de trocar
informações, compartilhar angústias, comentar impressões e de estarem mais
perto umas das outras – ou afastarem-se definitivamente! É através desses
mesmos recursos que famílias se “conhecem”, se ajudam, se respaldam, se apoiam,
e muitas vezes, se inflamam.
O imediatismo da atualidade não nos
permite reflexão. Vomita-se percepções e exige-se posicionamento instantâneo.
Não é à toa que vivemos uma época de relações tão voláteis – desde os
casamentos até as confrarias de mães ou vizinhas.
Tenho
observado, com o passar dos anos, como mãe e como profissional da educação, que
tecnologia é uma arma letal, quando mal utilizada. Aliás, como tudo na vida, ela
pode beneficiar ou prejudicar: quem está no comando é o ser humano – e é aí que
mora o perigo!
Lisandra
Pioner
Professora, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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