Sou
fã de frases que, apesar de repetidas, sejam profundas e viscerais, nos tirando
do comodismo ou do conformismo apático. Uma dessas frases é “Isso também
passa...”! Pensei nela em um dos momentos mais difíceis da minha vida, quando
me vi sem emprego e sem saber o que seria do meu futuro, afinal, meu trabalho
era o que realmente me caracterizava. Então, a partir daí descobri duas novas
lições!
A primeira, foi que essa frase precisava ser
repetida nos momentos muito felizes; aqueles em que a gente esquece que a vida
é feita de ciclos e que tudo tem início, meio e fim. Desta forma tenho aprendido
a não ser apegada a situações; afinal nós não somos, apenas estamos.
A segunda, foi que um trabalho não poderia me
caracterizar. Eu poderia fazer uso de boas características em meu emprego, mas
não poderia jamais permitir que ele me definisse. Somos muito mais do que uma
profissão.
Falando em profissão, me formei em 2002 no curso
de Pedagogia, mas este não era o curso que gostaria de fazer naquela época. Queria
Psicologia e por uma curiosidade em prestar vestibular pela primeira vez acabei
passando e permanecendo. Aproveitei que o curso tinha um preço bem menor do que
a maioria e segui estudando, tendo as mensalidades pagas pela minha família. Consigo
imaginar o quanto de sonhos pessoais meus pais adiaram por minha causa.
Acredito que os ressarci sendo uma boa profissional. Mas ainda assim, tive a
oportunidade de lhes agradecer abertamente exatos 15 anos após a minha
formatura, por telefone.
Estava em um churrasco onde todos (exceto eu)
faziam parte de uma antiga turma de formandos em Administração e a conversa
girava em torno das dificuldades que tiveram para pagar as mensalidades.
Falaram de crédito educativo, da pilha de docs de pagamento preso à geladeira,
das inúmeras vezes que pensaram em desistir. Então me dei conta, na sutileza
daquela conversa, de que nunca havia precisado passar por aquilo e na mesma
hora peguei o celular e fiz questão de agradecer aos meus pais pelo esforço que
fizeram por mim. Isso aconteceu em dezembro e apesar de já passado um tempo,
lembro bem da voz do meu pai ao telefone, me ligando na mesma hora para
agradecer pela mensagem de gratidão que havia enviado. Mais duas lições: nunca
é tarde para ser grato e por mais que a condição não seja ideal, é
imprescindível fazer o melhor que podemos.
Outra frase que considero incrível e muito sábia
é: “Que você aprenda a descansar ao invés de desistir”. E essa serve para
faculdades, empregos, casamentos, dietas, objetivos e até caminhadas! Muitas
vezes é aparentemente mais fácil abandonar e tentar um novo começo, mas muitas
vezes não é a atitude mais inteligente. O caminho a ser percorrido até a estabilidade
e a harmonia costuma ser cheio de desvios, buracos e obstáculos, mas a
desistência quase sempre só leva a um novo percurso cheio de desvios, buracos e
obstáculos também. Talvez mude um pouco a paisagem, mas os percalços são parte
de todo e qualquer trecho que escolhamos. Por isso a importância de aprendermos
a parar, tomar fôlego e continuar.
Acredito que uma das coisas mais complicadas da
vida sejam os relacionamentos íntimos. Creio nisso por vivência pessoal, por
observações e pelas estatísticas. Não é à toa que o número de divórcios é crescente.
Um pouco por causa da quantidade imensa de oferta, eu sei... mas muito porque
relacionar-se intimamente com alguém nos deixa expostos feito ferida aberta! E
essa exposição nos incomoda, algumas vezes nos machuca e muito nos cansa. Então,
que possamos descansar da fadiga emocional, recuperarmos a respiração e
retornarmos às nossas relações, sem desistir delas.
Que consigamos fazer isso com a dieta em uma ou
outra refeição; com nossos empregos, nos dando pequenos intervalos diários; com
nossos estudos por um ou dois dias. Isso é dar-nos nova chance, é
presentear-nos com viço, é nos permitir recomeçar de onde paramos. Sem boicote,
sem engano, sem precisar começar do zero sabendo (lá no fundo) que mais cedo ou
mais tarde o cansaço chegará novamente.
E esses são meus desejos para 2017: menos apego,
porque tudo é passageiro; mais descansos que evitem a desistência.
Um excelente 2017 a todos nós!
(Texto escrito para o LinkedIn)
Lisandra Pioner

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