Semana passada tomei conhecimento de um canal no
Youtube, onde uma mãe, com plena consciência de que está em um processo de
evolução, confidencia a suas seguidoras, todos os encantos e desencantos de ser
mãe, esposa e mulher. Alguns vídeos – muito interessantes – trazem questões
superimportantes acerca dos mais variados assuntos, fazendo com que nos
questionemos e nos demos conta de que algumas questões importantes sequer passam
pela nossa cabeça e que precisam de algo para dar um start e fazer como que passemos a refletir.
Até aí tudo lindo. Porém, em um dos vídeos – cujo
excelente tema é “flexibilidade” – ela se autoquestiona sobre o fato de sua
filha – uma menina de 3 anos – ter tido recentemente, uma fase de não querer
tomar banho, não querer colocar casaco, não querer pentear o cabelo, não querer
colocar o pijama. Ela diz que ficava atordoada com todas as recusas, toda a
tristeza e todo o choro que essas situações geravam na menina. Dizia não saber
como agir, pois percebia o sofrimento da filha e não queria que a menina se
sentisse ignorada em seus desejos. Contou também que recebeu dicas de várias
mães. E uma das dicas dadas por muitas delas, foi colocar a menina para dormir
de uniforme da escola, e desta forma não colocaria o pijama – objeto da
discórdia – já estaria arrumada para o colégio, e não seria contrariada.
Foi então que eu pensei “alguma coisa está
errada nessa história toda”. Será possível que o fato de uma criança querer
usar uma determinada roupa – imprópria – para uma determinada situação, precisa
gerar um embate desse tamanho? Será que o adulto da situação não se
responsabilizará pela tomada de decisão? Será que é a criança que haverá de
solucionar essa questão, agindo de forma totalmente instintiva – o que é
compreensivo, dado o fato de que tem apenas 3 aninhos de vida?
Estou citando um fato, mas ele não é isolado –
infelizmente. A confusão entre autoridade e autoritarismo, entre limite e a
falta dele, entre o que é lição e o que é castigo está todos os dias sendo esfregada
na nossa cara – e só não enxerga quem não quer. Querem exemplos? Lá vai: quando
a criança escolhe onde a família passará as férias; quando a criança decide
onde almoçarão no domingo; quando a criança diz que irá de vestido num frio de 7ºC;
quando diz que está cansada pra fazer o tema e não faz mesmo; quando joga bola
em plena sala de casa – mesmo os pais tendo avisado que poderá quebrar algo; quando
resolve que não quer comer de jeito nenhum, ou quer comer um chocolate minutos antes
do jantar.
Percebem a desordem, a perturbação, a confusão
de papéis? Algumas famílias confundem proteção com isolamento da realidade. Aí
então as crianças crescem em bolhas cuidadosamente criadas por seus cuidadores –
numa ânsia injusta de preservar o rebento de toda e qualquer dor – e cruelmente
estouradas em algum momento, pela vida – algoz infalível.
Lisandra Pioner
Professora e Psicopedagoga
Whats: (51)99252.1533

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