Você pode estar pensando no
que essas palavras do título têm em comum... Pois saibam que TUDO!
Dia desses ouvi o diálogo de duas
mães a respeito do “rompante criativo” da filhinha de uma delas, que no seu
aniversário de 8 anos, havia decidido comemorar em uma luxuosa limusine. A mãe
da menina disse que inicialmente havia ficado um pouco receosa sobre a
receptividade das outras mães, já que teriam que deixar suas pequenas andarem
por aí sozinhas, em meio ao trânsito, porém, para sua surpresa, todas incentivaram a escolha.
Então vamos às críticas de
quem costuma ter opinião para (quase) tudo e de quem trabalha com, e estuda a
infância há muito tempo.
Em primeiro lugar, de onde elas
tiraram que há “criatividade” nessa escolha? Será que não sabem que está
havendo um “surto modístico” (licença poética, por favor) que está enchendo o
bolso das empresas que alugam carros desse tipo?! A mesma moda que nos anos
2000 mandava todos cantar “Parabéns a você” no Mc Donald’s e que há pouco tempo
atrás lotava as casas de festas ao final da tarde e que depois passou a ser
almoço... essa mesma febre agora passou a ser “automobilística ostentativa”
(licença poética novamente!).
Limusine é o último grito
(AAAAAAAAAhhhhhhh) em relação a festas infantis. Saiu diretamente dos filmes de
Hollywood para a rotina de gente normal, como você e eu (eu, nem tanto
assim...), fazendo apenas uma ou outra escala em programas de auditório que
mudavam o visual e a casa de algum telespectador – e esse era recepcionado por
um chofer devidamente paramentado e sua caranga.
Num aniversário, o momento
apoteótico é a chegada da limusine! Ela precisa ser em algum lugar lotado, que
é pra causar impacto - e inveja. Logo depois vem o alvoroço de entrar, se
acomodar e apertar todos os botões possíveis. Mais tarde vem o passeio lento -
quase um desfile - onde as crianças tomam alguma bebida colorida em taças de
champagne – que é pra se sentirem mais adultas e poderosas! Se não estiver
chovendo, o auge é a aniversariante convidar uma ou duas amigas especiais –
causando fofoca e discórdia entre as preteridas – para que juntas, enfiem parte
do corpo pelo teto solar e mostrem aos reles mortais que nessa vida há quem
veio a passeio e pra brilhar... embora não seja o caso de todos.
Certo... tirando a ironia que
fui obrigada a descarregar nessas mal traçadas linhas acima, isso realmente me
preocupa. Me preocupa perceber a adultização, a precocidade, a vaidade, o
exibicionismo, a ostentação.
Estamos vivendo em um mundo
onde crianças se transvestem de adultos e adultos se disfarçam de eternos
adolescentes. O que está havendo? Onde está o discernimento? Onde está a
reflexão? Ninguém se questiona sobre o que acontece no entorno? Estão todos
simplesmente seguindo a massa?
Me perdoem as famílias que
acham diferente, divertido, chique; mas fazer um aniversário onde crianças
brincam de ser adultos – escancarando a parte mais superficial que lhes cabe –
passa uma mensagem – como tudo aquilo que fazemos! E a mensagem é a de que futilidade
merece prestígio.
Se essa é realmente a
mensagem, ótimo! Estão no caminho certo. Mas não é esse o mundo que eu pretendo
habitar daqui a alguns anos.
Tudo tem seu tempo – e isso
não é frase de livro de autoajuda. As fases precisam ser respeitadas, pois a
cada uma cabe determinada parte da maturação – orgânica e emocional. E mais!
Incentivar que crianças ajam como crianças, é parte do papel de cuidadores que
se preocupam realmente com o futuro de suas crianças.
E pra quem pensa “Ahhhh...
mas é só uma festinha...”; nesse caso é somente uma festinha, ontem foi só mais
um celular de última geração, anteontem foi só a maquiagem para o aniversário
de 7 anos, toda a semana é só a unha da caçula de 5 aninhos feita na manicure,
semana que vem é só o silicone pra mais velha de 14 anos, que tem a autoestima
muito baixa porque não tem peitão, lógico! E assim a gente vai indo...
E antes de se indignar
comigo, pense: “Ahhhh, mas é só uma crônica...”!
Lisandra Pioner
Professora, Psicopedagoga e
Colunista da ZH

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