Embora
os posts engraçados de mães felizes pela aproximação do início das aulas encham
as redes sociais, começos ou recomeços são sempre amedrontadores, angustiantes
e repletos de ansiedades e expectativas. Que atire a primeira pedra a mãe que
nunca deu uma olhada de cima abaixo na nova professora e questionou,
conhecendo-a há menos de um minuto, se está a altura de lhe confiar o seu maior
tesouro!
Todos
nós, pais, somos muito bem resolvidos até que o assunto seja nossa cria.
Afinal, só nós sabemos o quanto lutamos diariamente para mantermo-nos sendo, no
mínimo, pais suficientemente bons, como Freud e seus discípulos tanto incutiram
na nossa mente anos a fio.
Geramos
um ser. O alimentamos. Abdicamos de coisas importantes por ele. Lhe damos
afeto. Queremos que seja feliz. Ouso desafiar um genitor que não deseje isso! E
essa felicidade se traduz em responsabilidade, escolhas bem feitas,
independência! Mas isso também significa um desapego tão grande, que muitos de
nós não estão preparados – nem mesmo aos 30 e poucos anos do filhote! Aliás,
que também atire a primeira pedra quem nunca desejou, por um segundo sequer,
que seu pequeno voltasse a ser realmente pequeno para poder protegê-lo de tudo
e todos!
O
início do ano letivo é uma circunstância que elucida muitos dos sentimentos que
permeiam as relações entre pais e filhos durante toda a vida. É a obrigação que
se mistura ao desejo, que se mistura à insegurança, que se mistura à
necessidade de consciência tranquila, que se mistura à responsabilidade e assim
infinitamente...
E
então, o que fazer? Se me permitem um conselho: acreditem! Acreditem na escolha
da escola, feita por vocês mesmos. Acreditem na escolha que a escola fez em
relação aos profissionais que lá trabalham. Acreditem na capacidade do seu
filho de crescer – e não apenas fisicamente, já que isso independe do nosso
olhar. Mas emocionalmente! Acreditem na sua própria capacidade de permitir esse
crescimento. Acreditem no merecimento que vocês pais terão um dia, de poderem
dizer, com orgulho e alegria singular, que aquele ser bem sucedido em suas
escolhas e relações, é fruto do investimento subjetivo e imensamente mais
generoso de anos de trabalho lento, contínuo, altruísta e presencial – não se
faz um pai ou uma mãe à distância.
Com
tranquilidade, carinho, paciência e perseverança, teremos um ano letivo brilhante.
Eu acredito!
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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