Saturday, May 17, 2014

Texto Zero Hora (Maio/2014)


Inteligência Emocional

Sempre que tenho a oportunidade de dar um conselho aos pais (mesmo sabendo que conselho nem sempre é bem visto ou recebido), me aventuro a dizer “frustrem seus filhos”. Na grande maioria das vezes recebo um olhar de desaprovação e em alguns momentos até deixo de receber olhares por um tempo (o tempo de “digerirem” meu conselho), mas continuo aconselhando-os exatamente da mesma maneira. O motivo? Acredito (e pratico) o que digo.
Profissionais que modificam sua maneira de agir conforme o público que atendem, me parecem inseguros quanto ao que eles mesmos pensam. Nem sempre tenho certeza absoluta do que digo, em diversos instantes me vejo hesitante entre falar e calar, porém, minhas bases são sempre calcadas em estudos, pesquisas e um desejo imenso de ver a humanidade mais feliz. E o que os pais mais desejam a seus filhos? Felicidade! Tenho certeza de que há disparidade entre a visão de felicidade de uma ou outra família, mas independente de acreditarem que ser feliz é ser bem sucedido, ter dinheiro, ser admirado, construir uma família ou apenas ter boa saúde, todos almejam ver o sorriso no rosto dos pequenos, até mesmo quando deixam de ser pequenos.
É sabido pela Ciência, através de importantes estudos, que quociente de inteligência (QI) não se sobrepõe a inteligência emocional (QE) no hall de habilidades indispensáveis ao sucesso. Equilíbrio emocional é uma competência que precisa ser trabalhada desde a mais tenra infância, na tentativa de criar seres mais preparados para os embates da vida – principalmente a moderna, que insiste em nos colocar frente a frente com o desconhecido e com nossos limites, quase que diariamente.
Assim como estimulamos e exercitamos exaustivamente as habilidades relacionadas a raciocínio das crianças, precisamos, com urgência, incitar sua capacidade de lidarem com suas próprias emoções. Enquanto as crianças acreditarem (e os pais ratificarem) que o problema é ou está no outro, estaremos dando continuidade a uma sociedade incapaz de lidar com situações extremas.
As crianças devem aprender aos poucos e através de muito afeto e clareza, que a interação com o outro (esse outro sendo semelhante ou o oposto delas) é que permitirá o exercício eficiente e benéfico de habilidades como resiliência, tolerância, autoestima e vínculos reais – que só lhe trarão benefícios a longo prazo.
Não faço apologia ao desamor (porque frustrar não é sinônimo de falta de afeto), tento mostrar que amar vai além de proteger. Amar está muito mais atrelado a dar ferramentas para que a criança, sozinha, consiga lidar com os acontecimentos de seu cotidiano, de forma autônoma e confiante. É preferível um “não” amoroso a vários “sim” omissos.
Demonstrem amor, abracem, verbalizem esse carinho. Mas não satisfaçam todas as vontades, nem superprotejam. O futuro da humanidade agradece!
Lisandra Pioner

Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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