Família e Identidade
A família é um local de relações, de
afetos, de construção de identidade. É nela que assumimos os primeiros papéis
de nossas vidas – papéis esses que muitas vezes perduram por toda a nossa
existência. É através dela que nos enxergamos, que nos caracterizamos, que nos
inventamos. Muitos de nós, mesmo depois de adulto, continua a se enxergar com o
olhar que algum ente querido nos lançou.
Nos constituímos enquanto sujeitos,
dentro da esfera familiar. É nela que, assim como telas, recebemos as primeiras cores e que aos poucos,
vamos reforçando ou suavizando, mudando a nuance conforme as características
que definimos como nossas.
Família é bem mais que um conjunto de
pessoas de mesmo sangue, de mesmo sobrenome. Família é um sistema integrado ou
fragmentado, íntegro ou lacunoso, mas independente disso é um sistema. E esse
sistema pode ser um gerador de força ou de melindre.
Afinal, que ser humano você quer
formar?
Nós pais precisamos entender que
somos os grandes responsáveis pela forma com que nossos pequenos se veem. As
crianças são seres em formação, que precisam do olhar do outro para se
definirem e se redefinirem, quantas vezes forem necessárias. Esse olhar é
indispensável. A intensidade desse olhar também é. Não frustre demais, mas
também não frustre de menos. Regar e podar são essenciais e precisam ser
medidos com sensibilidade e constância e coerência de ações.
Olhe realmente enxergando. Nomeie as
características, reforçando as positivas e procurando ajustar as negativas, mostrando
que você está ali para acolher e ajudar. É preciso estar atento, mas não a
ponto de fixar uma identidade. É importante dar espaço, mas sem deixar
desamparado.
Pais são orientadores de voo, mas também
precisam ser companheiros de percurso.
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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