Nossos
filhos e a Internet
Quando
tento lembrar a forma como fazíamos pesquisas há não mais do que quinze anos
atrás, sinto arrepios! Quase não lembro da vida antes do Google! E a facilidade
de fotografar tudo e todos e enviar, em tempo real, para qualquer lugar do
planeta?! E os vídeos feitos com um primor profissional, então! Durante toda a
minha infância e adolescência não devo ter acumulado mais do que duas ou três
fitas VHS – lembrança de datas consideradas importantíssimas! –, no entanto,
minha filha com apenas seis anos de idade, tem horas e horas de vídeos salvos
em pendrives e CD’s, espalhados pelas casas de toda a família!
As
facilidades da vida moderna são inúmeras – e a fragilidade causada pela
exposição exagerada e desmedida, também.
Todo
esse aparato a nossa disposição, nos torna um pouco reféns de tamanha liberdade
e frivolidade. Aliás, péssima combinação essas duas. Se acompanhadas de
imaturidade, então... preocupante!
Pois
a soma: facilidade, liberdade, frivolidade e imaturidade tem sobrecarregado a
Internet e transformado um recurso maravilhoso, em campo minado, onde qualquer
passo distraído pode detonar uma bomba catastrófica.
Internet
não deveria ser lugar de desabafos descompensados, de ameaças, de barganha, de
propagandas falsas, de crianças e adolescentes sem a supervisão da família. Não
deveria, mas é.
A
Internet tem sido palco de escândalos, ringue de disputas, calabouço de
covardes, refúgio de lascivos. E mais! Tem sido local de frequentadores
assíduos que muitas vezes, sem instrução alguma, se expõem desnecessariamente
(ou expõem outras pessoas), causando uma volátil fama, que, em grande parte dos
casos, se transforma em rechaço social. Os frequentadores? Crianças e jovens!
O
olhar de adultos maduros, esclarecidos e com um mínimo de disponibilidade e boa
vontade é indispensável ao uso saudável das redes e embora muitas vezes seja
inexistente, se faz urgentemente necessário.
Os
mais práticos e objetivos podem lembrar que há uma responsabilidade jurídica
por trás de cada menor de idade, mesmo que este esteja em sua casa,
aparentemente seguro. Porém, a questão aqui é muito mais ampla e subjetiva.
Quem
já parou pra pensar até aonde vai a suposta liberdade que temos? Como
identificar o limite que separa o permitido do excessivo? A partir de que ponto
a brincadeira se torna violência moral?
Eu
sei que a nossa rotina de pais e mães está tumultuada e muitas vezes não
conseguimos dar conta de todas as demandas, mas nossos filhos precisam ser
prioridade.
Pare
o que está fazendo agora e vá dar uma espiada no que seu pequeno está fazendo.
A nossa liberdade, enquanto sujeitos, vai até aonde começa a liberdade do
outro; e a nossa, enquanto pais, vai até... não há mais liberdade! É nosso
dever sermos sempre vigilantes!
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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