Saturday, May 17, 2014

Texto Zero Hora (Abril/2014)


Nossos filhos e a Internet

Quando tento lembrar a forma como fazíamos pesquisas há não mais do que quinze anos atrás, sinto arrepios! Quase não lembro da vida antes do Google! E a facilidade de fotografar tudo e todos e enviar, em tempo real, para qualquer lugar do planeta?! E os vídeos feitos com um primor profissional, então! Durante toda a minha infância e adolescência não devo ter acumulado mais do que duas ou três fitas VHS – lembrança de datas consideradas importantíssimas! –, no entanto, minha filha com apenas seis anos de idade, tem horas e horas de vídeos salvos em pendrives e CD’s, espalhados pelas casas de toda a família!
As facilidades da vida moderna são inúmeras – e a fragilidade causada pela exposição exagerada e desmedida, também.
Todo esse aparato a nossa disposição, nos torna um pouco reféns de tamanha liberdade e frivolidade. Aliás, péssima combinação essas duas. Se acompanhadas de imaturidade, então... preocupante!
Pois a soma: facilidade, liberdade, frivolidade e imaturidade tem sobrecarregado a Internet e transformado um recurso maravilhoso, em campo minado, onde qualquer passo distraído pode detonar uma bomba catastrófica.
Internet não deveria ser lugar de desabafos descompensados, de ameaças, de barganha, de propagandas falsas, de crianças e adolescentes sem a supervisão da família. Não deveria, mas é.
A Internet tem sido palco de escândalos, ringue de disputas, calabouço de covardes, refúgio de lascivos. E mais! Tem sido local de frequentadores assíduos que muitas vezes, sem instrução alguma, se expõem desnecessariamente (ou expõem outras pessoas), causando uma volátil fama, que, em grande parte dos casos, se transforma em rechaço social. Os frequentadores? Crianças e jovens!
O olhar de adultos maduros, esclarecidos e com um mínimo de disponibilidade e boa vontade é indispensável ao uso saudável das redes e embora muitas vezes seja inexistente, se faz urgentemente necessário.
Os mais práticos e objetivos podem lembrar que há uma responsabilidade jurídica por trás de cada menor de idade, mesmo que este esteja em sua casa, aparentemente seguro. Porém, a questão aqui é muito mais ampla e subjetiva.
Quem já parou pra pensar até aonde vai a suposta liberdade que temos? Como identificar o limite que separa o permitido do excessivo? A partir de que ponto a brincadeira se torna  violência moral?
Eu sei que a nossa rotina de pais e mães está tumultuada e muitas vezes não conseguimos dar conta de todas as demandas, mas nossos filhos precisam ser prioridade.
Pare o que está fazendo agora e vá dar uma espiada no que seu pequeno está fazendo. A nossa liberdade, enquanto sujeitos, vai até aonde começa a liberdade do outro; e a nossa, enquanto pais, vai até... não há mais liberdade! É nosso dever sermos sempre vigilantes!

Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga e Colunista da ZH

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