Em nossa sociedade, cada dia é mais
comum nos depararmos com casais homossexuais nos mais diferentes ambientes. A
própria Justiça tem sido a favor de uniões estáveis entre esses casais,
respondendo a uma demanda social crescente. Então como podemos esconder isso
das crianças? É aí que reside a grande questão! Não devemos esconder! Mascarar
ou ocultar informações das crianças é uma forma de negar a elas um direito; o
direito ao conhecimento.
A tendência é que as crianças
reproduzam os valores passados por seus cuidadores, ou seja, se conviverem com
pessoas intolerantes e preconceituosas, têm grandes chances de tornarem-se
assim. Porém, se conviverem em um ambiente familiar onde a informação é
transmitida com responsabilidade, cuidado e atenção, estarão inclinadas a
aceitarem e considerarem natural o que está sendo passado a elas.
Embora seja um assunto polêmico por
mexer com nossas crenças e valores, não pode ser ignorado, pois está cada vez
mais em destaque, principalmente na mídia. Então como e quando falar?
Com naturalidade! Quando bem
pequenas, as crianças não dispõem de juízo de valor. Elas recebem a realidade e
a acolhem com simplicidade. São os adultos que sinalizam quando determinada
situação é errada. Mais tarde, em torno dos 6/7 anos de idade, quando já
começam a questionar determinadas situações, é o momento de então esclarecer as
dúvidas que possuem. Ou seja, o adulto não deve antecipar ou repassar
informações desnecessárias, mas quando a curiosidade surgir, deve esclarecê-la,
sim.
Ensinar o respeito ao próximo e
mostrar que a estrutura familiar mudou, é obrigação de quem convive com
crianças. E isso não se restringe ao ambiente familiar. É também papel da
escola esclarecer essas situações, sem julgar. Devemos mostrar às crianças que
existe o livre arbítrio, onde cada ser faz suas escolhas e se responsabiliza
por elas.
O mesmo deve ocorrer quando os
cuidadores percebem uma “tendência” ao homossexualismo em alguma criança. A
dificuldade de lidar com nossos próprios sentimentos diante disso é que nos
impede de tratarmos o assunto com neutralidade, mas devemos pensar, em primeiro
lugar, nesse ser humano. Independente de estarmos de acordo ou não, é um fato
que pode ocorrer em qualquer família. E o que deve ser considerado nesses
casos, é como proteger essa criança de situações que possam fazê-la sofrer,
porque embora esse assunto esteja cada vez mais presente em nossa rotina, ainda
há muito preconceito. Então o que se deve fazer? Fortalecer essa criança para
que ela aprenda a lidar com situações adversas, provocações, ignorância e momentos
delicados. Mas é importante ressaltar que isso deve ser feito com todas as
crianças! Fortalecê-las também é obrigação de nós, adultos, independente da
condição sexual que prevemos para elas. Ainda é importante dizer que não há
tratamento para o homossexualismo, pois não se trata de uma doença. E é
essencial que as pessoas, mais do que aceitem o outro, se aceitem como são. É
aí que reside a felicidade: em se aprovar, se admitir e se consentir a ser
exatamente como se é – tentando sempre se aprimorar, mas enquanto caráter e
hábitos e não enquanto condição sexual, porque não é isso que faz de alguém
melhor ou pior.
Quando somos pais ou professores,
nosso foco tem que ser ver nossos pequenos felizes – quando adultos, donos de
suas próprias histórias; independente disso acontecer da forma como gostaríamos
ou da forma que eles considerarem a certa. Isso é desprendimento, altruísmo e
amor verdadeiro.
Lisandra Pioner
Pedagoga, psicopedagoga e escritora
(Texto publicado no Jornal O Alto Uruguai, de Frederico Westphalen, no dia 27 de setembro de 2014)
(Texto publicado no Jornal O Alto Uruguai, de Frederico Westphalen, no dia 27 de setembro de 2014)

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