Essa semana
encontrei duas mães saindo de uma escola com seus respectivos filhos, sendo que
um deles – uma menina de mais ou menos
quatro anos – berrava rua afora. Bem na
hora que eu passava por elas, uma das mães – a da criança que estava apenas
caminhando – perguntou à outra o motivo do pranto. Então, calmamente a mãe explicou
que a menina queria um gelo para colocar em um machucado, mas como ela
considerou desnecessário, não pegou. Esse foi o motivo: a mãe simplesmente se
recusou a fazer o que a filha queria! Foi então que ouvi da mãe questionadora: “Ah...
por que não pegou? Pelo menos ela não iria estar chorando...” Respirei fundo e
prossegui pensando... parece tão óbvio que fazer todas as vontades das crianças
é extremamente maléfico, mas pra uma porcentagem considerável da população não
é tão óbvio assim!
Então ligo
a televisão hoje e escuto, no Jornal Nacional, que um estudo diz que crianças
que são exageradamente elogiadas tendem ao narcisismo. Sério? Sério que
precisava de um estudo para provar isto?
Uma criança
que tem todos os seus desejos supridos – seja um gelo desnecessário no
machucado, mais de um doce de sobremesa ou um novo telefone, mesmo que o seu
esteja funcionando perfeitamente – não conseguirá ouvir “não” de ninguém, em
momento algum. E quando ouvir – porque os “nãos” são inevitáveis – irá gritar,
espernear, se rebelar, se vingar, ”jogar a toalha”.
O não pode
até ser indigesto no início, mas é uma das primeiras palavras que aprendemos a
falar e também uma das primeiras que precisamos ouvir.
Então, na
falta dessa lição em algum momento da vida das pessoas, lá vão alguns “nãos”
que podem ser muito úteis:
*NÃO dê
tudo o que a criança pede;
*NÃO faça “trocas”
que considere vantajosas apenas para a criança;
*NÃO volte
atrás só para desfazer uma reação negativa que ela tenha;
*NÃO espere
que a criança saiba o que deve ou não fazer, pedir ou ter. Se nem os adultos muitas
vezes sabem, por que uma criança saberia? Quem dita as regras é você, adulto!
* NÃO seja
complacente demais, acreditando que um dia, em um passe de mágicas, sua criança
se tornará um jovem encantadoramente altruísta e um adulto maravilhoso.
Temperamento e caráter são construídos dia após dia, através de trabalho árduo
e alicerces sólidos.
E o mais
importante de todos:
*NÃO
confunda condescendência com amor.
Um “não”,
na maioria das vezes, é muito mais impregnado de amor do que qualquer sim,
imbuído de preguiça.
Lisandra
Pioner
Professora,
Psicopedagoga e Colunista da Zero Hora

1 comment:
Adorei Lisandra.
Realmente percebemos a grande intolerância as frustrações dessa gurizada. A palavra NÃO está fora do vocabulário deles.
Bjs.
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