Tuesday, January 21, 2014

Texto ZH (Agosto)

Hoje, véspera de dia dos pais, poderia escrever sobre assuntos bem menos clichês, mas não quis perder uma oportunidade perfeita de falar neles: os pais!
Pais, que desde o simbolismo psicanalítico, representam a lei, a tênue linha que separa o certo do errado, o limite estabelecido e ofertado a cada passo cambaleante vida afora. Pais sempre ocuparam o mais alto degrau da composição familiar, lugar de destaque, responsabilidade e respeito – que invariavelmente confundia-se com medo. Porém, dos tempos de Freud pra cá, muitas mudanças sociais aconteceram e com elas, uma nova configuração familiar e consequentemente, um novo posto à figura paterna.
Entre muitas oscilações de papel e tentativas - algumas mais e outras menos –  frustradas, o pai tornou-se mais do que uma figura altiva e irrevogável, incapacitando a todos da desobediência. Os pais foram deixando de lado o ar carrancudo e cansado e tornaram-se, pouco a pouco, seres afáveis e humanos aos olhos de todos, principalmente dos próprios filhos. A submissão à autoridade máxima cedeu lugar ao companheirismo e aquela sensação de fragilidade vergonhosa ao demonstrar qualquer manifestação de carinho, abandonou de vez a relação pai e filho. Hoje se vê com muito mais naturalidade, pais brincando às gargalhadas com sua prole, numa cumplicidade encantadora e muitas vezes, admitindo erros ou deixando-se ensinar pela facilidade falante dos pequenos.
Apesar de todas as transformações vividas pela sociedade, pais, assim como mães, agregaram tarefas e não simplesmente as modificaram. Pai ainda é um ser simbólico aos olhos do filho e que está ali, não por acaso, ocupando um lugar de destaque na árvore genealógica e relacional.
Pai ainda é sinônimo de segurança e confiança, um ser capaz de direcionar vidas. Se me permitem dar um conselho a vocês, pais, o maior legado que podem deixar, é o tempo junto aos seus filhos e o exemplo. Deixem um pouco de lado a necessidade exagerada de prover e passem a conviver. Crianças, adolescentes e até mesmo os filhos adultos precisam mais da companhia, da atenção e da firmeza paterna, do que qualquer posição social ou econômica que lhes venha a oferecer.  Não abdiquem da oportunidade encantadora de serem amigos de seus filhos e um dia perceberem as próprias qualidades no andar firme e decidido daquele que até bem pouco tempo atrás, corria de fraldas pela casa, tentando chamar sua atenção.
Parabéns a todos os pais presentes e que são verdadeiros presentes, assim como o meu!
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional e colunista da Zero Hora

No comments: