Outubro é o mês das
crianças!
E você já parou pra refletir
sobre o que é a infância hoje em dia? O que significa ser criança? O que o
mundo espera das nossas crianças? Quem são suas referências? Quem são seus
ídolos? Onde está o porto-seguro da infância atual?
Fico bastante incomodada
quando escuto pessoas dizerem que a infância é a melhor fase da vida e que
quando crianças, não damos valor. Sabe o porquê de acharem que é a melhor fase
da vida? Por já terem passado por ela. Nós, seres humanos, temos o hábito
nostálgico de acharmos que tudo era melhor antes. Óbvio que pensamos assim,
afinal, o “perrengue” é o hoje! É hoje que sentimos o medo do amanhã, a
angústia da incerteza, a dor do erro. Porém, todos esses sentimentos sempre
existiram, sempre fizeram parte da gente. A diferença é que era proporcional à
fase. Quando criança, problemas de criança. Quando adolescentes, crise da
juventude. E agora, adultos, o sofrimento dói no coração, e muitas vezes no
bolso. Essa é a única diferença!
Tenho o privilégio de
conviver com sessenta crianças diariamente. E procuro jamais menosprezar suas
dores, seus receios, seus medos. Tento mostrar que para tudo há uma solução e
que o tempo cura quase tudo – e o que não cura, deixa pelo menos fora do foco.
Hoje em dia a infância é
quase solitária e autodidata. As crianças vivem nas escolas desde a mais tenra
idade e a cada ano mudam-se os cuidadores, as combinações, as salas e lá estão
elas: firmes e fortes – às vezes nem tão firmes e nem tão fortes assim.
As crianças mexem nos ipads
com uma eficiência impressionante, mas muitas não sabem se equilibrar numa
perna só, não reconhecem esquerda e direita e não conseguem ter 15 minutos de
trabalho em equipe, afinal, o que é uma equipe mesmo? Num mundo onde o
isolamento é cada vez mais comum, crianças e jovens se “reúnem”, cada qual com
seu tablet ou notebook, lado a lado, mas sem contato algum.
Quem são suas referências,
seus modelos? Homens ricos e aparentemente bem sucedidos e mulheres de corpo escultural.
Claro que estou generalizando! Existem exceções, obviamente. Mas a maioria
esmagadora tem como ídolos, pessoas assim.
Não quero esperar para que o
tempo – aquele que cura quase tudo – mostre a elas que existe algo além do ter.
Que ser é muito mais importante e que o bom coração tem um valor inestimável.
As crianças precisam de
modelos saudáveis, de referências que mostrem mais do que contas bancárias
estratosféricas e corpos bem torneados. Elas precisam de adultos mental e
emocionalmente saudáveis, que saibam lidar com suas carências e inseguranças,
que lhes dê o porto-seguro de que tanto precisam, que não discutam em sua
frente, nem se desrespeitem, porque querendo ou não, somos modelos.
Aliás, ótima sugestão
de presente as suas crianças nesse dia 12 de outubro: bons exemplos!
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional e Colunista da Zero Hora
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