Tuesday, January 21, 2014

Texto ZH (Novembro1)


A desvalorização do que realmente vale

Essa semana  me peguei dizendo a uma aluna: “Não te preocupa, a vida trata de selecionar”. Disse isso, me referindo a uma situação corriqueira em todas as faixas etárias: pessoas que tentam se dar bem às custas de outras – que fazem o trabalho árduo!
Acredito no que disse. Acredito de verdade. A vida, com seu companheiro inseparável, o tempo, se encarrega de colocar as pessoas nos lugares em que merecem estar. Mas não penso que devamos deixar ao bel prazer do destino, da vida e do tempo.
Quando percebo que alguma criança está tentando burlar uma regra ou cedendo à lei do menor esforço, sinalizo. Jamais conseguiria fingir que não estou percebendo seu deslize. Porém, não faço isso apenas para proteger alguém que esteja sendo prejudicado com a atitude, mas principalmente para proteger a própria criança que está praticando o erro. Muitos adultos preferem deixar passar, achando que com o desenrolar do tempo, os pequenos perceberão seus erros, quase que como num milagre.
Vivemos numa época em que dedicação e esforço são vistos com desdém; onde espertos são os que fraudam, enganam e mentem. Reclamamos, nos revoltamos, mas esquecemos que a sociedade é feita por cada um de nós, portanto, somos os responsáveis por essa mentalidade.
Há um tempo atrás era lisonjeiro contar o quão havia sido difícil  chegar até onde se está. Atualmente o legal é tirar vantagem contando que as conquistas vieram através de boas influências e gritar aos quatro ventos que quem tem contatos, tem tudo!
Não ignoro o fato de que “amigos” podem ser sinônimo de metade do caminho percorrido, mas e a determinação? E a valorização do desejo? E a força de vontade? Será mesmo este, o século da facilitação? Será que qualquer coisa que exija um pouco mais de dedicação e afinco será vista com desprezo?
Prefiro acreditar e incentivar a coragem, a devoção, o ânimo, a força. Prefiro continuar enaltecendo o sabor da vitória pelo esforço e pelo caminho correto e do bem – embora acreditando na infalibilidade da vida. Prefiro prosseguir exaltando que espertos mesmo são aqueles que correm atrás de seus sonhos através da escalada firme, consciente e gradual rumo a uma vitória conquistada com seriedade, maturidade e esforço próprio – e não através de favores, muitas vezes cobrados com juros.

Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional e Colunista da Zero Hora

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