A desvalorização do que realmente vale
Essa semana me peguei dizendo a uma aluna: “Não te
preocupa, a vida trata de selecionar”. Disse isso, me referindo a uma situação
corriqueira em todas as faixas etárias: pessoas que tentam se dar bem às custas
de outras – que fazem o trabalho árduo!
Acredito no
que disse. Acredito de verdade. A vida, com seu companheiro inseparável, o tempo,
se encarrega de colocar as pessoas nos lugares em que merecem estar. Mas não
penso que devamos deixar ao bel prazer do destino, da vida e do tempo.
Quando percebo
que alguma criança está tentando burlar uma regra ou cedendo à lei do menor
esforço, sinalizo. Jamais conseguiria fingir que não estou percebendo seu
deslize. Porém, não faço isso apenas para proteger alguém que esteja sendo
prejudicado com a atitude, mas principalmente para proteger a própria criança que
está praticando o erro. Muitos adultos preferem deixar passar, achando que com
o desenrolar do tempo, os pequenos perceberão seus erros, quase que como num
milagre.
Vivemos numa
época em que dedicação e esforço são vistos com desdém; onde espertos são os
que fraudam, enganam e mentem. Reclamamos, nos revoltamos, mas esquecemos que a
sociedade é feita por cada um de nós, portanto, somos os responsáveis por essa
mentalidade.
Há um tempo
atrás era lisonjeiro contar o quão havia sido difícil chegar até onde se está. Atualmente o legal é
tirar vantagem contando que as conquistas vieram através de boas influências e gritar
aos quatro ventos que quem tem contatos, tem tudo!
Não ignoro o
fato de que “amigos” podem ser sinônimo de metade do caminho percorrido, mas e
a determinação? E a valorização do desejo? E a força de vontade? Será mesmo
este, o século da facilitação? Será que qualquer coisa que exija um pouco mais
de dedicação e afinco será vista com desprezo?
Prefiro acreditar e incentivar a coragem, a
devoção, o ânimo, a força. Prefiro continuar enaltecendo o sabor da vitória
pelo esforço e pelo caminho correto e do bem – embora acreditando na
infalibilidade da vida. Prefiro prosseguir exaltando que espertos mesmo são
aqueles que correm atrás de seus sonhos através da escalada firme, consciente e
gradual rumo a uma vitória conquistada com seriedade, maturidade e esforço
próprio – e não através de favores, muitas vezes cobrados com juros.
Lisandra Pioner
Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional e Colunista da Zero Hora
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